Mais do que critica ou preocupação por alguma manifestação que se tenha seguido, o que importa realmente é o acontecimento em si. O "arrastão" foi um fenómeno inédito em Portugal, e não deve nem pode ser menosprezado. Não acho que a Maria o tenha feito, mas o facto é que os exemplos dados para comparar são de uma dimensão (não falo de gravidade em si) completamente diferente de 100, 200, 300 (ou mais) individuos se juntarem e organizarem para fazer uma espécie de assalto geral a uma praia, em plena zona de Lisboa. Que ao acontecimento as pessoas reajam com medos e receios, com os seus instintos mais básicos, é perfeitamente natural que aconteça. Se não nos podemos sentir seguros de uma situação destas numa praia em Carcavelos, cheia de gente, então onde nos vamos poder sentir?
É bom que haja uma reflexão sobre o que aconteceu, e parece-me que, antes de mais, a policia e os serviços deviam questionar-se a si próprios e aos seus métodos.
quarta-feira, junho 29, 2005
Imperdível
O arrufo de ontem entre a Manuela Moura Guedes e o Miguel Sousa Tavares, a propósito das nomeações que se dão a cada mudança de governo. MMG, incapaz de reprimir os comentários constantes, representa o que de pior pode haver no "Zé Povinho". Ignorância, demagogia, egoismo, mesquinhez... uma tristeza.
sexta-feira, junho 17, 2005
Manifestação abusiva
Amanhã vai decorrer uma manifestação da Frente Nacional (pouco original é a copia do nome do partido Front National francês e das suas ideologias racistas), que está aproveita os acontecimentos do arrastão para divulgarem a sua propaganda perigosa. Ela é perigosa, porque no momento de fragilidade da população portuguesa devido ao desemprego e à pouca confiança na Europa, os mais carenciados podem ser facilmente manipulados. É muito fácil arranjar um bode expiatório para esconder os seus próprios fracassos. Não me venham cá dizer que é por causa dos imigrantes que os portugueses estão no desemprego! Isso é tretas! (desculpem-me a expressão). Se não fosse a mão-de-obra imigrante quem é que tinha construído a Expo 98, a Ponte Vasco da Gama, quem é que faria a limpeza das casas de banho dos centros comerciais, dos aeroportos e muito mais, são os pais desses jovens africanos que imigraram à 10 ou 15 anos para Portugal. Em Portugal, os portugueses preferem ir para a Suiça ou Reino Unido fazer trabalhos que os africanos e ucranianos se sujeitam, cá em Portugal.
Aqui, o que está em causa é a politica de integração da segunda e da terceira geração de filhos de imigrantes que já nasceram, em Portugal. Ninguém olha para eles como cidadãos que podem contribuir para um Portugal melhor! No resto da Europa situações bem mais graves acontecem só que não dão o alarido que fazem por cá. Nunca ouviram falar “des tournantes” em França, garanto que é muito mais assustador que são certa 10 a 15 miúdos entre os 12 e 20 anos que violam mulheres colectivamente, sejam do bairro ou do exterior! Essa é uma insegurança e um medo que paira muito mais sobre todos as mulheres e que causam danos muito mais irreparáveis que um roubo de praia.
Quero, no entanto, dizer que condeno e que considero que medidas têm que ser tomadas urgentemente. É necessário apoiar esses jovens mas também responsabilizá-los pelos seus actos. É necessário responsabilizar os pais pelos os miúdos que estão numa situação de inimputáveis. Os pais por trabalharem demasiado e muitas vezes demitindo-se das suas funções educativas por estas estarem fora do seu controle. É necessário que vários técnicos competentes ajudem os pais e os jovens na reeducação e ajustamentos dos comportamentos anti-sociais.
Aqui, o que está em causa é a politica de integração da segunda e da terceira geração de filhos de imigrantes que já nasceram, em Portugal. Ninguém olha para eles como cidadãos que podem contribuir para um Portugal melhor! No resto da Europa situações bem mais graves acontecem só que não dão o alarido que fazem por cá. Nunca ouviram falar “des tournantes” em França, garanto que é muito mais assustador que são certa 10 a 15 miúdos entre os 12 e 20 anos que violam mulheres colectivamente, sejam do bairro ou do exterior! Essa é uma insegurança e um medo que paira muito mais sobre todos as mulheres e que causam danos muito mais irreparáveis que um roubo de praia.
Quero, no entanto, dizer que condeno e que considero que medidas têm que ser tomadas urgentemente. É necessário apoiar esses jovens mas também responsabilizá-los pelos seus actos. É necessário responsabilizar os pais pelos os miúdos que estão numa situação de inimputáveis. Os pais por trabalharem demasiado e muitas vezes demitindo-se das suas funções educativas por estas estarem fora do seu controle. É necessário que vários técnicos competentes ajudem os pais e os jovens na reeducação e ajustamentos dos comportamentos anti-sociais.
terça-feira, junho 07, 2005
Individualismo é uma forma de humanismo
Numa sociedade individualista pura, o indivíduo é apreciado por aquilo que é, pela sua unicidade. Aliás, ele é encorajado a revelar as suas qualidades mais genuínas e a sua diferença. Ele é apoiado a definir-se como ser especial, para que possa sentir-se único. Só que esta definição é apenas em função das suas qualidades pessoais.
Numa sociedade “semi-individualista” o indivíduo, ainda é muito estimado pela sua dimensão social (estatuto), pelos diplomas que tem, o carro que tem, as roupas que veste…Esta visão da sociedade transpõe-se para as relações humanas quotidianas, amizades, relações profissionais e amorosas. As relações são imbuídas de preconceitos, quer com o complexo de superioridade, quando não se é amigo daquele porque se veste de tal maneira, quer com de inferioridade, quando se tem medo de falar de forma natural com indivíduo depois de saber que ele tem 30 anos e é alto diplomata da ONU. Muitas vezes esquecemo-nos que por detrás dessas etiquetas sociais estão pessoas, no sentido lado da palavra. Pessoas, essas, que para além de fazerem coisas na vida, sentem, sofrem, amam e sonham como nós, independentemente do dinheiro que têm, do nível académico ou da maneira de vestir, andar, falar.
Nesta sociedade “semi-individualista” o indivíduo tem medo de se afirmar pelo que é. Então, arranja um (a)namorado(a), de acordo com os critérios e padrões que os amigos e família exigem, do que pelos seus. Ele tem um emprego e um carro conforme ao que permite o seu estatuto profissional e não em menor escala, senão o que vão dizer os outros. A questão está na defesa do seu ser pessoal pelas qualidades externas, portanto, sociais e não pessoais.
Na sociedade individualista o sujeito tenta ao máximo ser ele mesmo e tem para isso a ajuda das pessoas próximas dele. O individualismo é humanista porque defende à individualidade de cada um, e sobretudo o direito a essa individualidade independentemente dos padrões exigidos. O humanismo está em aceitar o outro pela sua dimensão pessoal, para além da dimensão social.
Em termos pessoais que me interessa numa relação de amizade que a pessoa seja empregada de limpeza ou tenha um “DR” o que me importa é que ela me aceita tal qual como eu sou, e mais ache interessante à minha personalidade. E sobretudo, quando eu preciso dela, ela se disponibilize para me ouvir, aconselhar e estar lá como amiga.
Nos momentos difíceis ou de grande alegria, não são os galões que aparecem, mas as qualidades humanas. Que me importa, que a pessoa seja um brilhante funcionário, se só se lembra que existo quando os amigos dos galões já não estão lá, para compreender o que de mais profundo existe em ti. O mais incrível é que nós temos a noção de quais são os amigos das aparências, só que não conseguimos dispensá-los porque vivemos num mundo do ter em vez de ser. Só o individualismo exige essa transição do ter para o ser num mundo de globalização em que as relações familiares e sociais se desmoronam facilmente, o emprego já não é para toda a vida e o diploma já não garante sucesso. O que resta é a criação de laços genuínos com pessoas que nos reconhecem pelo que somos e não o que temos.
Numa sociedade “semi-individualista” o indivíduo, ainda é muito estimado pela sua dimensão social (estatuto), pelos diplomas que tem, o carro que tem, as roupas que veste…Esta visão da sociedade transpõe-se para as relações humanas quotidianas, amizades, relações profissionais e amorosas. As relações são imbuídas de preconceitos, quer com o complexo de superioridade, quando não se é amigo daquele porque se veste de tal maneira, quer com de inferioridade, quando se tem medo de falar de forma natural com indivíduo depois de saber que ele tem 30 anos e é alto diplomata da ONU. Muitas vezes esquecemo-nos que por detrás dessas etiquetas sociais estão pessoas, no sentido lado da palavra. Pessoas, essas, que para além de fazerem coisas na vida, sentem, sofrem, amam e sonham como nós, independentemente do dinheiro que têm, do nível académico ou da maneira de vestir, andar, falar.
Nesta sociedade “semi-individualista” o indivíduo tem medo de se afirmar pelo que é. Então, arranja um (a)namorado(a), de acordo com os critérios e padrões que os amigos e família exigem, do que pelos seus. Ele tem um emprego e um carro conforme ao que permite o seu estatuto profissional e não em menor escala, senão o que vão dizer os outros. A questão está na defesa do seu ser pessoal pelas qualidades externas, portanto, sociais e não pessoais.
Na sociedade individualista o sujeito tenta ao máximo ser ele mesmo e tem para isso a ajuda das pessoas próximas dele. O individualismo é humanista porque defende à individualidade de cada um, e sobretudo o direito a essa individualidade independentemente dos padrões exigidos. O humanismo está em aceitar o outro pela sua dimensão pessoal, para além da dimensão social.
Em termos pessoais que me interessa numa relação de amizade que a pessoa seja empregada de limpeza ou tenha um “DR” o que me importa é que ela me aceita tal qual como eu sou, e mais ache interessante à minha personalidade. E sobretudo, quando eu preciso dela, ela se disponibilize para me ouvir, aconselhar e estar lá como amiga.
Nos momentos difíceis ou de grande alegria, não são os galões que aparecem, mas as qualidades humanas. Que me importa, que a pessoa seja um brilhante funcionário, se só se lembra que existo quando os amigos dos galões já não estão lá, para compreender o que de mais profundo existe em ti. O mais incrível é que nós temos a noção de quais são os amigos das aparências, só que não conseguimos dispensá-los porque vivemos num mundo do ter em vez de ser. Só o individualismo exige essa transição do ter para o ser num mundo de globalização em que as relações familiares e sociais se desmoronam facilmente, o emprego já não é para toda a vida e o diploma já não garante sucesso. O que resta é a criação de laços genuínos com pessoas que nos reconhecem pelo que somos e não o que temos.
segunda-feira, maio 30, 2005
O tempo para pensar
O não francês é antes de mais um alerta da distância entre o sentimento do cidadão comum e o das elites politicas e intelectuais. Essa distância, no que toca à europa, não acontece apenas na França, mas se até(!) na França, um dos ou o país berço desta constituição, como se pode pensar que este projecto seja realmente sentido e assumido pelo europeu comum? Que a reacção dos vários dirigentes europeus ao resultado esteja a ser a de baixar a cabeça e continuar a insistir, como se nada tivesse acontecido e esta constituição, só mostra cegueira que não pode durar muito com o suceder dos novos "não" que se adivinham.
Por outro lado, é um sinal de vida da democracia quando as pessoas, por bons e maus motivos, mostram que sabem pensar por si, e não cedem às chantagens e ameaças catastrofistas que acompanham sem excepção tudo quanto é o tomar de decisão em temas europeus.
Por outro lado, é um sinal de vida da democracia quando as pessoas, por bons e maus motivos, mostram que sabem pensar por si, e não cedem às chantagens e ameaças catastrofistas que acompanham sem excepção tudo quanto é o tomar de decisão em temas europeus.
sábado, maio 28, 2005
Constituição Europeia
Esperemos que o resultado do referendo de amanhã à Constituição Europeia, em França, movimente de forma activa e com criticas construtivas os blogs portugueses e toda a sociedade civil. É desejável que haja uma maior mobilização da sociedade civil para esta questão.
Voluntariado
Um dia senti-me só e pensei para mim mesma, “em vez de olhares para o teu umbigo que tal dar um pouco de ti aos outros”. Hoje, são as pessoas que eu pensava poder ajudar com a minha presença que contribuem para a minha felicidade. São elas que dão partes delas ao terem um gesto de gratidão pelo pouco que eu faço por elas.
O gesto humanitário cria laços fortes como as relações de amizade, só que nestas esperamos reciprocidade, enquanto que no voluntariado vamos para nos entregar totalmente sem esperar nada em troca. É aí que o voluntário sente que recebe tanto sem estar à espera, e observa como recebe tanto de pessoas que ele pensava ser ele a poder ajudar.
Quando uma das pessoas a quem demos de forma voluntária um pouco de felicidade parte, sentimos que aquela pessoa leva mais do que uma simples ajuda. Ela transforma-se numa das nossas razões de achar que a vida vale a pena, e deixa um vazio a ser preenchido por uma nova pessoa a quem podemos ser útil, sem pedir nada em troca. O voluntariado engrandece a alma de quem o faz e ensina-nos a ser corajosos perante as fragilidades da vida.
O gesto humanitário cria laços fortes como as relações de amizade, só que nestas esperamos reciprocidade, enquanto que no voluntariado vamos para nos entregar totalmente sem esperar nada em troca. É aí que o voluntário sente que recebe tanto sem estar à espera, e observa como recebe tanto de pessoas que ele pensava ser ele a poder ajudar.
Quando uma das pessoas a quem demos de forma voluntária um pouco de felicidade parte, sentimos que aquela pessoa leva mais do que uma simples ajuda. Ela transforma-se numa das nossas razões de achar que a vida vale a pena, e deixa um vazio a ser preenchido por uma nova pessoa a quem podemos ser útil, sem pedir nada em troca. O voluntariado engrandece a alma de quem o faz e ensina-nos a ser corajosos perante as fragilidades da vida.
O voluntariado não é uma questão de tempo é só uma questão de SABER DAR E RECEBER SEM NADA ESPERAR!
quarta-feira, maio 25, 2005
Mais um português
António Guterres novo alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, é prestigiante para o país. A notoriedade e a criação de uma nova visão de um Portugal moderno passa pela ocupação de cargos de renome international. Congratulo-me com a presença de mais um português num cargo de chefia internacional.
terça-feira, maio 17, 2005
Eurovisão
Eurovisão
serve para divulgar a música portuguesa e a "portugalidade", não é! Então porque motivo os nossos representantes cantam uma música mista! O início é em português e o refrão em inglês. Expliquem-me se para se ser bom artista musical em Portugal é necessário cantar em inglês. Sinceramente, acho de muito mau gosto a opção da língua escolhida para representar a nossa nação num festival internacional, o inglês.
Os Madredeus, a Mariza, a Mísia e tantos outros fazem sucesso no estrangeiro e fazem uma excelente divulgação da música portuguesa, cantando em português e não em inglês. A Amália era a nossa embaixadora musical e cantava o que de mais genuíno representa a “portugalidade”, o fado. E agora, vêm estes cantores à “pressão” representar Portugal, cantar em inglês.
Se nos países mais longínquos já acham que nós somos uma província de Espanha. Talvez depois da Eurovisão passem a achar que somos uma colónia inglesa ou americana! Parece-me que os únicos que têm orgulho da língua portuguesa são os brasileiros, pois cantam em português e com orgulho dentro e fora do Brasil.
serve para divulgar a música portuguesa e a "portugalidade", não é! Então porque motivo os nossos representantes cantam uma música mista! O início é em português e o refrão em inglês. Expliquem-me se para se ser bom artista musical em Portugal é necessário cantar em inglês. Sinceramente, acho de muito mau gosto a opção da língua escolhida para representar a nossa nação num festival internacional, o inglês.
Os Madredeus, a Mariza, a Mísia e tantos outros fazem sucesso no estrangeiro e fazem uma excelente divulgação da música portuguesa, cantando em português e não em inglês. A Amália era a nossa embaixadora musical e cantava o que de mais genuíno representa a “portugalidade”, o fado. E agora, vêm estes cantores à “pressão” representar Portugal, cantar em inglês.
Se nos países mais longínquos já acham que nós somos uma província de Espanha. Talvez depois da Eurovisão passem a achar que somos uma colónia inglesa ou americana! Parece-me que os únicos que têm orgulho da língua portuguesa são os brasileiros, pois cantam em português e com orgulho dentro e fora do Brasil.
segunda-feira, maio 09, 2005
Caciques
A "luta" que Marques Mendes está a travar com alguns dos caciques do PSD no poder local tem os seus custos, mas é sem dúvida um bom sinal para o ínicio da sua liderança e da mudança de imagem do PSD. Há temas sobre os quais vale a pena perder apoios e arriscar perder votos, até porque a complacência com alguns que garantem votos no seu "feudo" implica perdas de credibilidade que acabam por custar ainda mais votos ao partido como um todo.
O que ainda está para vir é um líder do PSD (e primeiro-ministo do PS!) que tenha a coragem de não andar a fazer vénias a tudo o que são disparates, exigências e prepotências vindas do Alberto João Jardim.
O que ainda está para vir é um líder do PSD (e primeiro-ministo do PS!) que tenha a coragem de não andar a fazer vénias a tudo o que são disparates, exigências e prepotências vindas do Alberto João Jardim.
domingo, maio 01, 2005
Cinema Europeu
Hoje deliciei-me a ver um filme francês “As bordadeiras” de Eleonor Faucher, “absolument magnifique”. O cinema de autor enche-me completamente as medidas. A qualidade é absolutamente incomparável aos filmes americanos. Neste filme a abordagem da maternidade precoce é trabalhada de forma realista sem ser sensacionalista. Para além disso, a qualidade da fotografia é fantastica! É ter a sensação que não é mais um filme qualquer a juntar a tantos outros, é a criatividade a mexer com cada espectador. Até a música dos “Louise Attaque” estava perfeita! Espero que o meu entusiasmo chegue até vós, está no Nimas.
sexta-feira, abril 29, 2005
Um ano e um dia,
Este é o tempo que eu naufraguei e recolhi-me no Ilha Perdida. Nele aprendi a expor-me, revelar-me, desabafar e a gostar.
O Ilha Perdida representa hoje um pouco de mim, um pedaço daquilo que compõe a minha pessoa, que preenche os meus tempos livres, ao qual eu dedico um pouco de mim.
Uma pequena nota de mérito vai para o meu companheiro no Ilha Perdida, o Pedro. Hoje, tenho eu lhe agradecer pelo convite feito há um ano e um dia atrás.
O Ilha Perdida representa hoje um pouco de mim, um pedaço daquilo que compõe a minha pessoa, que preenche os meus tempos livres, ao qual eu dedico um pouco de mim.
Uma pequena nota de mérito vai para o meu companheiro no Ilha Perdida, o Pedro. Hoje, tenho eu lhe agradecer pelo convite feito há um ano e um dia atrás.
sexta-feira, abril 22, 2005
Camara de Lisboa
Marques Mendes foi eleito em congresso por uma margem surpreendentemente pequena. Terá agora oportunidade de se tentar afirmar de facto, e é uma pessoa com qualidades, sem comparação com o adversário que tinha. A simples hipótese de Menezes poder ter chegado a líder faz-me confusão, tal o aparelhismo, ruido e vazio que a sua personagem representa. Um mau sintoma para o PSD.
Contudo, no caso da câmara de lisboa, parece-me que Marques Mendes começa com um erro. Em primeiro lugar, Santana Lopes foi o protagonista da vitória em Lisboa e da obra que foi feita. Logo, é ele o candidato natural para defender o que se fez e, não sendo ele, considerando-se que a obra foi má, deveria então ser escolhido alguém sem qualquer compromisso com este mandato. Em segundo lugar, tanto Santana Lopes como Carmona Rodrigues têm mais hipóteses de perder as eleições do que de as ganhar. Na minha opinião, apesar de tudo, com Santana Lopes seria mais fácil uma eventual reviravolta. Mas, se é para perder, não seria mais inteligente deixar Santana Lopes avançar do que deixa-lo na situação de poder colocar a responsabilidade da derrota na escolha de Marques Mendes?
Contudo, no caso da câmara de lisboa, parece-me que Marques Mendes começa com um erro. Em primeiro lugar, Santana Lopes foi o protagonista da vitória em Lisboa e da obra que foi feita. Logo, é ele o candidato natural para defender o que se fez e, não sendo ele, considerando-se que a obra foi má, deveria então ser escolhido alguém sem qualquer compromisso com este mandato. Em segundo lugar, tanto Santana Lopes como Carmona Rodrigues têm mais hipóteses de perder as eleições do que de as ganhar. Na minha opinião, apesar de tudo, com Santana Lopes seria mais fácil uma eventual reviravolta. Mas, se é para perder, não seria mais inteligente deixar Santana Lopes avançar do que deixa-lo na situação de poder colocar a responsabilidade da derrota na escolha de Marques Mendes?
Bento XVI
A ler, sobre a eleição do novo Papa, no Acidental.
A Igreja é uma instituição naturalmente conservadora, e não poderia ser de outra forma. A Igreja não está nem tem de estar necessariamente integrada nos tempos que correm. E, acima de tudo, a Igreja não está nem tem de estar necessariamente moldada ao gosto de quem não acredita na Igreja ou sequer em Deus.
PS: Digo isto com o à vontade de quem não é católico.
A Igreja é uma instituição naturalmente conservadora, e não poderia ser de outra forma. A Igreja não está nem tem de estar necessariamente integrada nos tempos que correm. E, acima de tudo, a Igreja não está nem tem de estar necessariamente moldada ao gosto de quem não acredita na Igreja ou sequer em Deus.
PS: Digo isto com o à vontade de quem não é católico.
quinta-feira, abril 21, 2005
Negociação através da discussão
É no meu entender chegar a um acordo, uma harmonia e um equilíbrio, entre diferentes posições e perspectivas, de duas ou mais pessoas. Em Sociologia da vida privada, “a negociação” é um conceito muito utilizado. A negociação, que surge muitas vezes de uma discussão, virulenta ou não, entre duas pessoas, ajuda na exposição de ideias. A discussão é uma forma de negociação, porque estabelece parâmetros de respeito e limites que o outro tem que respeitar e aceitar. A discussão delimita o espaço de cada um e aumenta o espaço individual da pessoa dentro da relação entre as pessoas em questão.
Por mais difícil, dolorosa e desgastante que seja uma discussão, esta é o contributo essencial para a negociação. Quantos de nós não discutiram com os irmãos por causa da utilização indevida de objectos que não lhes pertenciam. Quantos de nós não negociaram, através de discussões acesas, as saídas à noite com os pais, enquanto adolescentes. E quantos de nós não discutiram com um amigo(a) querido (a) com o qual se aborreceram. A discussão só surge porque não queremos perder a amizade ou achamos que ela vale a pena. Senão não nos dávamos ao trabalho de nos desgastarmos em expor as nossas opiniões, e deixaríamos de conviver com essa pessoa e assim ficava o assunto resolvido.
Quero alertar que estas discussões têm regras e limites na forma de expor as suas opiniões. Esses regras possibilitam uma boa negociação, no sentido em que não existam faltas de respeito ou ofensas que destruam a negociação. Caso estas regras sejam quebradas a negociação é impossibilitada e não existe evolução na relação em questão, que fica em perigo de ruptura.
As discussões contribuem para a negociação no sentido em que ao expormos as nossas ideias estamo-nos a expor, e é uma forma de nos conhecermos e de respeitarmo-nos a nos próprios e fazer com que o outro nos conheça, e nos respeitemos mutuamente.
Por mais difícil, dolorosa e desgastante que seja uma discussão, esta é o contributo essencial para a negociação. Quantos de nós não discutiram com os irmãos por causa da utilização indevida de objectos que não lhes pertenciam. Quantos de nós não negociaram, através de discussões acesas, as saídas à noite com os pais, enquanto adolescentes. E quantos de nós não discutiram com um amigo(a) querido (a) com o qual se aborreceram. A discussão só surge porque não queremos perder a amizade ou achamos que ela vale a pena. Senão não nos dávamos ao trabalho de nos desgastarmos em expor as nossas opiniões, e deixaríamos de conviver com essa pessoa e assim ficava o assunto resolvido.
Quero alertar que estas discussões têm regras e limites na forma de expor as suas opiniões. Esses regras possibilitam uma boa negociação, no sentido em que não existam faltas de respeito ou ofensas que destruam a negociação. Caso estas regras sejam quebradas a negociação é impossibilitada e não existe evolução na relação em questão, que fica em perigo de ruptura.
As discussões contribuem para a negociação no sentido em que ao expormos as nossas ideias estamo-nos a expor, e é uma forma de nos conhecermos e de respeitarmo-nos a nos próprios e fazer com que o outro nos conheça, e nos respeitemos mutuamente.
quinta-feira, abril 07, 2005
Valor do Nacionalismo
É importante termos orgulho nacional e não acharmos que perante as outras nações da Europa, tenhamos que deixar de parte o orgulho de ser português, só porque essas nações têm uma melhor posição económica e desenvolvimento. O melhor exemplo da não inclinação à visão de cidadãos menores da Europa, é atitude de José Mourinho. Podem-no chamar de altivo, arrogante, vaidoso…O importante é que ele é um excelente profissional e não tem que baixar a cabeça, só porque supostamente é português, segundo os europeus do norte uma nação menor. E deixar de ser quem é, para tentar agradar aos outros. É uma atitude muito digna de manter -se igual a ele próprio e de não deixar que lhe pisem “os calos”, ou que achem que lhe estão a fazer um favor pelo facto de o terem convidado para treinador do Chelsea.
Neste momento, deveríamos todos apoiar Mourinho, porque vemos bem que os treinadores de futebol estrangeiros que estão em Portugal estão longe de fazer um trabalhado tão bom quanto o de Mourinho. Marcelo Rebelo de Sousa apoia Mourinho e afirma que “todos os portugueses deveriam ser como ele e deveríamos deixar o nosso provincianismo de lado”. Pois, há muitas pessoas que têm vergonha de dizerem que são oriundos do interior beirão, alentejano, transmontanos…Não é porque temos origens humildes, que temos menos valor. Há valores como a honestidade, a simplicidade e a autenticidade que são valores fundamentais para o valor individual de cada um.
Como foi visível no jogo de ontem o trabalho de Mourinho permitiu mais uma vitória do Chelsea. Os nossos jornalistas nacionais é que deviam ter uma formação urgente, de aprendizagem da importância do valor nacional e deixar de valorizar o que é português quando os estrangeiros valorizam e de deitar à baixo quando os outros o fazem. Esta atitude de boicote nacional, de denegrir o que é nacional torna-se intolerável por parte da classe jornalística portuguesa. Já não se trata de ser realista e neutro na forma de informar, é um deitar à baixo e pessimismo nacional, aumentando o que está mal em Portugal.
quarta-feira, março 30, 2005
Importação de energia
É um facto que neste momento, devido à seca, há uma baixa da produção de electricidade fornecida pelas barragens hidroeléctricas. O que de algum modo é engraçado. Com tanto sol em Portugal ninguém ainda se lembrou de aproveita-lo de outra forma que exclusivamente em pacotes Turísticos. Com a quantidade de sol que temos, se colocassemos paneis solares por todo este país fora, é provável que diminuísse a importação de grande parte da nossa energia.
Realmente, ou faltam cabecinhas pensadoras neste país ou há falta de vontade política para desenvolver o país e poupar dinheiro. Que tenha conhecimento apenas uma única Câmara Municipal do país, Montalegre, exigiu à EDP que instalasse paneis solares na iluminação da cidade para fazer poupanças de energia. Este exemplo deveria ser seguido por todas as Câmaras Municipais para poupar na iluminação pública, mas também para aquecer casas, ministérios, escolas…
Já foquei este tema noutra ocasião mas a patetice de não utilizar os poucos recursos que temos põe-me fora de mim. É a mesma coisa que ver uma família pobre com poucos recursos e a esbanjá-los, enquanto a família rica sabe poupar e duplicar os seus recursos. Esta analogia também se pode adaptar às diferentes nações. Agora, com a ideia do “Choque Tecnológico” talvez tenham a brilhante ideia de por esta ideia em prática!
Realmente, ou faltam cabecinhas pensadoras neste país ou há falta de vontade política para desenvolver o país e poupar dinheiro. Que tenha conhecimento apenas uma única Câmara Municipal do país, Montalegre, exigiu à EDP que instalasse paneis solares na iluminação da cidade para fazer poupanças de energia. Este exemplo deveria ser seguido por todas as Câmaras Municipais para poupar na iluminação pública, mas também para aquecer casas, ministérios, escolas…
Já foquei este tema noutra ocasião mas a patetice de não utilizar os poucos recursos que temos põe-me fora de mim. É a mesma coisa que ver uma família pobre com poucos recursos e a esbanjá-los, enquanto a família rica sabe poupar e duplicar os seus recursos. Esta analogia também se pode adaptar às diferentes nações. Agora, com a ideia do “Choque Tecnológico” talvez tenham a brilhante ideia de por esta ideia em prática!
quarta-feira, março 23, 2005
Referendo ao Tratado Constitucional Europeu II
Ovidio, eu acho que a ideia do referendo ser realizado isoladamente não tem nada de absurdo, a menos que se considere que a importância do tema referendado não o justifica. Como (na minha opinião) não é esse o caso, o referendo sobre a Constituição Europeia deveria ser realizado isoladamente, como a melhor forma de suscitar um verdadeiro debate sobre a Europa.
Nas eleições autárquicas os presidentes de câmara vão responder perante os seus munícipes sobre o trabalho que realizaram, é disso que se trata. Se nem nas eleições para o parlamento europeu se consegue discutir a Europa, com que base se pode esperar que seja numas eleições locais que esse aguardado debate nacional vai surgir? Em que é que a avaliação do desempenho do mandato do presidente da câmara de Bragança se relaciona com o sim ou não à constituição europeia? Parece-me que as dúvidas são mais que justificadas. A haver junção com algum acto eleitoral, teriam de ser as presidenciais.
E, ainda quanto ao que foi defendido pela Maria, também não são as campanhas de propaganda, as linhas telefónicas grátis, ou outras variantes de "educação das massas" que criam o debate necessário. O maior entrave é exactamente o quase unanimismo partidário no apoio ao sim, que se criou com a mudança de posição do CDS/PP, e que acaba por castrar o essencial para qualquer debate - a existência de contraditório. Mais uma vez, o facto de o referendo ser realizado em simultâneo com as autárquicas só vai agravar este problema por dar um maior relevo ao papel dos partidos, mobilizados nas eleições locais, e reduzir o espaço para a intervenção de grupos de cidadãos com posições autónomas.
Nas eleições autárquicas os presidentes de câmara vão responder perante os seus munícipes sobre o trabalho que realizaram, é disso que se trata. Se nem nas eleições para o parlamento europeu se consegue discutir a Europa, com que base se pode esperar que seja numas eleições locais que esse aguardado debate nacional vai surgir? Em que é que a avaliação do desempenho do mandato do presidente da câmara de Bragança se relaciona com o sim ou não à constituição europeia? Parece-me que as dúvidas são mais que justificadas. A haver junção com algum acto eleitoral, teriam de ser as presidenciais.
E, ainda quanto ao que foi defendido pela Maria, também não são as campanhas de propaganda, as linhas telefónicas grátis, ou outras variantes de "educação das massas" que criam o debate necessário. O maior entrave é exactamente o quase unanimismo partidário no apoio ao sim, que se criou com a mudança de posição do CDS/PP, e que acaba por castrar o essencial para qualquer debate - a existência de contraditório. Mais uma vez, o facto de o referendo ser realizado em simultâneo com as autárquicas só vai agravar este problema por dar um maior relevo ao papel dos partidos, mobilizados nas eleições locais, e reduzir o espaço para a intervenção de grupos de cidadãos com posições autónomas.
terça-feira, março 22, 2005
Referendo ao Tratado Constitucional Europeu
Numa data ou outra, o mais importante é que o referendo se faça e não se ceda ao medo de consultar a vontade popular. Dito isto, é evidente que não faz muito sentido juntar este referendo a umas eleições que nada ou muito pouco têm em comum com o tema em causa. Nas eleições autarquicas vamos avaliar a forma como os autarcas nos governam, e vamos juntar a estas eleições um referendo sobre a constituição europeia? A ideia só pode ser evitar o debate.
O referendo deveria ser realizado isoladamente de outros actos eleitorais, para evitar confusões e ainda contribuir para gerar verdadeiro debate sobre um tema tão pouco conhecido e discutido pelos portugueses. E, a ser realizado juntamente a outro acto eleitoral, seria naturalmente com as presidenciais pois ai sim a europa é um tema que está e deve estar presente.
O referendo deveria ser realizado isoladamente de outros actos eleitorais, para evitar confusões e ainda contribuir para gerar verdadeiro debate sobre um tema tão pouco conhecido e discutido pelos portugueses. E, a ser realizado juntamente a outro acto eleitoral, seria naturalmente com as presidenciais pois ai sim a europa é um tema que está e deve estar presente.
domingo, março 20, 2005
Tratado sobre a Constituição Europeia
A Espanha já disse SIM! A França está a preparar o referendo para daqui a dois meses! Nós já decidimos que será na mesma data que as eleições autárquicas. Acho boa ideia! Há que fazer redução de gastos e evitar uma abstenção elevada ao referendo. Agora, resta os políticos portugueses formularem uma pergunta clara e informarem os portugueses, em que é que consiste esse tratado, e quais as consequências ou benefícios para Portugal.
A França arranjou como meio para informar a sua população uma linha telefónica gratuita, onde jovens preparados para o efeito, respondem a todas as questões dos cidadãos franceses e para além disso se for solicitado oferecem um resumo da constituição, se o desejarem. O governo português deveria começar a pensar numa estratégia para explicar e informar de forma simples e clara os portugueses. O que é isso do "Tratado da Constituição Europeia"? Até agora devem ser muito poucos os portugueses que têm conhecimento do tratado que é constituído por 448 artigos e quais as diferentes áreas que ele abrange.
Os futuros candidatos às autarquias poderiam preparar-se, tomando conhecimento do Tratado Europeu e explicar aos seus futuros eleitores os benefícios que querem fazer na sua região e também quais as vantagens ou desvantagens de dizer Sim ou Não à Constituição Europeia. Para além de contribuirem para uma melhor informação da população local com menos acesso à fontes de informação, também os candidatos a futuros dirigentes locais aprofundam conhecimentos sobre um tratado, que terá influência na sua forma de governação.
A França arranjou como meio para informar a sua população uma linha telefónica gratuita, onde jovens preparados para o efeito, respondem a todas as questões dos cidadãos franceses e para além disso se for solicitado oferecem um resumo da constituição, se o desejarem. O governo português deveria começar a pensar numa estratégia para explicar e informar de forma simples e clara os portugueses. O que é isso do "Tratado da Constituição Europeia"? Até agora devem ser muito poucos os portugueses que têm conhecimento do tratado que é constituído por 448 artigos e quais as diferentes áreas que ele abrange.
Os futuros candidatos às autarquias poderiam preparar-se, tomando conhecimento do Tratado Europeu e explicar aos seus futuros eleitores os benefícios que querem fazer na sua região e também quais as vantagens ou desvantagens de dizer Sim ou Não à Constituição Europeia. Para além de contribuirem para uma melhor informação da população local com menos acesso à fontes de informação, também os candidatos a futuros dirigentes locais aprofundam conhecimentos sobre um tratado, que terá influência na sua forma de governação.
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