Se o referendo ao aborto vier de facto a ser marcado para o final deste ano, entre as autárquicas e as presidenciais, é uma jogada inteligente, por meter em cima da mesa um tema que coloca Cavaco Silva no lado que se preve perdedor. Mas, ainda assim, toda esta urgência e a aprovação de leis por encomenda apenas para permitir que um tema importante seja usado de forma descarada nas "tricas" da luta partidária não deixa de ser lamentável.
Alguém sente a sociedade civil, a verdadeira e não a manipulada politicamente, a clamar por esta pressa sem olhar a meios em mudar a lei? A haver mudança, é evidente que após o "não" dado pelos portugueses esta terá de ser sufragada por meio de referendo, mas este deve ser convocado num periodo de acalmia política e não de luta partidária em que os temas e as questões se irão naturalmente confundir.
terça-feira, agosto 30, 2005
sexta-feira, agosto 26, 2005
Ilha Perdida
Informação
Histórias
Lições
Ambiente
Política
Economia
Reflexão
Debate
Intervenção
Dedicação
Amor
Estes são os temas e qualidades que definem o nosso Blog, que hoje festeja o seu segundo aniversário!!!
Histórias
Lições
Ambiente
Política
Economia
Reflexão
Debate
Intervenção
Dedicação
Amor
Estes são os temas e qualidades que definem o nosso Blog, que hoje festeja o seu segundo aniversário!!!
quinta-feira, agosto 25, 2005
Praga
A título de curiosidade Portugal tem 142 espécies de eucaliptos! O eucalipto é uma arvore que não é autóctone o que não é bom para o ambiente e solo, já que no final de sete plantações o solo ficam completamente seco, pobre em nutriente, que provoca a desertificação. Basta de eucaliptos e vamos mesmo fazer planeamento florestal. Deixemo-nos de querer lucro fácil e rápido, sem trabalho. Ao plantar espécies como o carvalho, azinheira e o pinheiro bravo é uma forma de proteger a floresta e o ambiente, já que estas espécies são mais resistentes ao fogo. Oiçam os ambientalistas e mudem as mentalidades “do interesse pelo lucro fácil e rápido”, que sai caro a todos nós.
sexta-feira, agosto 12, 2005
A moda das coligações
Segundo O Independente de hoje Carmona Rodrigues acaba de firmar uma coligação com o PPM para a camara de Lisboa. O PPM parece ser um parceiro privilegiado pelo PSD para fazer coligações, seja em várias candidaturas autárquicas, seja até agora nas últimas legislativas. Alguém me sabe explicar porquê?
Para começar não se percebe o que representa o PPM neste momento. Se é verdade que no seu tempo representou algo, por pouco que fosse, as caras desse tempo já todas abandonaram o barco e o projecto. Neste momento não se sabe o que é aquele partido, e o seu peso na sociedade é nulo. Afirma-se como monárquico, mas nem os monárquicos está perto de conseguir representar, e basta ver o que sobre ele dizem as reais associações espalhadas pelo país.
Se calhar é bonito dizer que se tem uma coligação, como é bonito meter um ou dois independentes à pressão nas listas, para dar aquele ar de abertura e de abrangência... mas, dito isto, é preciso ver que as coligações têm um "preço". Na câmara de lisboa terá um custo para o PSD em termos de lugares, cargos ou seja o que for. Por exemplo nas legislativas o PPM conseguiu 2 lugares elegíveis nas listas de deputados do PSD, e nós olhamos para o país e pensamos no que representarão aqueles 2 deputados, que peso e interesses? A mim parece-me que isto não passa de uma fantochada, assim como os verdes são outra fantochada que o PCP inventou para dizer que têm uma coligação.
As coligações são uma mais-valia, mas quando representam abertura das forças que as compõem a outras tendências e correntes.
Para começar não se percebe o que representa o PPM neste momento. Se é verdade que no seu tempo representou algo, por pouco que fosse, as caras desse tempo já todas abandonaram o barco e o projecto. Neste momento não se sabe o que é aquele partido, e o seu peso na sociedade é nulo. Afirma-se como monárquico, mas nem os monárquicos está perto de conseguir representar, e basta ver o que sobre ele dizem as reais associações espalhadas pelo país.
Se calhar é bonito dizer que se tem uma coligação, como é bonito meter um ou dois independentes à pressão nas listas, para dar aquele ar de abertura e de abrangência... mas, dito isto, é preciso ver que as coligações têm um "preço". Na câmara de lisboa terá um custo para o PSD em termos de lugares, cargos ou seja o que for. Por exemplo nas legislativas o PPM conseguiu 2 lugares elegíveis nas listas de deputados do PSD, e nós olhamos para o país e pensamos no que representarão aqueles 2 deputados, que peso e interesses? A mim parece-me que isto não passa de uma fantochada, assim como os verdes são outra fantochada que o PCP inventou para dizer que têm uma coligação.
As coligações são uma mais-valia, mas quando representam abertura das forças que as compõem a outras tendências e correntes.
domingo, agosto 07, 2005
Mão criminosa
Todos os comentários dos populares, dos responsáveis autárquicos, dos responsáveis da protecção civil, dizem que o fogo tem mão criminosa! Essa é sem dúvida uma verdade! Mas será que nós todos não somos criminosos quando deixamos de limpar as matas, florestas, eucaliptais! Quando os serviços florestais regionais não obrigam os proprietários ao limpar os seus terrenos? Quando os presidentes de câmara instalam bocas-de-incêndio que não funcionam? Será que não são criminosos os engenheiros florestais e agrónomos responsáveis no Ministério da Agricultura que nunca saem dos seus gabinetes para conhecer o país real para criarem planos de (re)florestação mais adequados? Será que não são criminosos, todos os madeireiros que cortam os eucaliptos para a pasta de papel e deixam metade das árvores abatidas e diverso lixo no local? Será que os populares e pequenos agricultores não são criminosos quando fazem queimadas quando sabem que é proibido em pleno verão? Meus senhores deixemo-nos de hipocrisias e assumam as responsabilidades de que cada um contribuiu de forma significativa para a dimensão dos incêndios e ajudaram os incendiários!
terça-feira, agosto 02, 2005
Ota e TGV -Direito à informação
O Ilha Perdida quer associar-se ao movimento de blogs que têm vindo a exigir a divulgação dos estudos que estão na base da decisão de prosseguir estes dois projectos.
Não tenho opinião sólida formada sobre um ou outro, mas parece-me no mínimo estranho que, num país em que não se fala noutra coisa que não seja apertar o cinto, em que os impostos acabam de ser mais uma vez aumentados, e em que nada se decide e se fazem e eternizam estudos sobre tudo e mais alguma coisa, uma decisão com implicações de tal forma onerosas seja tomada desta forma.
O mínimo que temos de exigir, e o estado nos deve como cidadãos, é a transparência na forma e nos critérios segundo os quais o nosso dinheiro é gerido e gasto. E a forma como este processo tem sido conduzida é tudo menos transparente. Por um lado, é dado a entender que as decisões ainda se encontram a ser estudadas e, por outro, vem o ministro da economia afirmar que o seu avanço em si já está decidido. Nós temos direito a conhecer os estudos que estão por base destas decisões, se eles de facto existem e, no caso de existirem, se as confirmam e corroboram.
Quando se percebe que a opção de avançar, num e noutro caso, tem muito pouco de evidente e é contestada por muitos dos mais incontestados actores da sociedade e do meio económico, dá para começar a estranhar e desconfiar. Algumas suspeitas já começam a surgir. Podem não passar disso, mas temos o direito de as ver esclarecidas.
Não tenho opinião sólida formada sobre um ou outro, mas parece-me no mínimo estranho que, num país em que não se fala noutra coisa que não seja apertar o cinto, em que os impostos acabam de ser mais uma vez aumentados, e em que nada se decide e se fazem e eternizam estudos sobre tudo e mais alguma coisa, uma decisão com implicações de tal forma onerosas seja tomada desta forma.
O mínimo que temos de exigir, e o estado nos deve como cidadãos, é a transparência na forma e nos critérios segundo os quais o nosso dinheiro é gerido e gasto. E a forma como este processo tem sido conduzida é tudo menos transparente. Por um lado, é dado a entender que as decisões ainda se encontram a ser estudadas e, por outro, vem o ministro da economia afirmar que o seu avanço em si já está decidido. Nós temos direito a conhecer os estudos que estão por base destas decisões, se eles de facto existem e, no caso de existirem, se as confirmam e corroboram.
Quando se percebe que a opção de avançar, num e noutro caso, tem muito pouco de evidente e é contestada por muitos dos mais incontestados actores da sociedade e do meio económico, dá para começar a estranhar e desconfiar. Algumas suspeitas já começam a surgir. Podem não passar disso, mas temos o direito de as ver esclarecidas.
quinta-feira, julho 28, 2005
Mudança de Visual
E alguns links acrescentados. Por lapso, o contador foi "à vida" e volta agora a zero.
quinta-feira, julho 21, 2005
Impostos
Segundo Freitas do Amaral: "Os impostos aumentam-se sempre que o Estado carece de mais meios financeiros para prosseguir as finalidades que os cidadãos esperam do Estado, e descem quando, para prosseguir essas finalidades, é conveniente diminuir a carga fiscal. À volta dos impostos não devia haver mitos, nem promessas, nem contra-promessas, nem hipocrisias".
Não posso concordar com esta ideia. O nível das taxas de imposto é definido não apenas pela eficiência da máquina fiscal e de como o dinheiro é gasto, mas também, e essencialmente, pelo papel que queremos atribuir ao estado na nossa vida e qual a intervenção que este deve ter na regulação da economia e intervenção social. Logo, e embora seja óbvio que existem ciclos económicos e situações conjunturais que podem forçar a aumentos conjunturais dos imposto, é óbvio que os impostos são um tema claramente politico e a ser debatido.
Não posso concordar com esta ideia. O nível das taxas de imposto é definido não apenas pela eficiência da máquina fiscal e de como o dinheiro é gasto, mas também, e essencialmente, pelo papel que queremos atribuir ao estado na nossa vida e qual a intervenção que este deve ter na regulação da economia e intervenção social. Logo, e embora seja óbvio que existem ciclos económicos e situações conjunturais que podem forçar a aumentos conjunturais dos imposto, é óbvio que os impostos são um tema claramente politico e a ser debatido.
segunda-feira, julho 18, 2005
Fouquet
é o nome do antigo ministro das finanças de "Luís XIV", que está a ser relembrado e desvendado o seu papel na história fancesa. Para a sua época era um visionário, um mecena e um brilhante homem de negócios, isto para quem o admira. Para quem se interessa por História e intrigas politicas a vida deste homem é fascinante e o final que o "Rei Sol" lhe reservou também!
Actualmente, a Companhia de Teatro de Almada representa a peça "O poder" que ilustra este periodo de história francês. Aviso já, que é preciso ser um apreciador convicto de duas coisas teatro e história, porque a peça tem uma duração de 2h30 e é cheia de subtilezas, risos, intrigas e muito mais!
sexta-feira, julho 08, 2005
Feudos
Acho bem a medida de acabar com certos privilégios de algumas categorias profissionais que não passam de “feudos”. Temos exemplo disso, todas as forças militares e certos cargos de funcionários públicos. Estes profissionais têm que se metalizar que numa Sociedade Moderna o que conta é o MÉRITO, da pessoa e do seu trabalho! Muitas vezes verifica-se que esses funcionários depois de terem o lugar garantido, descansam o dia interior no seus empregos à acharem que têm todos os privilégios, só porque trabalham para o Estado. E eles o que é que contribuem para a produtividade e avanço do pais? Temos vários protótipos de funcionários como os militares que para além de trabalharem para o emagrecimento do país, não se vê obra feita. Exemplo, a aeronáutica, força área portuguesa, o exército que podia ajudar mais na luta contra os incêndios florestais, e muito mais haveria para dizer! Este post vem do meu desacordo da manifestação, ontem na Assembleia da República, destas categorias profissionais que não passam de “Velhos do Restelo”, ou pior ainda acham que estamos na "Idade Média" e recebem só o fruto do seu estatuto profissional sem contribuírem de forma valiosa para o país.
quarta-feira, julho 06, 2005
Austeridades
Que era preciso tomar medidas de austeridade, e fazê-lo de forma "palpável", só alguns keynesianos mais líricos podem não conseguir ver. Como é óbvio isso, por si só, não retira o mérito das medidas que este governo tem vindo a tomar. Mas ainda assim, acho que estão a ser tomadas no sentido errado, porque hoje em dia fala-se muito em austeridade, mas a austeridade por si só não chega.
Nós precisamos de uma política de austeridade que vise a redução do papel do estado, e não uma que tem como grande objectivo a maior angariação de fundos para sustentar o estado que temos. Há uma diferença substancial entre as duas abordagens, e este governo, como em parte também o anterior, está a seguir a segunda.
Nós precisamos de uma política de austeridade que vise a redução do papel do estado, e não uma que tem como grande objectivo a maior angariação de fundos para sustentar o estado que temos. Há uma diferença substancial entre as duas abordagens, e este governo, como em parte também o anterior, está a seguir a segunda.
Demonstração significativa
Ontem, o debate com o Primeiro Ministro na SIC teve importância do ponto de vista simbólico. Ele veio dar a cara e confirmar a sua "plena consciência" das medidas que tomou. É importante demonstrar aos portugueses que quem governa vem dar contas nem que seja a jornalistas, do que anda a fazer pelo país.
Agora, quanto à forma de defender as medidas tomadas, isso já é outra questão.
quarta-feira, junho 29, 2005
Preocupante
Mais do que critica ou preocupação por alguma manifestação que se tenha seguido, o que importa realmente é o acontecimento em si. O "arrastão" foi um fenómeno inédito em Portugal, e não deve nem pode ser menosprezado. Não acho que a Maria o tenha feito, mas o facto é que os exemplos dados para comparar são de uma dimensão (não falo de gravidade em si) completamente diferente de 100, 200, 300 (ou mais) individuos se juntarem e organizarem para fazer uma espécie de assalto geral a uma praia, em plena zona de Lisboa. Que ao acontecimento as pessoas reajam com medos e receios, com os seus instintos mais básicos, é perfeitamente natural que aconteça. Se não nos podemos sentir seguros de uma situação destas numa praia em Carcavelos, cheia de gente, então onde nos vamos poder sentir?
É bom que haja uma reflexão sobre o que aconteceu, e parece-me que, antes de mais, a policia e os serviços deviam questionar-se a si próprios e aos seus métodos.
É bom que haja uma reflexão sobre o que aconteceu, e parece-me que, antes de mais, a policia e os serviços deviam questionar-se a si próprios e aos seus métodos.
Imperdível
O arrufo de ontem entre a Manuela Moura Guedes e o Miguel Sousa Tavares, a propósito das nomeações que se dão a cada mudança de governo. MMG, incapaz de reprimir os comentários constantes, representa o que de pior pode haver no "Zé Povinho". Ignorância, demagogia, egoismo, mesquinhez... uma tristeza.
sexta-feira, junho 17, 2005
Manifestação abusiva
Amanhã vai decorrer uma manifestação da Frente Nacional (pouco original é a copia do nome do partido Front National francês e das suas ideologias racistas), que está aproveita os acontecimentos do arrastão para divulgarem a sua propaganda perigosa. Ela é perigosa, porque no momento de fragilidade da população portuguesa devido ao desemprego e à pouca confiança na Europa, os mais carenciados podem ser facilmente manipulados. É muito fácil arranjar um bode expiatório para esconder os seus próprios fracassos. Não me venham cá dizer que é por causa dos imigrantes que os portugueses estão no desemprego! Isso é tretas! (desculpem-me a expressão). Se não fosse a mão-de-obra imigrante quem é que tinha construído a Expo 98, a Ponte Vasco da Gama, quem é que faria a limpeza das casas de banho dos centros comerciais, dos aeroportos e muito mais, são os pais desses jovens africanos que imigraram à 10 ou 15 anos para Portugal. Em Portugal, os portugueses preferem ir para a Suiça ou Reino Unido fazer trabalhos que os africanos e ucranianos se sujeitam, cá em Portugal.
Aqui, o que está em causa é a politica de integração da segunda e da terceira geração de filhos de imigrantes que já nasceram, em Portugal. Ninguém olha para eles como cidadãos que podem contribuir para um Portugal melhor! No resto da Europa situações bem mais graves acontecem só que não dão o alarido que fazem por cá. Nunca ouviram falar “des tournantes” em França, garanto que é muito mais assustador que são certa 10 a 15 miúdos entre os 12 e 20 anos que violam mulheres colectivamente, sejam do bairro ou do exterior! Essa é uma insegurança e um medo que paira muito mais sobre todos as mulheres e que causam danos muito mais irreparáveis que um roubo de praia.
Quero, no entanto, dizer que condeno e que considero que medidas têm que ser tomadas urgentemente. É necessário apoiar esses jovens mas também responsabilizá-los pelos seus actos. É necessário responsabilizar os pais pelos os miúdos que estão numa situação de inimputáveis. Os pais por trabalharem demasiado e muitas vezes demitindo-se das suas funções educativas por estas estarem fora do seu controle. É necessário que vários técnicos competentes ajudem os pais e os jovens na reeducação e ajustamentos dos comportamentos anti-sociais.
Aqui, o que está em causa é a politica de integração da segunda e da terceira geração de filhos de imigrantes que já nasceram, em Portugal. Ninguém olha para eles como cidadãos que podem contribuir para um Portugal melhor! No resto da Europa situações bem mais graves acontecem só que não dão o alarido que fazem por cá. Nunca ouviram falar “des tournantes” em França, garanto que é muito mais assustador que são certa 10 a 15 miúdos entre os 12 e 20 anos que violam mulheres colectivamente, sejam do bairro ou do exterior! Essa é uma insegurança e um medo que paira muito mais sobre todos as mulheres e que causam danos muito mais irreparáveis que um roubo de praia.
Quero, no entanto, dizer que condeno e que considero que medidas têm que ser tomadas urgentemente. É necessário apoiar esses jovens mas também responsabilizá-los pelos seus actos. É necessário responsabilizar os pais pelos os miúdos que estão numa situação de inimputáveis. Os pais por trabalharem demasiado e muitas vezes demitindo-se das suas funções educativas por estas estarem fora do seu controle. É necessário que vários técnicos competentes ajudem os pais e os jovens na reeducação e ajustamentos dos comportamentos anti-sociais.
terça-feira, junho 07, 2005
Individualismo é uma forma de humanismo
Numa sociedade individualista pura, o indivíduo é apreciado por aquilo que é, pela sua unicidade. Aliás, ele é encorajado a revelar as suas qualidades mais genuínas e a sua diferença. Ele é apoiado a definir-se como ser especial, para que possa sentir-se único. Só que esta definição é apenas em função das suas qualidades pessoais.
Numa sociedade “semi-individualista” o indivíduo, ainda é muito estimado pela sua dimensão social (estatuto), pelos diplomas que tem, o carro que tem, as roupas que veste…Esta visão da sociedade transpõe-se para as relações humanas quotidianas, amizades, relações profissionais e amorosas. As relações são imbuídas de preconceitos, quer com o complexo de superioridade, quando não se é amigo daquele porque se veste de tal maneira, quer com de inferioridade, quando se tem medo de falar de forma natural com indivíduo depois de saber que ele tem 30 anos e é alto diplomata da ONU. Muitas vezes esquecemo-nos que por detrás dessas etiquetas sociais estão pessoas, no sentido lado da palavra. Pessoas, essas, que para além de fazerem coisas na vida, sentem, sofrem, amam e sonham como nós, independentemente do dinheiro que têm, do nível académico ou da maneira de vestir, andar, falar.
Nesta sociedade “semi-individualista” o indivíduo tem medo de se afirmar pelo que é. Então, arranja um (a)namorado(a), de acordo com os critérios e padrões que os amigos e família exigem, do que pelos seus. Ele tem um emprego e um carro conforme ao que permite o seu estatuto profissional e não em menor escala, senão o que vão dizer os outros. A questão está na defesa do seu ser pessoal pelas qualidades externas, portanto, sociais e não pessoais.
Na sociedade individualista o sujeito tenta ao máximo ser ele mesmo e tem para isso a ajuda das pessoas próximas dele. O individualismo é humanista porque defende à individualidade de cada um, e sobretudo o direito a essa individualidade independentemente dos padrões exigidos. O humanismo está em aceitar o outro pela sua dimensão pessoal, para além da dimensão social.
Em termos pessoais que me interessa numa relação de amizade que a pessoa seja empregada de limpeza ou tenha um “DR” o que me importa é que ela me aceita tal qual como eu sou, e mais ache interessante à minha personalidade. E sobretudo, quando eu preciso dela, ela se disponibilize para me ouvir, aconselhar e estar lá como amiga.
Nos momentos difíceis ou de grande alegria, não são os galões que aparecem, mas as qualidades humanas. Que me importa, que a pessoa seja um brilhante funcionário, se só se lembra que existo quando os amigos dos galões já não estão lá, para compreender o que de mais profundo existe em ti. O mais incrível é que nós temos a noção de quais são os amigos das aparências, só que não conseguimos dispensá-los porque vivemos num mundo do ter em vez de ser. Só o individualismo exige essa transição do ter para o ser num mundo de globalização em que as relações familiares e sociais se desmoronam facilmente, o emprego já não é para toda a vida e o diploma já não garante sucesso. O que resta é a criação de laços genuínos com pessoas que nos reconhecem pelo que somos e não o que temos.
Numa sociedade “semi-individualista” o indivíduo, ainda é muito estimado pela sua dimensão social (estatuto), pelos diplomas que tem, o carro que tem, as roupas que veste…Esta visão da sociedade transpõe-se para as relações humanas quotidianas, amizades, relações profissionais e amorosas. As relações são imbuídas de preconceitos, quer com o complexo de superioridade, quando não se é amigo daquele porque se veste de tal maneira, quer com de inferioridade, quando se tem medo de falar de forma natural com indivíduo depois de saber que ele tem 30 anos e é alto diplomata da ONU. Muitas vezes esquecemo-nos que por detrás dessas etiquetas sociais estão pessoas, no sentido lado da palavra. Pessoas, essas, que para além de fazerem coisas na vida, sentem, sofrem, amam e sonham como nós, independentemente do dinheiro que têm, do nível académico ou da maneira de vestir, andar, falar.
Nesta sociedade “semi-individualista” o indivíduo tem medo de se afirmar pelo que é. Então, arranja um (a)namorado(a), de acordo com os critérios e padrões que os amigos e família exigem, do que pelos seus. Ele tem um emprego e um carro conforme ao que permite o seu estatuto profissional e não em menor escala, senão o que vão dizer os outros. A questão está na defesa do seu ser pessoal pelas qualidades externas, portanto, sociais e não pessoais.
Na sociedade individualista o sujeito tenta ao máximo ser ele mesmo e tem para isso a ajuda das pessoas próximas dele. O individualismo é humanista porque defende à individualidade de cada um, e sobretudo o direito a essa individualidade independentemente dos padrões exigidos. O humanismo está em aceitar o outro pela sua dimensão pessoal, para além da dimensão social.
Em termos pessoais que me interessa numa relação de amizade que a pessoa seja empregada de limpeza ou tenha um “DR” o que me importa é que ela me aceita tal qual como eu sou, e mais ache interessante à minha personalidade. E sobretudo, quando eu preciso dela, ela se disponibilize para me ouvir, aconselhar e estar lá como amiga.
Nos momentos difíceis ou de grande alegria, não são os galões que aparecem, mas as qualidades humanas. Que me importa, que a pessoa seja um brilhante funcionário, se só se lembra que existo quando os amigos dos galões já não estão lá, para compreender o que de mais profundo existe em ti. O mais incrível é que nós temos a noção de quais são os amigos das aparências, só que não conseguimos dispensá-los porque vivemos num mundo do ter em vez de ser. Só o individualismo exige essa transição do ter para o ser num mundo de globalização em que as relações familiares e sociais se desmoronam facilmente, o emprego já não é para toda a vida e o diploma já não garante sucesso. O que resta é a criação de laços genuínos com pessoas que nos reconhecem pelo que somos e não o que temos.
segunda-feira, maio 30, 2005
O tempo para pensar
O não francês é antes de mais um alerta da distância entre o sentimento do cidadão comum e o das elites politicas e intelectuais. Essa distância, no que toca à europa, não acontece apenas na França, mas se até(!) na França, um dos ou o país berço desta constituição, como se pode pensar que este projecto seja realmente sentido e assumido pelo europeu comum? Que a reacção dos vários dirigentes europeus ao resultado esteja a ser a de baixar a cabeça e continuar a insistir, como se nada tivesse acontecido e esta constituição, só mostra cegueira que não pode durar muito com o suceder dos novos "não" que se adivinham.
Por outro lado, é um sinal de vida da democracia quando as pessoas, por bons e maus motivos, mostram que sabem pensar por si, e não cedem às chantagens e ameaças catastrofistas que acompanham sem excepção tudo quanto é o tomar de decisão em temas europeus.
Por outro lado, é um sinal de vida da democracia quando as pessoas, por bons e maus motivos, mostram que sabem pensar por si, e não cedem às chantagens e ameaças catastrofistas que acompanham sem excepção tudo quanto é o tomar de decisão em temas europeus.
sábado, maio 28, 2005
Constituição Europeia
Esperemos que o resultado do referendo de amanhã à Constituição Europeia, em França, movimente de forma activa e com criticas construtivas os blogs portugueses e toda a sociedade civil. É desejável que haja uma maior mobilização da sociedade civil para esta questão.
Voluntariado
Um dia senti-me só e pensei para mim mesma, “em vez de olhares para o teu umbigo que tal dar um pouco de ti aos outros”. Hoje, são as pessoas que eu pensava poder ajudar com a minha presença que contribuem para a minha felicidade. São elas que dão partes delas ao terem um gesto de gratidão pelo pouco que eu faço por elas.
O gesto humanitário cria laços fortes como as relações de amizade, só que nestas esperamos reciprocidade, enquanto que no voluntariado vamos para nos entregar totalmente sem esperar nada em troca. É aí que o voluntário sente que recebe tanto sem estar à espera, e observa como recebe tanto de pessoas que ele pensava ser ele a poder ajudar.
Quando uma das pessoas a quem demos de forma voluntária um pouco de felicidade parte, sentimos que aquela pessoa leva mais do que uma simples ajuda. Ela transforma-se numa das nossas razões de achar que a vida vale a pena, e deixa um vazio a ser preenchido por uma nova pessoa a quem podemos ser útil, sem pedir nada em troca. O voluntariado engrandece a alma de quem o faz e ensina-nos a ser corajosos perante as fragilidades da vida.
O gesto humanitário cria laços fortes como as relações de amizade, só que nestas esperamos reciprocidade, enquanto que no voluntariado vamos para nos entregar totalmente sem esperar nada em troca. É aí que o voluntário sente que recebe tanto sem estar à espera, e observa como recebe tanto de pessoas que ele pensava ser ele a poder ajudar.
Quando uma das pessoas a quem demos de forma voluntária um pouco de felicidade parte, sentimos que aquela pessoa leva mais do que uma simples ajuda. Ela transforma-se numa das nossas razões de achar que a vida vale a pena, e deixa um vazio a ser preenchido por uma nova pessoa a quem podemos ser útil, sem pedir nada em troca. O voluntariado engrandece a alma de quem o faz e ensina-nos a ser corajosos perante as fragilidades da vida.
O voluntariado não é uma questão de tempo é só uma questão de SABER DAR E RECEBER SEM NADA ESPERAR!
quarta-feira, maio 25, 2005
Mais um português
António Guterres novo alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, é prestigiante para o país. A notoriedade e a criação de uma nova visão de um Portugal moderno passa pela ocupação de cargos de renome international. Congratulo-me com a presença de mais um português num cargo de chefia internacional.
terça-feira, maio 17, 2005
Eurovisão
Eurovisão
serve para divulgar a música portuguesa e a "portugalidade", não é! Então porque motivo os nossos representantes cantam uma música mista! O início é em português e o refrão em inglês. Expliquem-me se para se ser bom artista musical em Portugal é necessário cantar em inglês. Sinceramente, acho de muito mau gosto a opção da língua escolhida para representar a nossa nação num festival internacional, o inglês.
Os Madredeus, a Mariza, a Mísia e tantos outros fazem sucesso no estrangeiro e fazem uma excelente divulgação da música portuguesa, cantando em português e não em inglês. A Amália era a nossa embaixadora musical e cantava o que de mais genuíno representa a “portugalidade”, o fado. E agora, vêm estes cantores à “pressão” representar Portugal, cantar em inglês.
Se nos países mais longínquos já acham que nós somos uma província de Espanha. Talvez depois da Eurovisão passem a achar que somos uma colónia inglesa ou americana! Parece-me que os únicos que têm orgulho da língua portuguesa são os brasileiros, pois cantam em português e com orgulho dentro e fora do Brasil.
serve para divulgar a música portuguesa e a "portugalidade", não é! Então porque motivo os nossos representantes cantam uma música mista! O início é em português e o refrão em inglês. Expliquem-me se para se ser bom artista musical em Portugal é necessário cantar em inglês. Sinceramente, acho de muito mau gosto a opção da língua escolhida para representar a nossa nação num festival internacional, o inglês.
Os Madredeus, a Mariza, a Mísia e tantos outros fazem sucesso no estrangeiro e fazem uma excelente divulgação da música portuguesa, cantando em português e não em inglês. A Amália era a nossa embaixadora musical e cantava o que de mais genuíno representa a “portugalidade”, o fado. E agora, vêm estes cantores à “pressão” representar Portugal, cantar em inglês.
Se nos países mais longínquos já acham que nós somos uma província de Espanha. Talvez depois da Eurovisão passem a achar que somos uma colónia inglesa ou americana! Parece-me que os únicos que têm orgulho da língua portuguesa são os brasileiros, pois cantam em português e com orgulho dentro e fora do Brasil.
segunda-feira, maio 09, 2005
Caciques
A "luta" que Marques Mendes está a travar com alguns dos caciques do PSD no poder local tem os seus custos, mas é sem dúvida um bom sinal para o ínicio da sua liderança e da mudança de imagem do PSD. Há temas sobre os quais vale a pena perder apoios e arriscar perder votos, até porque a complacência com alguns que garantem votos no seu "feudo" implica perdas de credibilidade que acabam por custar ainda mais votos ao partido como um todo.
O que ainda está para vir é um líder do PSD (e primeiro-ministo do PS!) que tenha a coragem de não andar a fazer vénias a tudo o que são disparates, exigências e prepotências vindas do Alberto João Jardim.
O que ainda está para vir é um líder do PSD (e primeiro-ministo do PS!) que tenha a coragem de não andar a fazer vénias a tudo o que são disparates, exigências e prepotências vindas do Alberto João Jardim.
domingo, maio 01, 2005
Cinema Europeu
Hoje deliciei-me a ver um filme francês “As bordadeiras” de Eleonor Faucher, “absolument magnifique”. O cinema de autor enche-me completamente as medidas. A qualidade é absolutamente incomparável aos filmes americanos. Neste filme a abordagem da maternidade precoce é trabalhada de forma realista sem ser sensacionalista. Para além disso, a qualidade da fotografia é fantastica! É ter a sensação que não é mais um filme qualquer a juntar a tantos outros, é a criatividade a mexer com cada espectador. Até a música dos “Louise Attaque” estava perfeita! Espero que o meu entusiasmo chegue até vós, está no Nimas.
sexta-feira, abril 29, 2005
Um ano e um dia,
Este é o tempo que eu naufraguei e recolhi-me no Ilha Perdida. Nele aprendi a expor-me, revelar-me, desabafar e a gostar.
O Ilha Perdida representa hoje um pouco de mim, um pedaço daquilo que compõe a minha pessoa, que preenche os meus tempos livres, ao qual eu dedico um pouco de mim.
Uma pequena nota de mérito vai para o meu companheiro no Ilha Perdida, o Pedro. Hoje, tenho eu lhe agradecer pelo convite feito há um ano e um dia atrás.
O Ilha Perdida representa hoje um pouco de mim, um pedaço daquilo que compõe a minha pessoa, que preenche os meus tempos livres, ao qual eu dedico um pouco de mim.
Uma pequena nota de mérito vai para o meu companheiro no Ilha Perdida, o Pedro. Hoje, tenho eu lhe agradecer pelo convite feito há um ano e um dia atrás.
sexta-feira, abril 22, 2005
Camara de Lisboa
Marques Mendes foi eleito em congresso por uma margem surpreendentemente pequena. Terá agora oportunidade de se tentar afirmar de facto, e é uma pessoa com qualidades, sem comparação com o adversário que tinha. A simples hipótese de Menezes poder ter chegado a líder faz-me confusão, tal o aparelhismo, ruido e vazio que a sua personagem representa. Um mau sintoma para o PSD.
Contudo, no caso da câmara de lisboa, parece-me que Marques Mendes começa com um erro. Em primeiro lugar, Santana Lopes foi o protagonista da vitória em Lisboa e da obra que foi feita. Logo, é ele o candidato natural para defender o que se fez e, não sendo ele, considerando-se que a obra foi má, deveria então ser escolhido alguém sem qualquer compromisso com este mandato. Em segundo lugar, tanto Santana Lopes como Carmona Rodrigues têm mais hipóteses de perder as eleições do que de as ganhar. Na minha opinião, apesar de tudo, com Santana Lopes seria mais fácil uma eventual reviravolta. Mas, se é para perder, não seria mais inteligente deixar Santana Lopes avançar do que deixa-lo na situação de poder colocar a responsabilidade da derrota na escolha de Marques Mendes?
Contudo, no caso da câmara de lisboa, parece-me que Marques Mendes começa com um erro. Em primeiro lugar, Santana Lopes foi o protagonista da vitória em Lisboa e da obra que foi feita. Logo, é ele o candidato natural para defender o que se fez e, não sendo ele, considerando-se que a obra foi má, deveria então ser escolhido alguém sem qualquer compromisso com este mandato. Em segundo lugar, tanto Santana Lopes como Carmona Rodrigues têm mais hipóteses de perder as eleições do que de as ganhar. Na minha opinião, apesar de tudo, com Santana Lopes seria mais fácil uma eventual reviravolta. Mas, se é para perder, não seria mais inteligente deixar Santana Lopes avançar do que deixa-lo na situação de poder colocar a responsabilidade da derrota na escolha de Marques Mendes?
Bento XVI
A ler, sobre a eleição do novo Papa, no Acidental.
A Igreja é uma instituição naturalmente conservadora, e não poderia ser de outra forma. A Igreja não está nem tem de estar necessariamente integrada nos tempos que correm. E, acima de tudo, a Igreja não está nem tem de estar necessariamente moldada ao gosto de quem não acredita na Igreja ou sequer em Deus.
PS: Digo isto com o à vontade de quem não é católico.
A Igreja é uma instituição naturalmente conservadora, e não poderia ser de outra forma. A Igreja não está nem tem de estar necessariamente integrada nos tempos que correm. E, acima de tudo, a Igreja não está nem tem de estar necessariamente moldada ao gosto de quem não acredita na Igreja ou sequer em Deus.
PS: Digo isto com o à vontade de quem não é católico.
quinta-feira, abril 21, 2005
Negociação através da discussão
É no meu entender chegar a um acordo, uma harmonia e um equilíbrio, entre diferentes posições e perspectivas, de duas ou mais pessoas. Em Sociologia da vida privada, “a negociação” é um conceito muito utilizado. A negociação, que surge muitas vezes de uma discussão, virulenta ou não, entre duas pessoas, ajuda na exposição de ideias. A discussão é uma forma de negociação, porque estabelece parâmetros de respeito e limites que o outro tem que respeitar e aceitar. A discussão delimita o espaço de cada um e aumenta o espaço individual da pessoa dentro da relação entre as pessoas em questão.
Por mais difícil, dolorosa e desgastante que seja uma discussão, esta é o contributo essencial para a negociação. Quantos de nós não discutiram com os irmãos por causa da utilização indevida de objectos que não lhes pertenciam. Quantos de nós não negociaram, através de discussões acesas, as saídas à noite com os pais, enquanto adolescentes. E quantos de nós não discutiram com um amigo(a) querido (a) com o qual se aborreceram. A discussão só surge porque não queremos perder a amizade ou achamos que ela vale a pena. Senão não nos dávamos ao trabalho de nos desgastarmos em expor as nossas opiniões, e deixaríamos de conviver com essa pessoa e assim ficava o assunto resolvido.
Quero alertar que estas discussões têm regras e limites na forma de expor as suas opiniões. Esses regras possibilitam uma boa negociação, no sentido em que não existam faltas de respeito ou ofensas que destruam a negociação. Caso estas regras sejam quebradas a negociação é impossibilitada e não existe evolução na relação em questão, que fica em perigo de ruptura.
As discussões contribuem para a negociação no sentido em que ao expormos as nossas ideias estamo-nos a expor, e é uma forma de nos conhecermos e de respeitarmo-nos a nos próprios e fazer com que o outro nos conheça, e nos respeitemos mutuamente.
Por mais difícil, dolorosa e desgastante que seja uma discussão, esta é o contributo essencial para a negociação. Quantos de nós não discutiram com os irmãos por causa da utilização indevida de objectos que não lhes pertenciam. Quantos de nós não negociaram, através de discussões acesas, as saídas à noite com os pais, enquanto adolescentes. E quantos de nós não discutiram com um amigo(a) querido (a) com o qual se aborreceram. A discussão só surge porque não queremos perder a amizade ou achamos que ela vale a pena. Senão não nos dávamos ao trabalho de nos desgastarmos em expor as nossas opiniões, e deixaríamos de conviver com essa pessoa e assim ficava o assunto resolvido.
Quero alertar que estas discussões têm regras e limites na forma de expor as suas opiniões. Esses regras possibilitam uma boa negociação, no sentido em que não existam faltas de respeito ou ofensas que destruam a negociação. Caso estas regras sejam quebradas a negociação é impossibilitada e não existe evolução na relação em questão, que fica em perigo de ruptura.
As discussões contribuem para a negociação no sentido em que ao expormos as nossas ideias estamo-nos a expor, e é uma forma de nos conhecermos e de respeitarmo-nos a nos próprios e fazer com que o outro nos conheça, e nos respeitemos mutuamente.
quinta-feira, abril 07, 2005
Valor do Nacionalismo
É importante termos orgulho nacional e não acharmos que perante as outras nações da Europa, tenhamos que deixar de parte o orgulho de ser português, só porque essas nações têm uma melhor posição económica e desenvolvimento. O melhor exemplo da não inclinação à visão de cidadãos menores da Europa, é atitude de José Mourinho. Podem-no chamar de altivo, arrogante, vaidoso…O importante é que ele é um excelente profissional e não tem que baixar a cabeça, só porque supostamente é português, segundo os europeus do norte uma nação menor. E deixar de ser quem é, para tentar agradar aos outros. É uma atitude muito digna de manter -se igual a ele próprio e de não deixar que lhe pisem “os calos”, ou que achem que lhe estão a fazer um favor pelo facto de o terem convidado para treinador do Chelsea.
Neste momento, deveríamos todos apoiar Mourinho, porque vemos bem que os treinadores de futebol estrangeiros que estão em Portugal estão longe de fazer um trabalhado tão bom quanto o de Mourinho. Marcelo Rebelo de Sousa apoia Mourinho e afirma que “todos os portugueses deveriam ser como ele e deveríamos deixar o nosso provincianismo de lado”. Pois, há muitas pessoas que têm vergonha de dizerem que são oriundos do interior beirão, alentejano, transmontanos…Não é porque temos origens humildes, que temos menos valor. Há valores como a honestidade, a simplicidade e a autenticidade que são valores fundamentais para o valor individual de cada um.
Como foi visível no jogo de ontem o trabalho de Mourinho permitiu mais uma vitória do Chelsea. Os nossos jornalistas nacionais é que deviam ter uma formação urgente, de aprendizagem da importância do valor nacional e deixar de valorizar o que é português quando os estrangeiros valorizam e de deitar à baixo quando os outros o fazem. Esta atitude de boicote nacional, de denegrir o que é nacional torna-se intolerável por parte da classe jornalística portuguesa. Já não se trata de ser realista e neutro na forma de informar, é um deitar à baixo e pessimismo nacional, aumentando o que está mal em Portugal.
quarta-feira, março 30, 2005
Importação de energia
É um facto que neste momento, devido à seca, há uma baixa da produção de electricidade fornecida pelas barragens hidroeléctricas. O que de algum modo é engraçado. Com tanto sol em Portugal ninguém ainda se lembrou de aproveita-lo de outra forma que exclusivamente em pacotes Turísticos. Com a quantidade de sol que temos, se colocassemos paneis solares por todo este país fora, é provável que diminuísse a importação de grande parte da nossa energia.
Realmente, ou faltam cabecinhas pensadoras neste país ou há falta de vontade política para desenvolver o país e poupar dinheiro. Que tenha conhecimento apenas uma única Câmara Municipal do país, Montalegre, exigiu à EDP que instalasse paneis solares na iluminação da cidade para fazer poupanças de energia. Este exemplo deveria ser seguido por todas as Câmaras Municipais para poupar na iluminação pública, mas também para aquecer casas, ministérios, escolas…
Já foquei este tema noutra ocasião mas a patetice de não utilizar os poucos recursos que temos põe-me fora de mim. É a mesma coisa que ver uma família pobre com poucos recursos e a esbanjá-los, enquanto a família rica sabe poupar e duplicar os seus recursos. Esta analogia também se pode adaptar às diferentes nações. Agora, com a ideia do “Choque Tecnológico” talvez tenham a brilhante ideia de por esta ideia em prática!
Realmente, ou faltam cabecinhas pensadoras neste país ou há falta de vontade política para desenvolver o país e poupar dinheiro. Que tenha conhecimento apenas uma única Câmara Municipal do país, Montalegre, exigiu à EDP que instalasse paneis solares na iluminação da cidade para fazer poupanças de energia. Este exemplo deveria ser seguido por todas as Câmaras Municipais para poupar na iluminação pública, mas também para aquecer casas, ministérios, escolas…
Já foquei este tema noutra ocasião mas a patetice de não utilizar os poucos recursos que temos põe-me fora de mim. É a mesma coisa que ver uma família pobre com poucos recursos e a esbanjá-los, enquanto a família rica sabe poupar e duplicar os seus recursos. Esta analogia também se pode adaptar às diferentes nações. Agora, com a ideia do “Choque Tecnológico” talvez tenham a brilhante ideia de por esta ideia em prática!
quarta-feira, março 23, 2005
Referendo ao Tratado Constitucional Europeu II
Ovidio, eu acho que a ideia do referendo ser realizado isoladamente não tem nada de absurdo, a menos que se considere que a importância do tema referendado não o justifica. Como (na minha opinião) não é esse o caso, o referendo sobre a Constituição Europeia deveria ser realizado isoladamente, como a melhor forma de suscitar um verdadeiro debate sobre a Europa.
Nas eleições autárquicas os presidentes de câmara vão responder perante os seus munícipes sobre o trabalho que realizaram, é disso que se trata. Se nem nas eleições para o parlamento europeu se consegue discutir a Europa, com que base se pode esperar que seja numas eleições locais que esse aguardado debate nacional vai surgir? Em que é que a avaliação do desempenho do mandato do presidente da câmara de Bragança se relaciona com o sim ou não à constituição europeia? Parece-me que as dúvidas são mais que justificadas. A haver junção com algum acto eleitoral, teriam de ser as presidenciais.
E, ainda quanto ao que foi defendido pela Maria, também não são as campanhas de propaganda, as linhas telefónicas grátis, ou outras variantes de "educação das massas" que criam o debate necessário. O maior entrave é exactamente o quase unanimismo partidário no apoio ao sim, que se criou com a mudança de posição do CDS/PP, e que acaba por castrar o essencial para qualquer debate - a existência de contraditório. Mais uma vez, o facto de o referendo ser realizado em simultâneo com as autárquicas só vai agravar este problema por dar um maior relevo ao papel dos partidos, mobilizados nas eleições locais, e reduzir o espaço para a intervenção de grupos de cidadãos com posições autónomas.
Nas eleições autárquicas os presidentes de câmara vão responder perante os seus munícipes sobre o trabalho que realizaram, é disso que se trata. Se nem nas eleições para o parlamento europeu se consegue discutir a Europa, com que base se pode esperar que seja numas eleições locais que esse aguardado debate nacional vai surgir? Em que é que a avaliação do desempenho do mandato do presidente da câmara de Bragança se relaciona com o sim ou não à constituição europeia? Parece-me que as dúvidas são mais que justificadas. A haver junção com algum acto eleitoral, teriam de ser as presidenciais.
E, ainda quanto ao que foi defendido pela Maria, também não são as campanhas de propaganda, as linhas telefónicas grátis, ou outras variantes de "educação das massas" que criam o debate necessário. O maior entrave é exactamente o quase unanimismo partidário no apoio ao sim, que se criou com a mudança de posição do CDS/PP, e que acaba por castrar o essencial para qualquer debate - a existência de contraditório. Mais uma vez, o facto de o referendo ser realizado em simultâneo com as autárquicas só vai agravar este problema por dar um maior relevo ao papel dos partidos, mobilizados nas eleições locais, e reduzir o espaço para a intervenção de grupos de cidadãos com posições autónomas.
terça-feira, março 22, 2005
Referendo ao Tratado Constitucional Europeu
Numa data ou outra, o mais importante é que o referendo se faça e não se ceda ao medo de consultar a vontade popular. Dito isto, é evidente que não faz muito sentido juntar este referendo a umas eleições que nada ou muito pouco têm em comum com o tema em causa. Nas eleições autarquicas vamos avaliar a forma como os autarcas nos governam, e vamos juntar a estas eleições um referendo sobre a constituição europeia? A ideia só pode ser evitar o debate.
O referendo deveria ser realizado isoladamente de outros actos eleitorais, para evitar confusões e ainda contribuir para gerar verdadeiro debate sobre um tema tão pouco conhecido e discutido pelos portugueses. E, a ser realizado juntamente a outro acto eleitoral, seria naturalmente com as presidenciais pois ai sim a europa é um tema que está e deve estar presente.
O referendo deveria ser realizado isoladamente de outros actos eleitorais, para evitar confusões e ainda contribuir para gerar verdadeiro debate sobre um tema tão pouco conhecido e discutido pelos portugueses. E, a ser realizado juntamente a outro acto eleitoral, seria naturalmente com as presidenciais pois ai sim a europa é um tema que está e deve estar presente.
domingo, março 20, 2005
Tratado sobre a Constituição Europeia
A Espanha já disse SIM! A França está a preparar o referendo para daqui a dois meses! Nós já decidimos que será na mesma data que as eleições autárquicas. Acho boa ideia! Há que fazer redução de gastos e evitar uma abstenção elevada ao referendo. Agora, resta os políticos portugueses formularem uma pergunta clara e informarem os portugueses, em que é que consiste esse tratado, e quais as consequências ou benefícios para Portugal.
A França arranjou como meio para informar a sua população uma linha telefónica gratuita, onde jovens preparados para o efeito, respondem a todas as questões dos cidadãos franceses e para além disso se for solicitado oferecem um resumo da constituição, se o desejarem. O governo português deveria começar a pensar numa estratégia para explicar e informar de forma simples e clara os portugueses. O que é isso do "Tratado da Constituição Europeia"? Até agora devem ser muito poucos os portugueses que têm conhecimento do tratado que é constituído por 448 artigos e quais as diferentes áreas que ele abrange.
Os futuros candidatos às autarquias poderiam preparar-se, tomando conhecimento do Tratado Europeu e explicar aos seus futuros eleitores os benefícios que querem fazer na sua região e também quais as vantagens ou desvantagens de dizer Sim ou Não à Constituição Europeia. Para além de contribuirem para uma melhor informação da população local com menos acesso à fontes de informação, também os candidatos a futuros dirigentes locais aprofundam conhecimentos sobre um tratado, que terá influência na sua forma de governação.
A França arranjou como meio para informar a sua população uma linha telefónica gratuita, onde jovens preparados para o efeito, respondem a todas as questões dos cidadãos franceses e para além disso se for solicitado oferecem um resumo da constituição, se o desejarem. O governo português deveria começar a pensar numa estratégia para explicar e informar de forma simples e clara os portugueses. O que é isso do "Tratado da Constituição Europeia"? Até agora devem ser muito poucos os portugueses que têm conhecimento do tratado que é constituído por 448 artigos e quais as diferentes áreas que ele abrange.
Os futuros candidatos às autarquias poderiam preparar-se, tomando conhecimento do Tratado Europeu e explicar aos seus futuros eleitores os benefícios que querem fazer na sua região e também quais as vantagens ou desvantagens de dizer Sim ou Não à Constituição Europeia. Para além de contribuirem para uma melhor informação da população local com menos acesso à fontes de informação, também os candidatos a futuros dirigentes locais aprofundam conhecimentos sobre um tratado, que terá influência na sua forma de governação.
segunda-feira, março 14, 2005
Negócios Estrangeiros
Se a nomeação de Freitas do Amaral pode parecer um bom sinal no sentido de a escolha dos nomes no governo não se ter limitado às fronteiras partidárias, a sua escolha para os negócios estrangeiros em particular é um erro grave. Freitas do Amaral tem sido um crítico dos EUA de tal forma radical que a sua nomeação põe claramente em causa aquela que tem sido a linha portuguesa de preservação dos laços transatlânticos, e põe assim em causa os interesses nacionais. Por outro lado, e no que toca à europa, as suas posições são de tal forma federalistas que também dificilmente podem ter a pretensão de representar o sentimento português.
sexta-feira, março 11, 2005
Um novo partido II
Em alternativa à criação de um novo partido, que seria a meu ver a solução ideal, quem poderia protagonizar este projecto é o Partido Popular. Não estou certo nem confiante de que o fará, mas penso que pelo menos tem condições para o fazer.
Falo com a liberdade de quem nestas eleições votou em branco, porque obviamente o Partido Popular de que falo não é o de Paulo Portas (ou o de Manuel Monteiro). O PP que temos conhecido nos últimos anos, com as diferentes faces que já assumiu, manteve sempre no discurso o direccionamento a nichos eleitorais, e um traço de proteccionismo. É verdade que foi uma surpresa positiva no governo, e teve alguns muito bons ministros. Mas, a ideia do papel do estado como defensor de alguns sectores económicos e grupos em particular, ou ir para debates com gráficos dos empregos que se salvaram nesta ou naquela empresa é simplesmente to miss the point.
O estado não deve ser "o" protagonista do desenvolvimento económico, mas sim reservar-se àquilo que são as suas funções, e essas sim deve fazer questão de as desempenhar de forma eficiente. Neste momento nem isso consegue fazer, mas ainda assim é chamado e intromete-se em tudo e mais alguma coisa. De cada vez que o faz, introduz distorção e ineficiência.
Espero com alguma curiosidade pela nova liderança, e que esta traga uma mudança ao discurso do partido, que este fale e apele finalmente àquela classe média que sente o vazio político existente. E sim, confesso que tenho alguma dose de wishfull thinking.
Falo com a liberdade de quem nestas eleições votou em branco, porque obviamente o Partido Popular de que falo não é o de Paulo Portas (ou o de Manuel Monteiro). O PP que temos conhecido nos últimos anos, com as diferentes faces que já assumiu, manteve sempre no discurso o direccionamento a nichos eleitorais, e um traço de proteccionismo. É verdade que foi uma surpresa positiva no governo, e teve alguns muito bons ministros. Mas, a ideia do papel do estado como defensor de alguns sectores económicos e grupos em particular, ou ir para debates com gráficos dos empregos que se salvaram nesta ou naquela empresa é simplesmente to miss the point.
O estado não deve ser "o" protagonista do desenvolvimento económico, mas sim reservar-se àquilo que são as suas funções, e essas sim deve fazer questão de as desempenhar de forma eficiente. Neste momento nem isso consegue fazer, mas ainda assim é chamado e intromete-se em tudo e mais alguma coisa. De cada vez que o faz, introduz distorção e ineficiência.
Espero com alguma curiosidade pela nova liderança, e que esta traga uma mudança ao discurso do partido, que este fale e apele finalmente àquela classe média que sente o vazio político existente. E sim, confesso que tenho alguma dose de wishfull thinking.
quinta-feira, março 10, 2005
Um novo partido I
Há muito tempo que se sente a falta de um novo partido em Portugal, e se houve eleições em que tal foi notório foram as que se acabaram de realizar. Falta um verdadeiro partido liberal ou conservador, como se queira, porque não são conceitos necessariamente contraditórios. Com algum conservadorismo social, mas acima de tudo uma cultura de liberalismo na economia, e de reformismo no papel do estado e do mercado na vida do país.
Os potenciais actores para esse projecto existem. Uns no PSD, outros no PP, outros até no PS, e ainda muitos sem motivação de momento para participar na vida política. E o espaço para esse partido existe. É o ambiente político que torna díficil o aparecimento e sucesso de novos partidos fora dos já "estabelecidos". Sim, o BE é um caso de sucesso, no outro espectro político, mas nasceu e tem crescido num ambiente de benevolência e apoio dos media que duvido que se possa repetir em relação a outro partido, ainda mais de direita.
Os potenciais actores para esse projecto existem. Uns no PSD, outros no PP, outros até no PS, e ainda muitos sem motivação de momento para participar na vida política. E o espaço para esse partido existe. É o ambiente político que torna díficil o aparecimento e sucesso de novos partidos fora dos já "estabelecidos". Sim, o BE é um caso de sucesso, no outro espectro político, mas nasceu e tem crescido num ambiente de benevolência e apoio dos media que duvido que se possa repetir em relação a outro partido, ainda mais de direita.
Crispação
A nova tentativa do PP de reescrever a sua história, ao enviar a foto de um seu antigo presidente para a sede do PS, é um sinal de pequenez e mesquinhice. Mostra o lado intolerante e crispado, que por vezes lhe vem ao de cima, mas deveria ser controlado e não instigado, pelo menos pela direcção. Esta atitude é uma pena e é lamentável.
terça-feira, março 08, 2005
Dia da mulher,
É de assinalar este dia e fazer uma avaliação sobre a condição feminina em Portugal. Um artigo de Maria Filomena Mónica no jornal ao Público dava conta de uma realidade que não me surpreendeu, mas que me entristeceu, enquanto mulher. Em relação às nossas mães que fizeram o Maio de 68 e depois viveram o 25 de Abril, nós não evoluímos muito mais em relação a elas.
É que do ponto de vista laboral as mulheres conseguem aceder em maior número ao ensino superior e depois eventualmente ter uma carreira brilhante, mesmo que seja mais sofrida do que a dos homens. No entanto, ainda falta fazer muita coisa em relação, a igualdade, ou mais simplesmente a divisão e partilha das tarefas domésticas, no seio do casal.
A sociedade, hoje, exige que a mulher seja inteligente, boa conversadora, boa profissional, cuide da sua aparência, seja uma boa amante, esposa e mãe. Ao longo destes anos a mulher vê-se obrigada a cumprir com as novas exigências que a sociedade lhe impõe, mas ela não soube fazer as suas exigências, em contrapartida ao que lhe foi pedido.
A mulher continua a fazer mais tarefas domésticas e a ocupar-se mais dos filhos, porque não soube-se impor e negociar o seu novo papel e lugar no seio familiar. Aqui, condeno sobretudo as mães que não preparam os filhos para as tarefas domésticas e depois as esposas que se resignam ao facto de eles não as apoiarem no quotidiano doméstico e familiar.
Se não for a mulher a lutar individualmente, no seu lar e depois unindo-se às outras para conseguir mais igualdade, os homens continuam a achar que nós até estamos satisfeitas com a situação. O que sinceramente duvido! A questão é que algumas culpabilizam-se e são condenadas pelo exterior pelo facto de querem mudar a situação. Só que as coisas têm que mudar cabe a cada mulher contribuir para essa mudança!
É que do ponto de vista laboral as mulheres conseguem aceder em maior número ao ensino superior e depois eventualmente ter uma carreira brilhante, mesmo que seja mais sofrida do que a dos homens. No entanto, ainda falta fazer muita coisa em relação, a igualdade, ou mais simplesmente a divisão e partilha das tarefas domésticas, no seio do casal.
A sociedade, hoje, exige que a mulher seja inteligente, boa conversadora, boa profissional, cuide da sua aparência, seja uma boa amante, esposa e mãe. Ao longo destes anos a mulher vê-se obrigada a cumprir com as novas exigências que a sociedade lhe impõe, mas ela não soube fazer as suas exigências, em contrapartida ao que lhe foi pedido.
A mulher continua a fazer mais tarefas domésticas e a ocupar-se mais dos filhos, porque não soube-se impor e negociar o seu novo papel e lugar no seio familiar. Aqui, condeno sobretudo as mães que não preparam os filhos para as tarefas domésticas e depois as esposas que se resignam ao facto de eles não as apoiarem no quotidiano doméstico e familiar.
Se não for a mulher a lutar individualmente, no seu lar e depois unindo-se às outras para conseguir mais igualdade, os homens continuam a achar que nós até estamos satisfeitas com a situação. O que sinceramente duvido! A questão é que algumas culpabilizam-se e são condenadas pelo exterior pelo facto de querem mudar a situação. Só que as coisas têm que mudar cabe a cada mulher contribuir para essa mudança!
segunda-feira, março 07, 2005
Análise Errónea
Existe, por parte, de certas organizações sindicais e partidos políticos mais esquerdista, uma análise errónea, quanto ao significado da maioria absoluta do PS. Não se trata de uma viragem à esquerda do país, mas sim de “um basta” à situação anterior. O argumento dos partidos mais esquerdista de que, a esquerda é maioritária no parlamento, por isso não se podem tomar medidas mais neo-liberais, não pode servir para a situação actual do país. É necessário tomar medidas mais neo-liberais, mesmo que seja um partido de esquerda a fazê-lo. Senão, o nosso desenvolvimento e avanço, enquanto país da União Europeia, estão seriamente comprometidos.
Neste momento, as medidas que têm que ser tomadas são as de salvação nacional, ou seja, as do progresso sustentável, em termos económicos, sociais e ambientais. De que serve o PCP defender um emprego com direitos, coisa que eu até concordo, senão fizermos o necessário para incentivarmos o sector privado a criar emprego. Pois, vamos deixar de ter indústria e empresas lucrativas e isso representa ausência de trabalho. Por isso, de que serve trabalho com direitos, se não existir trabalho? Há que fazer concessões para depois obter direitos.
Neste momento, as medidas que têm que ser tomadas são as de salvação nacional, ou seja, as do progresso sustentável, em termos económicos, sociais e ambientais. De que serve o PCP defender um emprego com direitos, coisa que eu até concordo, senão fizermos o necessário para incentivarmos o sector privado a criar emprego. Pois, vamos deixar de ter indústria e empresas lucrativas e isso representa ausência de trabalho. Por isso, de que serve trabalho com direitos, se não existir trabalho? Há que fazer concessões para depois obter direitos.
terça-feira, fevereiro 22, 2005
Paris
É daquelas cidades que marca profundamente! O metro tem um cheiro inconfundivel que, mesmo de olhos fechados, dentro daqueles tuneis intermináveis, sabemos que se trata do metro de Paris, e de mais nenhum lugar do mundo. Os corvos nos jardins, nas árvores e nos lugares mais insólitos, são uma presença constante.
A moda respira-se, vê-se a cada esquina, rua e local desta cidade. Existe um estilo bem parisiense. A mulher, em Paris, tem o culto da beleza e de ser feminina. Noutros lugares do mundo também, mas aqui é muito notório como o culto da imagem e do corpo é uma constante.
O apelo ao lazer é outra faceta desta cidade. Em todos os corredores de metro e locais visíveis vislumbram-se anúncios muito convidativos para a evasão turística, para a descoberta de novas paragens. Outro tipo de evasão, incontornável nesta cidade é a cultural. A oferta de exposições de todo o tipo, concertos musicais, e a quantidade de museus por metro quadrado, não deixa ninguém indiferente. As livrarias são outro exemplo fantástico da oferta cultural, com uma oferta de livros a preços convidativos e até de ocasião. Esta cidade está concebida de forma a servir quem vive e passeia por ela, oferecendo a cada um os momentos de evasão que deseja.
segunda-feira, fevereiro 21, 2005
Eleições II
É mais ou menos consensual que o PP foi a surpresa positiva neste governo, embora nunca tenha sido liquido que tal se viesse a reflectir num crescimento eleitoral. Como JPP soube apontar, Paulo Portas foi pela primeira vez a votos com um ambiente de expectativas altas quanto aos resultados, e desiludiu. Fez bem em sair, é o fim de um ciclo, e o PP faria bem em arranjar nova vida em vez de se consumir em vagas de fundo para o regresso do lider. (continua)
Eleições
O primeiro-ministro da descoordenação, o estilo errático e a campanha lamentável tiveram ontem a resposta dos portugueses. Nunca pensei que Santana Lopes pudesse desempenhar tão mal o papel de lider do governo e do PSD. A ninguém terá custado mais estes resultados que a ele, e a forma como conduziu e pessoalizou a campanha tornam-no "o" responsável por eles.
Diz-se que fica provada a razão de Sampaio, mas não tenho a mesma opinião. A conclusão prematura da legislatura foi um acto que não se justificava, e não são estes resultados que provam o contrário. A nossa democracia não é directa, e os parlamentos devem por natureza subsistir pelos 4 anos.
O BE teve um excelente resultado, está para ficar. Pelos vistos o comentário infeliz do Francisco Louça sobre a legitimidade de quem não tem filhos para opinar sobre o direito à vida não chegou para assustar os eleitores. E, finalmente, a discriminação positiva com que desde sempre tem sido favorecido na comunicação social começa a ter expressão eleitoral.
Diz-se que fica provada a razão de Sampaio, mas não tenho a mesma opinião. A conclusão prematura da legislatura foi um acto que não se justificava, e não são estes resultados que provam o contrário. A nossa democracia não é directa, e os parlamentos devem por natureza subsistir pelos 4 anos.
O BE teve um excelente resultado, está para ficar. Pelos vistos o comentário infeliz do Francisco Louça sobre a legitimidade de quem não tem filhos para opinar sobre o direito à vida não chegou para assustar os eleitores. E, finalmente, a discriminação positiva com que desde sempre tem sido favorecido na comunicação social começa a ter expressão eleitoral.
quinta-feira, fevereiro 17, 2005
Conversas de género
Todos nós temos amigos e amigas com quem gostamos de conversar das mais diversas coisas. Há conversas, de facto, que só fazem sentido com pessoas do mesmo sexo, porque existe uma simbiose de género que faz com que o outro compreenda aquilo que estamos a dizer mesmo que não o sinta como nós. O género influencia a forma de estar e de ver as coisas.
Duas amigas ao falarem entre si da paixão que têm por lingerie, ou outra paixão bem feminina como as jóias, mesmo que a outra amiga não partilhe essa paixão, sente que é uma coisa feminina, e que pertence à classe do género feminino. O sentimento de feminilidade prevalece em relação aos gostos. Há um sentimento de se ser mulher e se ser feminina.
Eu até posso falar disso com um amigo, mas ele apenas vai apreciar o facto de eu gostar de lingerie ou jóias. E de todas as maneiras eu própria acharia que não faria sentido falar com ele destes assuntos bem femininos. Há certos assuntos que, por mais que se queira, um amigo tem dificuldade em entender. Por mais compreensivo e sensível que seja, o nosso amigo homem infelizmente não poderá sentir essa empatia de género, o que faz com que certas conversas mais fúteis e/ou as mais intimas acabem por ser com uma pessoa do mesmo sexo que nós, muitas vezes pela afinidade de género.
É como as conversas de copos e cervejas dos homens. Por mais que eles gostem da companhia feminina, há momentos em que o género masculino precisa de se por à prova entre machos e terem conversas machistas. Agora, se estiver no meio deles uma mulher, por mais abertos e liberais que sejam existem uma série de condicionantes educativas, morais e sociais de género que no fundo definem bem como somos diferentes. As diferenças não são apenas biológicas, elas são sobretudo sociais e íntimas. Eu gosto de uma boa conversa com um amigo, mas não dispenso umas revelações femininas, entre mulheres.
Duas amigas ao falarem entre si da paixão que têm por lingerie, ou outra paixão bem feminina como as jóias, mesmo que a outra amiga não partilhe essa paixão, sente que é uma coisa feminina, e que pertence à classe do género feminino. O sentimento de feminilidade prevalece em relação aos gostos. Há um sentimento de se ser mulher e se ser feminina.
Eu até posso falar disso com um amigo, mas ele apenas vai apreciar o facto de eu gostar de lingerie ou jóias. E de todas as maneiras eu própria acharia que não faria sentido falar com ele destes assuntos bem femininos. Há certos assuntos que, por mais que se queira, um amigo tem dificuldade em entender. Por mais compreensivo e sensível que seja, o nosso amigo homem infelizmente não poderá sentir essa empatia de género, o que faz com que certas conversas mais fúteis e/ou as mais intimas acabem por ser com uma pessoa do mesmo sexo que nós, muitas vezes pela afinidade de género.
É como as conversas de copos e cervejas dos homens. Por mais que eles gostem da companhia feminina, há momentos em que o género masculino precisa de se por à prova entre machos e terem conversas machistas. Agora, se estiver no meio deles uma mulher, por mais abertos e liberais que sejam existem uma série de condicionantes educativas, morais e sociais de género que no fundo definem bem como somos diferentes. As diferenças não são apenas biológicas, elas são sobretudo sociais e íntimas. Eu gosto de uma boa conversa com um amigo, mas não dispenso umas revelações femininas, entre mulheres.
quarta-feira, fevereiro 16, 2005
Carta de Santana Lopes aos eleitores
"Caro(a) Amigo(a),
Não pare de ler esta carta.
Se o fizer, fará o mesmo que o Presidente da República fez a Portugal, ao interromper um conjunto de medidas que beneficiavam os portugueses e as portuguesas.
Portugal precisa do seu voto para fazer justiça. Só com o seu voto será possível prosseguir as políticas que favorecem os que menos ganham e que exigem mais dos que mais têm e mais recebem.
Você não costuma votar, e não é por acaso.
Afastou-se pelas mesmas razões que eles nos querem afastar.
E quem são eles?
Alguns poderosos a quem interessa que tudo fique na mesma.
Incluindo a velha maneira de fazer política.
Eles acham que eu sou de fora do sistema que eles querem manter. Já pensou bem nisso?
Provavelmente nós temos algo em comum: não nos damos bem com este sistema. Tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles Tratem tão mal como a mim? Também o tratam mal a si. Já somos vários. Ajude-me a fazer-lhes frente.
Desta vez, venha votar. É um favor que lhe peço!
Por todos nós,
Pedro Santana Lopes"
Como é possível? Hoje uma colega de trabalho e estava convencidíssima que era a gozar, mas infelizmente não. Esta carta é um autêntico atestado de estupidez ao público a quem se dirige, isto é, a todos nós!
Não pare de ler esta carta.
Se o fizer, fará o mesmo que o Presidente da República fez a Portugal, ao interromper um conjunto de medidas que beneficiavam os portugueses e as portuguesas.
Portugal precisa do seu voto para fazer justiça. Só com o seu voto será possível prosseguir as políticas que favorecem os que menos ganham e que exigem mais dos que mais têm e mais recebem.
Você não costuma votar, e não é por acaso.
Afastou-se pelas mesmas razões que eles nos querem afastar.
E quem são eles?
Alguns poderosos a quem interessa que tudo fique na mesma.
Incluindo a velha maneira de fazer política.
Eles acham que eu sou de fora do sistema que eles querem manter. Já pensou bem nisso?
Provavelmente nós temos algo em comum: não nos damos bem com este sistema. Tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles Tratem tão mal como a mim? Também o tratam mal a si. Já somos vários. Ajude-me a fazer-lhes frente.
Desta vez, venha votar. É um favor que lhe peço!
Por todos nós,
Pedro Santana Lopes"
Como é possível? Hoje uma colega de trabalho e estava convencidíssima que era a gozar, mas infelizmente não. Esta carta é um autêntico atestado de estupidez ao público a quem se dirige, isto é, a todos nós!
terça-feira, fevereiro 15, 2005
Oportunismo político
A interrupção da campanha política por parte de certos partidos, por causa da morte da Irmã Lúcia, no meu entender não passa de um aproveitamento político para tocar o coração do povo mais simples e ingénuo. Pois, custa a acreditar que os líderes destes partidos fossem tão crentes ou tão devotos dos pastorinhos de Fátima. Se é o caso o estranho é ser apenas mostrado no momento como este, ninguém tinha ainda ouvido falar, dessas convicções.
Independentemente, do sentimento religioso de cada um dos líderes, a fé e a devoção pertence ao foro do privado e por isso não é de todo a melhor maneira de vivê-la que dizer ao mundo, que estão muito abalados com o facto. A fé é um trabalho e sentimento interior. Nós, para sermos crentes não temos que mostrar aos outros que o somos. As convicções e a fé sentem-se não se demonstram. É de destacar a intervenção e a lucidez do Bispo de Setúbal que alertou e mostrou a sua indignação pelo aproveitamento político de certos líderes políticos, ao tentarem se aproveitar das crenças e valores religiosos dos portugueses.
terça-feira, fevereiro 08, 2005
Carnaval
É óptimo para as crianças que vestem a pele dos seus heróis. Quanto aos adultos divertem-se porque têm oportunidade de viver fantasias de miúdos, mas também de graúdos. Carnavais e desfiles é o que não falta por este país fora, mas de português o Carnaval pouco ou nada tem. O nosso Carnaval, quando recorre a imitações brejeiras do Carnaval do Brasil, limita-se a apresentar umas mocinhas semi-nuas ao som do samba.
Nos desfiles de Carnaval também existe criatividade bem portuguesa que se inspira na política e na situação nacional. Quando os organizadores fazem recurso à sátira como forma de critica e brincam com a situação, penso que é outra criatividade, mais rebuscada que tem que se valorizar, que não apenas aquela que tenta imitar uma coisa que tem pouco a ver connosco.
segunda-feira, fevereiro 07, 2005
Escolaridade Obrigatória
A quase totalidade dos partidos políticos aposta na escolaridade obrigatória até ao 12º ano. É uma boa medida, na condição de ser bem pensada e de incluir todas as perspectivas dos jovens e não apenas aqueles que querem prosseguir os estudos. O sistema de ensino “normal” não tem em conta os alunos que querem seguir um percurso mais curto. Até agora os cursos de formação profissional são poucos e pouco diversificados.
Ao prolongar o número de anos de escolaridade, medidas concretas devem ser tomadas para evitar o abandono escolar. Uma das soluções é valorizar as vias profissionalizantes e abrir mais áreas de formação profissional. E porque não alternar uma semana na escola e uma semana num empregador para se aprender a futura profissão. Deste modo, sai-se com o 12º ano e com a formação adequada e experiência, na profissão que se escolheu. O sistema de ensino português tem que ter em conta que nem todos querem ser “doutores” e que todas as profissões têm valor, desde que os profissionais sejam competentes. E para que haja competência têm que se formar os alunos correctamente para essas profissões.
Ao prolongar o número de anos de escolaridade, medidas concretas devem ser tomadas para evitar o abandono escolar. Uma das soluções é valorizar as vias profissionalizantes e abrir mais áreas de formação profissional. E porque não alternar uma semana na escola e uma semana num empregador para se aprender a futura profissão. Deste modo, sai-se com o 12º ano e com a formação adequada e experiência, na profissão que se escolheu. O sistema de ensino português tem que ter em conta que nem todos querem ser “doutores” e que todas as profissões têm valor, desde que os profissionais sejam competentes. E para que haja competência têm que se formar os alunos correctamente para essas profissões.
terça-feira, fevereiro 01, 2005
Sem comentários
As insinuações de Santana Lopes e alguns dos seus "cães-de-fila" sobre Sócrates, nomeadamente quanto aos colos que este prefere.
Começo a ficar perplexo com a trapalhada e baixo nível da campanha do PSD. Não são só este tipo de comentários, que poderão ser próprios de tudo menos de um dos dois maiores partidos portugueses, mas eles por si já dizem muito sobre aquilo a que chegámos.
Começo a ficar perplexo com a trapalhada e baixo nível da campanha do PSD. Não são só este tipo de comentários, que poderão ser próprios de tudo menos de um dos dois maiores partidos portugueses, mas eles por si já dizem muito sobre aquilo a que chegámos.
domingo, janeiro 30, 2005
Iraque
É na forma como decorreram as eleições, e não nos atentados terroristas, que se deve procurar perceber qual será o sentimento e o olhar do iraquiano comum sobre tudo quanto se tem passado. Ver como os iraquianos quiseram ir às urnas, mesmo nas condições de medo e insegurança em que o fizeram, e em número tão expressivo, não pode deixar de fazer pensar. É um acontecimento que devia dar regozijo a todo o mundo ocidental.
quarta-feira, janeiro 26, 2005
Fragilidades
Força ou fraqueza? Depende como encaramos os outros e a nós mesmos! Quando somos demasiado exigentes e inflexíveis connosco, as fragilidades são uma falha imperdoável, que temos que esconder. Tenta-se omitir as fragilidades quando achamos que os outros só nos vêem como imperturbáveis, distantes, e direi quase como insensíveis. Ao aceitarmos a definição de nós mesmos pelos outros, como uma “verdade”, passamos a concordar com eles! Então, as fragilidades não podem existir, porque senão vamos contrariar aquilo que os outros pensam, mesmo se a nossa consciência quer ser o contrário.
Só que, por mais mascaras e estratagemas para não mostrar as fragilidades, algum dia, elas aparecem. Surgem nos momentos mais inesperados, porque baixamos a guarda. As fragilidades são escondidas àqueles a quem queremos agradar. É no mínimo paradoxal já que é a esses que nós nos queremos revelar. Mas o que acontece é que para certas pessoas fabricamos uma nova personalidade, aquela que achamos que elas vão gostar mais, do que realmente aquilo que somos. Não será isso, sim, uma fragilidade, fraqueza, por não aceitarmos quem somos?
As fragilidades são necessárias para nos aceitarmos sob todas as nossas facetas. Ao descobrir quais são as nossas fragilidades e não fazer disso um problema é um passo para elas serem uma força. Passa-se a conhecer as fragilidades e a saber lidar com elas! As fragilidades transformam-se em força quando nós aceitamos que elas podem ser reveladas, sem que nos sintamos diminuídos, e muitas vezes os outros passam a ter uma nova visão de nós mesmos. É verdade que sempre nos ensinaram a não demonstrar as fragilidades, porque os outros vão utilizá-las contra nós! Mas porquê, esconder as nossas fragilidades daqueles que mais amamos! Não será essa mais uma razão para gostarem ainda mais de nós!
sexta-feira, janeiro 21, 2005
Sem comentários
Francisco Louça acha que Paulo Portas não pode falar sobre o direito à vida por nunca ter gerado uma vida.
quinta-feira, janeiro 20, 2005
Urgentemente
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
Poema de Eugénio Andrade.
Ele fez ontem 82 anos. Para ele as quatro coisas mais importantes na vida são: a terra, o sol, o vento e o amor. Eu quis ilustrar como é que ele via uma dessas coisas, o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
Poema de Eugénio Andrade.
Ele fez ontem 82 anos. Para ele as quatro coisas mais importantes na vida são: a terra, o sol, o vento e o amor. Eu quis ilustrar como é que ele via uma dessas coisas, o amor.
quarta-feira, janeiro 19, 2005
Por uma Grande Causa,
Portugal! A realização de vários debates televisivos, com pessoas notáveis da sociedade cívil e antigos lideres políticos, consciencializa a nação do seu verdadeiro estado. Esta mobilização é simbólica, mas significativa daquilo que o resto da população portuguesa tem que fazer para contribuir e acreditar que é necessário os esforços de todos nós, para sair deste periodo conturbado.
Até agora existiam apenas interesses corporativos. Neste momento, após mobilização geral de figuras relevantes da sociedade portuguesas chegou-se à conclusão que a verdadeira causa é a de salvar Portugal e não interesses mesquinhos de diferentes fracções partidárias, ou lobbies económicos. Agora esperemos que os portugueses se sintam motivados para ao grande acto cívico que é exercer o seu direito de voto. Este acto é um primeiro passo para as coisas mudarem.
segunda-feira, janeiro 17, 2005
Caridadezinha
A última coisa que as vitimas do tsunami precisam é de espectáculos grandiosos de caridade que mais não são do que golpes de publicidade e de auto-promoção. Toda a encenação da selecção portuguesa com a ajuda ao rapaz que sobreviveu com a camisola portuguesa chega a ser constrangedora quando se pensa nos milhares ou milhões de pessoas que ficaram sem nada. Agora parece que também o Figo quer participar nesta gloriosa obra de ajudar o tal menino. Estamos no mero domínio do show-off, do encher o próprio ego e vender imagem.
E que tal deixarmo-nos de caridadezinha barata?
E que tal deixarmo-nos de caridadezinha barata?
sábado, janeiro 15, 2005
Mudança de Regime
Os círculos uninominais têm, no entanto, o problema de estar num dos extremos do trade-off enunciado entre proporcionalidade e accountability. Podemos olhar para o Reino Unido, ou as eleições para o senado dos EUA, e é perfeitamente possível um partido ter 10% ou mesmo 15% de intenções de voto a nível nacional e não eleger qualquer deputado, desde que esses votos não estejam concentrados em zonas em particular. Em Portugal isso equivaleria, como que por de decreto, a eliminar de imediato qualquer partido que não o PS ou PSD.
A ideia dos círculos uninominais deveria portanto ser, no mínimo, moderada por um qualquer outro mecanismo. A ideia de haver depois um círculo nacional a equilibrar, por exemplo com cerca de 50 lugares, é a que tem sido sugerida entre nós, e faz todo o sentido. Por um lado, o patamar de acesso à representação parlamentar ficaria por volta dos 2%, o que é razoável. E, por outro, existem várias figuras no parlamento e na vida publica em geral que têm uma dimensão marcadamente nacional.
Estas são apenas algumas ideias que penso que ajudariam a termos um parlamento com mais sentido crítico e maior credibilidade na acção política. Provavelmente capaz de exercer boa parte do tal poder de moderação que é agora exercido pelo Presidente da Républica. A meu ver haveria ainda muito mais a mudar no regime, mas este já seria um passo bem grande no bom caminho.
A ideia dos círculos uninominais deveria portanto ser, no mínimo, moderada por um qualquer outro mecanismo. A ideia de haver depois um círculo nacional a equilibrar, por exemplo com cerca de 50 lugares, é a que tem sido sugerida entre nós, e faz todo o sentido. Por um lado, o patamar de acesso à representação parlamentar ficaria por volta dos 2%, o que é razoável. E, por outro, existem várias figuras no parlamento e na vida publica em geral que têm uma dimensão marcadamente nacional.
Estas são apenas algumas ideias que penso que ajudariam a termos um parlamento com mais sentido crítico e maior credibilidade na acção política. Provavelmente capaz de exercer boa parte do tal poder de moderação que é agora exercido pelo Presidente da Républica. A meu ver haveria ainda muito mais a mudar no regime, mas este já seria um passo bem grande no bom caminho.
quarta-feira, janeiro 12, 2005
Mudança de Regime - Accountability
A escolha não deveria ser colocada entre um sistema mais ou menos proporcional, pois a proporcionalidade é à partida um bem em si mesmo, no sentido de não tornar os votos de uns mais importantes que o de outros. A escolha a fazer, na minha opinião, é entre um sistema mais proporcional, e outro em que a escolha do eleito pelo eleitor fosse o mais directa possível e houvesse uma verdadeira accountability.
O grande problema do nosso parlamento é a falta de autonomia e liberdade dos deputados que estão no parlamento, e a culpa não é apenas deles, mas do sistema em si. Neste momento os deputados são eleitos em listas por cada distrito, e quem define a sua posição nas listas são os partidos. Isto é, é em primeiro lugar aos partidos que os deputados devem o seu lugar, e é logo ai que existe um dever de fidelidade e que começa o seguidismo. Pode-se argumentar que não, porque as pessoas votam é nas listas apresentadas, e o facto de lá estar o nome tal também ajuda ou piora. Mas sabemos que na prática ninguém sabe (nem quer saber!) quais os deputados que os representam num dado distrito. As pessoas votam é nos candidatos a primeiro-ministro, ou no partido, mas raramente o candidato em concreto no distrito tem qualquer influência na decisão. É um fenómeno estudado e provado, que se pode demonstrar por exemplo na forma como os partidos sobem e descem de forma quase homogénea nos vários distritos, de eleição para eleição, independentemente dos candidatos em concreto que vão surgindo por um ou outro distrito. Não existe verdadeira accountability entre os deputados e seus eleitores, o que é um elemento fundamental em qualquer regime democrático.
Uma das soluções (em Portugal é quase um D. Sebastião da questão por tanto se falar e nunca aparecer) são os círculos uninominais. Num sistema eleitoral desse tipo cada região ou zona elegeria o seu deputado em particular, que teria de prestar contas pelo seu trabalho durante a legislatura, e ser avaliado por ele nas eleições seguintes. A proximidade entre eleito e eleitor seria incomparavelmente maior, e o deputado teria aí sim as condições para poder ter assumir posição própria sobre os problemas. Isto não significa que deixe de haver fidelidade partidária, que é também ela essencial para haver alguma estabilidade no regime. Mas, imaginando que um governo tinha alguma ideia absurda, ou começava a ter uma actuação errática, num parlamento deste tipo seria muito mais fácil haverem deputados que simplesmente se recusavam a apoiar as medidas, mais que não seja por terem noção que depois iam ter de responder directamente ao seu eleitorado pelas suas posições. No nosso sistema, uma vez conseguida a maioria absoluta (quer de um quer de mais partidos), fica a sensação que quase qualquer medida passa no parlamento, tal o adormecimento e resignação em que os deputados se encontram. (continua)
O grande problema do nosso parlamento é a falta de autonomia e liberdade dos deputados que estão no parlamento, e a culpa não é apenas deles, mas do sistema em si. Neste momento os deputados são eleitos em listas por cada distrito, e quem define a sua posição nas listas são os partidos. Isto é, é em primeiro lugar aos partidos que os deputados devem o seu lugar, e é logo ai que existe um dever de fidelidade e que começa o seguidismo. Pode-se argumentar que não, porque as pessoas votam é nas listas apresentadas, e o facto de lá estar o nome tal também ajuda ou piora. Mas sabemos que na prática ninguém sabe (nem quer saber!) quais os deputados que os representam num dado distrito. As pessoas votam é nos candidatos a primeiro-ministro, ou no partido, mas raramente o candidato em concreto no distrito tem qualquer influência na decisão. É um fenómeno estudado e provado, que se pode demonstrar por exemplo na forma como os partidos sobem e descem de forma quase homogénea nos vários distritos, de eleição para eleição, independentemente dos candidatos em concreto que vão surgindo por um ou outro distrito. Não existe verdadeira accountability entre os deputados e seus eleitores, o que é um elemento fundamental em qualquer regime democrático.
Uma das soluções (em Portugal é quase um D. Sebastião da questão por tanto se falar e nunca aparecer) são os círculos uninominais. Num sistema eleitoral desse tipo cada região ou zona elegeria o seu deputado em particular, que teria de prestar contas pelo seu trabalho durante a legislatura, e ser avaliado por ele nas eleições seguintes. A proximidade entre eleito e eleitor seria incomparavelmente maior, e o deputado teria aí sim as condições para poder ter assumir posição própria sobre os problemas. Isto não significa que deixe de haver fidelidade partidária, que é também ela essencial para haver alguma estabilidade no regime. Mas, imaginando que um governo tinha alguma ideia absurda, ou começava a ter uma actuação errática, num parlamento deste tipo seria muito mais fácil haverem deputados que simplesmente se recusavam a apoiar as medidas, mais que não seja por terem noção que depois iam ter de responder directamente ao seu eleitorado pelas suas posições. No nosso sistema, uma vez conseguida a maioria absoluta (quer de um quer de mais partidos), fica a sensação que quase qualquer medida passa no parlamento, tal o adormecimento e resignação em que os deputados se encontram. (continua)
sábado, janeiro 08, 2005
Mudança de Regime - Maiorias Absolutas
As declarações de Sampaio sobre as maiorias absolutas são antes de mais inoportunas. São feitas em pleno processo eleitoral e num contexto em que poderiam até ser interpretadas como apoio ao PS. Acredito que não haja essa intenção, mas não deixam de ser declarações feitas num momento despropositado. Ainda assim são legítimas, e Sampaio está longe de ser o primeiro a defender a ideia de um regime que facilite a obtenção de maiorias absolutas. Vale a pena pensar um pouco sobre o assunto, porque a meu ver a questão está a ser posta de uma forma completamente errada.
Em primeiro lugar este favorecimento das maiorias absolutas é um eufemismo para dizer que o parlamento não deve ter tenta preocupação em espelhar a escolha popular. Isto é, considera-se negativo ter um parlamento que espelha o voto popular, e desejável um que o distorçe no sentido de favorecer os maiores partidos e eliminar os pequenos. Em certos regimes, como no RU, isto pode significar um partido ter 10% dos votos e não conseguir qualquer representação parlamentar! É este o trade-off que temos de fazer, entre representatividade e supostas desejabilidades.
Ao olharmos para os tempos que passaram, vemos que as pessoas através da sua escolha têm o poder de atribuir ou não a maioria absoluta ao partido mais votado, que já o fizeram quando o entenderam, e que nos casos em que ela não existiu não veio nenhum mal ao mundo. A coligação PSD/PP veio provar isso mesmo, e não vejo qualquer mal maior no país (e não são poucos) que possa ser imputado à dificuldade de obter maiorias. Se é esta a escolha, então o que o Presidente propõe é um caminho errado. (continua)
Em primeiro lugar este favorecimento das maiorias absolutas é um eufemismo para dizer que o parlamento não deve ter tenta preocupação em espelhar a escolha popular. Isto é, considera-se negativo ter um parlamento que espelha o voto popular, e desejável um que o distorçe no sentido de favorecer os maiores partidos e eliminar os pequenos. Em certos regimes, como no RU, isto pode significar um partido ter 10% dos votos e não conseguir qualquer representação parlamentar! É este o trade-off que temos de fazer, entre representatividade e supostas desejabilidades.
Ao olharmos para os tempos que passaram, vemos que as pessoas através da sua escolha têm o poder de atribuir ou não a maioria absoluta ao partido mais votado, que já o fizeram quando o entenderam, e que nos casos em que ela não existiu não veio nenhum mal ao mundo. A coligação PSD/PP veio provar isso mesmo, e não vejo qualquer mal maior no país (e não são poucos) que possa ser imputado à dificuldade de obter maiorias. Se é esta a escolha, então o que o Presidente propõe é um caminho errado. (continua)
Dever de ajuda
Sobre os programas para angariar fundos para as vítimas do maremoto, é errado colocar as coisas entre ajudar os outros ou os nossos. Além do mais, é sempre positivo ver a sociedade civil a mobilizar-se por este tipo de causas e saber assumi-las também por si.
É uma pena, isso sim, que desastres e calamidades como os massacres no Sudão, o genocídio no Rwanda, e tantos outros episódios tristes dos nossos tempos não tenham encontrado a devida atenção da comunidade internacional. Nesses casos, alguns incomparavelmente mais graves que o presente, o olhar dos media (sempre o factor fundamental, embora selectivo e por vezes mesmo errático) e o consequente ganhar de consciências das sociedades ocidentais ocorreu tarde demais, quando o pior já tinha acontecido. É esses casos que temos de lamentar, e prevenir.
É uma pena, isso sim, que desastres e calamidades como os massacres no Sudão, o genocídio no Rwanda, e tantos outros episódios tristes dos nossos tempos não tenham encontrado a devida atenção da comunidade internacional. Nesses casos, alguns incomparavelmente mais graves que o presente, o olhar dos media (sempre o factor fundamental, embora selectivo e por vezes mesmo errático) e o consequente ganhar de consciências das sociedades ocidentais ocorreu tarde demais, quando o pior já tinha acontecido. É esses casos que temos de lamentar, e prevenir.
sexta-feira, janeiro 07, 2005
Renascer
o programa para angariar fundos para ajudar as vítimas do maremoto tem mérito. Pena é que a rádio televisão portuguesa, assim como as personalidades que se juntaram para promover esta acção, nunca se tenham lembrado de colectar fundos para as necessidades existentes no nosso pais.
Porque não sensibilizar os portugueses para a investigação na luta contra a sida, o cancro, para os incêndios dos dois verões consecutivos e colectar fundos para essas causas e tantas outras. Para as instituições de solidariedade social que também precisam, visto que contribuem para minorar as dificuldades dos ques mais sofrem e que, muitas vezes, as suas acções ficam muitas vezes na sombra. Ao mostrar as acções ao nível local, regional e nacional feitas por essas instituições e ao angariamos fundos ou pessoas para darem um pouco do seu tempo com trabalho de voluntariado, provavelmente ajudariamos as instituições e o pais em geral.
Não é só ajudar o exterior, nos também estamos a precisar todos de uma ajuda colectiva para ajudar a nossa nação a "Renascer", do desânimo, da crise política e económica. Ajudar os outros sim! Nós só nos lembramos de ajudar os outros e nunca a nós próprios. Por isso, lanço a ideia, de que na próxima vez, se promova um programa do mesmo género, mas para uma causa bem nossa, Portugal também precisa!
terça-feira, janeiro 04, 2005
Lamentável
A forma como Rui Rio tem lidado com o FCP, de separar o futebol e a política, e como tem sabido enfrentar toda a contestação, é um exemplo raro (quase único) que devia ser seguido por muitos outros políticos. A declaração de combate do Pinto da Costa só vem provar o quão correcta é a luta de Rui Rio. O PS, como seria de esperar, não perdeu tempo a apanhar a boleia.
Neste contexto, o convite feito por Santana Lopes a Pôncio Monteiro para a lista do Porto é tudo menos inocente, e tem o significado óbvio de colocar em causa tudo o que Rui Rio tem defendido e representado. Eis mais uma atitude infeliz e que diz muito sobre a pessoa do primeiro-ministro. É triste o que o vislumbrar dos votos de alguns adeptos mais acérrimos consegue fazer...
Neste contexto, o convite feito por Santana Lopes a Pôncio Monteiro para a lista do Porto é tudo menos inocente, e tem o significado óbvio de colocar em causa tudo o que Rui Rio tem defendido e representado. Eis mais uma atitude infeliz e que diz muito sobre a pessoa do primeiro-ministro. É triste o que o vislumbrar dos votos de alguns adeptos mais acérrimos consegue fazer...
domingo, janeiro 02, 2005
A discordância
Entre o que se pensa e o que se faz é frequente! A discordância vive-se quando se pensa e tem vontade de fazer alguma coisa, e depois acabamos por fazer outra completamente diferente. Nunca vos terá acontecido ter vontade de comer uma maça e depois acabar por comer uma laranja? Não faltarão razões e justificações para tal fenómeno. Perante esta discordância o sentimento de insatisfação e de vazio invade-nos, porque não respeitamos o que realmente queríamos fazer.
Ou então, nunca vos sucedeu ter vontade de estar ou fazer alguma coisa com alguém, mas por orgulho ou receio de ouvir um "não", nem sequer dizemos o que realmente queremos? E acabamos, outra vez, com o sentimento de insatisfação e frustração. E tudo isso porque faltamos à verdade a nós próprios e para com aquele com quem queríamos partilhar, o tão desejado.
A discordância às vezes é sentida através uma sensação desagradável, outras vezes é consciencializada, e ai culpabilizamo-nos, criando assim um sentimento de angústia e tristeza. A discordância só existe porque não ajustamos o pensamento à vontade real do coração, à concretização final do desejo. E cada um de nós sabe no seu intimo porque é que existe essa discordância, para uns é o medo da não-aceitação, para outros a falta de auto-afirmação…
Esquecemos muitas vezes que a liberdade de escolha e de decisão só a nós pertence e cada um é responsável pela concretização dos seus desejos e pela harmonia entre o pensar e o fazer.
Ou então, nunca vos sucedeu ter vontade de estar ou fazer alguma coisa com alguém, mas por orgulho ou receio de ouvir um "não", nem sequer dizemos o que realmente queremos? E acabamos, outra vez, com o sentimento de insatisfação e frustração. E tudo isso porque faltamos à verdade a nós próprios e para com aquele com quem queríamos partilhar, o tão desejado.
A discordância às vezes é sentida através uma sensação desagradável, outras vezes é consciencializada, e ai culpabilizamo-nos, criando assim um sentimento de angústia e tristeza. A discordância só existe porque não ajustamos o pensamento à vontade real do coração, à concretização final do desejo. E cada um de nós sabe no seu intimo porque é que existe essa discordância, para uns é o medo da não-aceitação, para outros a falta de auto-afirmação…
Esquecemos muitas vezes que a liberdade de escolha e de decisão só a nós pertence e cada um é responsável pela concretização dos seus desejos e pela harmonia entre o pensar e o fazer.
quinta-feira, dezembro 30, 2004
Receitas Extraordinárias
A conferência de imprensa em que Santana Lopes e Bagão Félix explicam e justificam a necessidade de receitas extraordinárias extra para resolver o problema que há para se conseguir cumprir o défice de 3% foi um espectáculo triste de se ver. Passando ao lado da imagem da leitura de jornais em directo para justificar os males nacionais, se haviam dúvidas sobre a pertinencia do discurso do fim da austeridade parece que ficaram esclarecidas. Foi um discurso irresponsável e que enviou um sinal errado, ou pelo menos errático. Nem vale a pena bater mais no ceguinho...
Por outro lado parece haver uma aceitação generalizada da necessidade de utilização de receitas extraordinárias para resolver os problemas nas finanças públicas. A meu ver é errado que assim seja, porque na prática o que significa é o continuar da situação e dos problemas actuais. Em vez de nos endividarmos mais andamos a vender património, mas o problema é o mesmo: gastamos mais do que ganhamos. E é esse o problema que tem de ser resolvido, e o que a aceitação das receitas extraordinárias acaba por fazer é ir tapando o sol com a peneira e assim permitir ignorar a verdadeira solução para o problema.
É errado colocar o problema entre a saúde das finanças públicas ou uma maior preocupação social e com o bem estar geral das pessoas. Temos de perceber que a saúde das finanças públicas não é um objectivo alheio aos nossos interesses. As finanças públicas são o nosso dinheiro, aquilo que com esforço pagamos em impostos, taxas e contribuições. Quando se fala em rigor nas finanças públicas, fala-se em rigor na forma de gerir o nosso dinheiro, e quando o estado gasta mais do que ganha, além vai ter de o pagar. Podemos ser nós daqui a uns anos, ou podem ser os nossos filhos, mas alguém vai pagar o preço do desleixo e desmando actual do estado.
Por outro lado parece haver uma aceitação generalizada da necessidade de utilização de receitas extraordinárias para resolver os problemas nas finanças públicas. A meu ver é errado que assim seja, porque na prática o que significa é o continuar da situação e dos problemas actuais. Em vez de nos endividarmos mais andamos a vender património, mas o problema é o mesmo: gastamos mais do que ganhamos. E é esse o problema que tem de ser resolvido, e o que a aceitação das receitas extraordinárias acaba por fazer é ir tapando o sol com a peneira e assim permitir ignorar a verdadeira solução para o problema.
É errado colocar o problema entre a saúde das finanças públicas ou uma maior preocupação social e com o bem estar geral das pessoas. Temos de perceber que a saúde das finanças públicas não é um objectivo alheio aos nossos interesses. As finanças públicas são o nosso dinheiro, aquilo que com esforço pagamos em impostos, taxas e contribuições. Quando se fala em rigor nas finanças públicas, fala-se em rigor na forma de gerir o nosso dinheiro, e quando o estado gasta mais do que ganha, além vai ter de o pagar. Podemos ser nós daqui a uns anos, ou podem ser os nossos filhos, mas alguém vai pagar o preço do desleixo e desmando actual do estado.
quarta-feira, dezembro 22, 2004
Ceia de Natal
Antigamente, a festa de Natal reunia a família alargada, e por isso aturava-se o tio-avô chato na noite de Natal, porque fazia parte da convenção, era tio e família é família… Hoje, a sociedade individualista dá a liberdade a cada um de escolher com quem quer estar, sem ligar a convenções. A liberdade de escolha tem o preço dos laços serem, não mais obrigatórios, mas mais restritos. O Natal em família restringe-se, hoje, ao pequeno núcleo familiar dos pais e filhos, e em certos casos quando os filhos já saíram de casa, apenas ao casal, ou então quando os pais estão separados os filhos têm que se repartir entre os dois pais.
Alguns de nós vivem entre o dilema de ficarem felizes por não serem obrigados a passar o Natal com os familiares que não lhes dizem nada, e a vontade de terem um Natal tradicional com a família mais alargada. E assim se vive um momento de questionamento pessoal e chegamos à conclusão que para alguns de nós o Natal é um serão como qualquer outro, onde apenas se muda a ementa. As conversas são as mesmas, porque justamente não está o tio-avô, as primas da terra, a tia "cusca" que vive no estrangeiro, e toda essa gente que ninguém atura e a que chamamos família. Mas na época natalícia sabe bem-estar com ela. A festa da família levanta questões sobre a família que temos e a que gostaríamos de ter!
Alguns de nós vivem entre o dilema de ficarem felizes por não serem obrigados a passar o Natal com os familiares que não lhes dizem nada, e a vontade de terem um Natal tradicional com a família mais alargada. E assim se vive um momento de questionamento pessoal e chegamos à conclusão que para alguns de nós o Natal é um serão como qualquer outro, onde apenas se muda a ementa. As conversas são as mesmas, porque justamente não está o tio-avô, as primas da terra, a tia "cusca" que vive no estrangeiro, e toda essa gente que ninguém atura e a que chamamos família. Mas na época natalícia sabe bem-estar com ela. A festa da família levanta questões sobre a família que temos e a que gostaríamos de ter!
Independentemente, da forma como e com quem vai festejar o Natal, desejo um feliz Natal para todos os Bloguistas! Afinal, nos somos também uma família, virtual é certo, mas a paixão pela blogoesfera une-nos!
sexta-feira, dezembro 17, 2004
Turquia sim, claro!
Maria, não podia esta mais em desacordo com o que escreveste.
1º É clara a boa vontade que a Turquia tem mostrado para conseguir entrar na UE e ceder dentro do possível às exigências que se lhe impõem. E até podemos pegar no exemplo do Chipre, que mesmo hoje a Turquia aceitou vir a reconhecer, embora de uma forma indirecta.
2ª É preciso compreender todo este processo à luz das tensões que existem dentro da sociedade turca, em que ainda existem importantes sectores hostis à ideia de um estado secular, democrático e moderno.
Mas o pior argumento é sem dúvida o das "diferenças culturais"... será um defeito assim tão grave um país ser muçulmano (que lata a deles!)? Será isso um factor de tal forma impeditivo para que um país possa fazer parte de um projecto como a UE? E piora ainda mais quando se fala em direitos das mulheres. Mas e como é que os direitos das mulheres turcas melhor são defendidos? É com a aproximação do país à UE!, e é um exemplo sintomático do tipo de questões que se estão a tratar.
Este é um tema muitissimo importante e mostra a intolerância e falta de capacidade que existe na UE para assimilar a diferença. A atitude de países como a França, que não consegue conviver com o simples facto de se poder usar um véu numa escola pública, mostra apenas a nossa pequenez.
Claro que a Turquia tem um caminho a percorrer para entrar na UE, não está em questão entrar ou não neste momento, nem está em questão entrar de qualquer maneira, e isso é evidente. O que se trata aqui é de saber qual deve ser o papel da Europa neste processo. Devemos fechar as portas à partida a quem caminha na nossa direcção, ou devemos antes dar um sinal às forças modernizantes e democratizantes da Turquia de que estão a caminhar no sentido certo e que os esperamos quando cá chegarem? Também já foi a altura em que este tipo de dúvida era sobre a nossa entrada, e convinha não nos esquecermos disso...
1º É clara a boa vontade que a Turquia tem mostrado para conseguir entrar na UE e ceder dentro do possível às exigências que se lhe impõem. E até podemos pegar no exemplo do Chipre, que mesmo hoje a Turquia aceitou vir a reconhecer, embora de uma forma indirecta.
2ª É preciso compreender todo este processo à luz das tensões que existem dentro da sociedade turca, em que ainda existem importantes sectores hostis à ideia de um estado secular, democrático e moderno.
Mas o pior argumento é sem dúvida o das "diferenças culturais"... será um defeito assim tão grave um país ser muçulmano (que lata a deles!)? Será isso um factor de tal forma impeditivo para que um país possa fazer parte de um projecto como a UE? E piora ainda mais quando se fala em direitos das mulheres. Mas e como é que os direitos das mulheres turcas melhor são defendidos? É com a aproximação do país à UE!, e é um exemplo sintomático do tipo de questões que se estão a tratar.
Este é um tema muitissimo importante e mostra a intolerância e falta de capacidade que existe na UE para assimilar a diferença. A atitude de países como a França, que não consegue conviver com o simples facto de se poder usar um véu numa escola pública, mostra apenas a nossa pequenez.
Claro que a Turquia tem um caminho a percorrer para entrar na UE, não está em questão entrar ou não neste momento, nem está em questão entrar de qualquer maneira, e isso é evidente. O que se trata aqui é de saber qual deve ser o papel da Europa neste processo. Devemos fechar as portas à partida a quem caminha na nossa direcção, ou devemos antes dar um sinal às forças modernizantes e democratizantes da Turquia de que estão a caminhar no sentido certo e que os esperamos quando cá chegarem? Também já foi a altura em que este tipo de dúvida era sobre a nossa entrada, e convinha não nos esquecermos disso...
Turquia não!
O facto de se estar num espaço geográfico que apelidamos de Europa, não dá automaticamente legitimidade a este país de entrar para o Clube dos Europeus. Os outros membros antes de aderirem tiveram que cumprir com um certo número de critérios para entrarem, e desde o início das negociações mostraram-se disponíveis para isso, já a Turquia… Porque razão deveria ser diferente agora?
A Turquia ainda não fez o necessário, ou pelo menos demonstrou alguma boa vontade em fazer mudanças dignas de um país europeu. Para se ser membro da UE tem que se respeita os Direitos Humanos, reconhecer a soberania de todos os outros Estados membros (caso de Chipre), mas a Turquia não cumpre com essas normas!
Este possível membro ainda tem uma grande desvantagem, que é marcada pela diferença cultural que poderá a longo prazo vir chocar com os ideais europeus. Basta pensar que é um país de confissão muçulmana e a visão que eles têm do papel da mulher e da condição feminina é redutora! De certeza que não é com a sua adesão que eles vão mudar a sua visão.
Não percebo os Eurocratas de Bruxelas que criticaram Bush por invadir os assuntos internos do Iraque e agora de forma mais subtil acham que ao começar as negociações com a Turquia vão “obrigá-la” a fazer reformas e mudar mentalidades, através da sua adesão. Não sei se é uma utopia ou uma hipocrisia, dado que a Turquia não tem mostrado qualquer cedência ou flexibilidade em efectuar as mudanças exigidas por Bruxelas. E que tal perguntarmos aos europeus directamente o que acham da entrada deste novo membro.
A Turquia ainda não fez o necessário, ou pelo menos demonstrou alguma boa vontade em fazer mudanças dignas de um país europeu. Para se ser membro da UE tem que se respeita os Direitos Humanos, reconhecer a soberania de todos os outros Estados membros (caso de Chipre), mas a Turquia não cumpre com essas normas!
Este possível membro ainda tem uma grande desvantagem, que é marcada pela diferença cultural que poderá a longo prazo vir chocar com os ideais europeus. Basta pensar que é um país de confissão muçulmana e a visão que eles têm do papel da mulher e da condição feminina é redutora! De certeza que não é com a sua adesão que eles vão mudar a sua visão.
Não percebo os Eurocratas de Bruxelas que criticaram Bush por invadir os assuntos internos do Iraque e agora de forma mais subtil acham que ao começar as negociações com a Turquia vão “obrigá-la” a fazer reformas e mudar mentalidades, através da sua adesão. Não sei se é uma utopia ou uma hipocrisia, dado que a Turquia não tem mostrado qualquer cedência ou flexibilidade em efectuar as mudanças exigidas por Bruxelas. E que tal perguntarmos aos europeus directamente o que acham da entrada deste novo membro.
quarta-feira, dezembro 15, 2004
Não são só "eles"
O descrédito dos políticos é daquelas verdades que já faz parte do senso comum e que ninguém ignora, mas por isso mesmo não convém passar a usar banalmente para justificar e explicar tudo e mais alguma coisa. É que não é um problema apenas dos políticos e da política; também existe, em geral mas nos mais novos em particular, uma atitude de completa e total indiferença perante a causa pública ou seja o que for que ultrapasse a realidade mais "imediamente circundante". Por vezes levantam-se umas bandeiras, daquelas politicamente correctas, com que alguns lá se preocupam, e mesmo parte desses sem saber bem porquê.
A propósito do que já aqui falei, e como a Maria volta a referir, existe um descrédito da classe política, e a meu ver a lógica partidária é um dos factores mais importantes desse descrédito, pelo efeito que pode ter de afastar muitas pessoas da política. Sim, a culpa é da política e dos políticos, que não sabem captar a atenção das pessoas e motivar o seu empenho nas soluções proposta. Mas atenção que não é apenas "deles". A sociedade é uma espécie de força adormecida que não quer saber... mas por outro lado está sempre preparada para menosprezar ou maltratar os que se queiram preocupar. Não tenho qualquer dificuldade em compreender a falta de motivação que tantas pessoas de valor têm em aceitar cargos públicos.
A propósito do que já aqui falei, e como a Maria volta a referir, existe um descrédito da classe política, e a meu ver a lógica partidária é um dos factores mais importantes desse descrédito, pelo efeito que pode ter de afastar muitas pessoas da política. Sim, a culpa é da política e dos políticos, que não sabem captar a atenção das pessoas e motivar o seu empenho nas soluções proposta. Mas atenção que não é apenas "deles". A sociedade é uma espécie de força adormecida que não quer saber... mas por outro lado está sempre preparada para menosprezar ou maltratar os que se queiram preocupar. Não tenho qualquer dificuldade em compreender a falta de motivação que tantas pessoas de valor têm em aceitar cargos públicos.
terça-feira, dezembro 14, 2004
20 Fevereiro de 2005,
lá vamos nos às urnas! Agora, até esse dia, os nossos políticos têm que convencer os portugueses, incluindo a mim, que eles "não querem só poleiro" como se diz na gíria popular. Para que a abstenção não seja a grande vencedora, a classe política tem que demonstrar que tem ideias concretas, uma boa equipa para as pôr em prática, e sobretudo, que não estão na política, porque não sabem fazer mais nada.
É que neste momento ninguém acredita mais em políticos, com a desordem que se gerou nos últimos tempos. Quando os membros do mesmo partido se desacreditam uns aos outros, e um ex-primeiro ministro apela os antigos membros do seu partido a tomarem mãos no país, algo vai mesmo mal.
As reformas necessárias para o país avançar foram postas em causa. E, por conseguinte, os portugueses desacreditam cada vez mais numa possível melhoria do seu nível de vida. Presentemente, não é fácil nos interessarmos e nos envolvermos nos assuntos da governação. É que nem os políticos, seja qual for a sua cor política, parecem muito certos do que andam a fazer e não transmitem qualquer segurança de serem capazes de tomarem medidas certas e prosseguirem com elas.
sexta-feira, dezembro 10, 2004
Prémio Nobel da Paz
Apesar da controvérsia se se deveria ou não atribuir o prémio nobel da paz a uma ambientalista, eu aprovo. As agressões ao meio ambiente através das desflorestação, das emissões de gases para a acamada de ozono, os produtos químicos que inserimos todos os dias nos alimentos, são formas de agressão indirecta à humanidade, no nosso quotidiano. Por isso, faz todo o sentido que uma defensora da preservação da natureza seja equiparada a prémio nobel da paz. Ao lutar por um equilíbrio ecológico e pela preservação ambiental, está-se a evitar uma eventual guerra a médio/longo prazo pela posse dos recursos naturais.
quinta-feira, dezembro 09, 2004
Uma decisão errada
Os que tanto criticaram Sampaio quando aqui há uns tempos ele decidiu não convocar eleições, são os mesmo que agora falam no respeito à figura do Presidente como se de um Deus se tratasse. Lembro-me do Vilaverde analisar a decisão de Sampaio na altura como uma espécie de psicose que o levava a actuar contra "os seus" para provar a sua independência. E lembro-me do Louçã. E lembro-me de muitos outros. Enfim.
Vamos por partes. A decisão do Presidente é, então como agora, inteiramente legítima. É assim que o regime foi delineado, e eu até acho que está muito mal delineado, mas de qualquer forma a legítimidade é uma questão que não se põe. E se há coisa que Sampaio já soube provar é que não está refém da sua familia política, nem me parece que esteja de outros interesses particulares. Decide da forma que, ele acha, melhor defende os interesses do país. Dito isto, é óbvio que também é perfeitamente legítimo discordar e criticar a decisão, e o comportamento do Presidente. Não tem de haverproblema ou qualquer pudor em fazê-lo.
A dissolução foi uma má decisão, veio pôr fim a um governo cujo apoio no parlamento não estava em causa, e que tinha inteira legitimidade para governar. E, nesse sentido, não existe razão para a dissolução. E as razões que se podem invocar (a meu ver más), são aquelas que já foram invocadas há 4 meses atrás. Porque quanto à política seguida pelo governo, não é o Presidente que tem de ser, nem sequer deve ser, a figura tutelar do governo, que dita o que deve e o pode ser feito. E mesmo que a razão seja a política seguida, como se pode aceitar que um orçamento, que é a peça fundamental que a suporta, seja aprovado? Sendo, além disso, uma forma de condicionar o próximo governo.
Ao contrário do que possa parecer, o Presidente achar que o governo está a governar mal não é razão suficiente para dever convocar novas eleições. E, acima de tudo, não se percebe que à decisão não se tenha seguido de imediato uma explicação ao país.
Vamos por partes. A decisão do Presidente é, então como agora, inteiramente legítima. É assim que o regime foi delineado, e eu até acho que está muito mal delineado, mas de qualquer forma a legítimidade é uma questão que não se põe. E se há coisa que Sampaio já soube provar é que não está refém da sua familia política, nem me parece que esteja de outros interesses particulares. Decide da forma que, ele acha, melhor defende os interesses do país. Dito isto, é óbvio que também é perfeitamente legítimo discordar e criticar a decisão, e o comportamento do Presidente. Não tem de haverproblema ou qualquer pudor em fazê-lo.
A dissolução foi uma má decisão, veio pôr fim a um governo cujo apoio no parlamento não estava em causa, e que tinha inteira legitimidade para governar. E, nesse sentido, não existe razão para a dissolução. E as razões que se podem invocar (a meu ver más), são aquelas que já foram invocadas há 4 meses atrás. Porque quanto à política seguida pelo governo, não é o Presidente que tem de ser, nem sequer deve ser, a figura tutelar do governo, que dita o que deve e o pode ser feito. E mesmo que a razão seja a política seguida, como se pode aceitar que um orçamento, que é a peça fundamental que a suporta, seja aprovado? Sendo, além disso, uma forma de condicionar o próximo governo.
Ao contrário do que possa parecer, o Presidente achar que o governo está a governar mal não é razão suficiente para dever convocar novas eleições. E, acima de tudo, não se percebe que à decisão não se tenha seguido de imediato uma explicação ao país.
terça-feira, dezembro 07, 2004
Mais leitores
são agora visíveis nos transportes públicos. Talvez a distribuição gratuita de um jornal duas vezes por semana seja o reflexo do aumento do número de leitores. Aqui não está em causa se é de boa ou má qualidade jornalística. O importante é que pessoas que lêem uma vez por outra, agora, com a distribuição deste jornal, passaram a ler um pouco mais. E desta forma as pessoas praticam a leitura e informam-se. Provavelmente, este novo hábito de leitura pode vir a diminuir um pouco o analfabetismo técnico existente em Portugal.
domingo, dezembro 05, 2004
Passe a publicidade
Iniciei hoje um novo Blog, o Frases Soltas. É um projecto em que já pensava há algum tempo, e pretende ser apenas uma forma de partilhar os apontamentos que vou fazendo dos livros e leituras em geral que tenho oportunidade de fazer. Aos que o queiram visitar, sejam bem vindos!
sábado, dezembro 04, 2004
Partidos
A propósito do que recentemente aqui escrevi sobre o assunto:
"Chegou-se a este ponto por motivos bem conhecidos. Os partidos sobrevivem com base nos que estão disponíveis para a intriga, nos que falharam carreiras profissionais, nos que foram subindo os degraus que levam das inúteis juventudes partidárias aos postos onde é possível receber algumas das migalhas que o "chefe" possa distribuir - muitas se ele for primeiro-ministro, poucas se estiver na oposição. Ideias, ideologias, contacto com os problemas reais do país, vontade genuína de mudar o que está mal? Claro que ainda existem, mas nas bases, entre os que raramente frequentam as sedes, nos que não se misturam com as nebulosas obscuras que rodeiam as autarquias locais, os clubes e a construção civil. Eles existem, mas quase todos abominam a vida partidária e os seus golpes baixos: " José Manuel Fernandes, na edição de hoje do Público.
"Chegou-se a este ponto por motivos bem conhecidos. Os partidos sobrevivem com base nos que estão disponíveis para a intriga, nos que falharam carreiras profissionais, nos que foram subindo os degraus que levam das inúteis juventudes partidárias aos postos onde é possível receber algumas das migalhas que o "chefe" possa distribuir - muitas se ele for primeiro-ministro, poucas se estiver na oposição. Ideias, ideologias, contacto com os problemas reais do país, vontade genuína de mudar o que está mal? Claro que ainda existem, mas nas bases, entre os que raramente frequentam as sedes, nos que não se misturam com as nebulosas obscuras que rodeiam as autarquias locais, os clubes e a construção civil. Eles existem, mas quase todos abominam a vida partidária e os seus golpes baixos: " José Manuel Fernandes, na edição de hoje do Público.
quarta-feira, dezembro 01, 2004
Eleições
A dissolução do parlamento é uma arma que o Presidente deve jogar quando entende que o regular funcionamento das instituições democráticas é posto em causa. Se o episódio Marcelo na minha opinião podia levantar essa questão, não vejo que o mesmo se possa inferir da saída de um ministro, mesmo tendo esta sucedido da forma que vimos. E se a decisão em si já é discutível, o timing parece-me de facto infeliz.
Isto não implica de reconhecer que a experiência de Santana Lopes como primeiro-ministro deixou a desejar, mas sobre isso vamos ter tempo de falar.
Isto não implica de reconhecer que a experiência de Santana Lopes como primeiro-ministro deixou a desejar, mas sobre isso vamos ter tempo de falar.
domingo, novembro 28, 2004
Saturação de informação
Já repararam na ginástica visual, auditiva e mental que é necessário fazer para ver o noticiário português! É o jornalista que apresenta uma notícia, são outras completamente diferentes que passam em nota de rodapé. E nós nisso tudo temos que fazer malabarismos entre umas e outras notícias. E para cúmulo temos o telejornal de 45 minutos, graças a publicidade que passa pelo meio. Mais um tipo de informação, mas esta mais do foro consumista. No meu entender a informação para ser bem ingerida tem que ser clara, concisa.
sábado, novembro 27, 2004
Política não é para todos...
O apelo feito pelo professor Cavaco Silva é mais um sinal da frágil situação governamental pela qual estamos a passar. Apesar de não ser simpatizante das suas ideias políticas, porém reconheço que ele tem qualidades, quer pessoais, quer de formação, que fazem dele uma pessoa competente para dirigir um país. Agora, pensar-se que para a política vai quem quer, isso discordo. Para se ser político não basta ser militante de longa data de um partido, é necessário ter preparação em vários ramos e ter assertividade, criatividade e ser visionário para desenvolver uma nação.
A governação tem que ser entendida como uma missão, uma devoção, não há lugar para protagonismo pessoal. Por isso, acho bem que os antigos políticos deste país contribuam para dar a volta a situação nacional! Já que a política é uma forma de missão e contribuição pessoal para a melhoria do bem estar colectivo, que os politicos experientes transmitam conhecimentos e experiências anteriores para sairmos deste caos.
terça-feira, novembro 23, 2004
Felicidade procura-se!
Depois de um estudo sobre o que os portugueses consideram ser a felicidade lembrei-me de expressar a minha opinião sobre o assunto.
Felicidade é um bem, um sentimento ou talvez um misto dos dois? Não sei depende das perspectivas. Se em alguns casos a pessoa diz nunca ter sentido o que é a felicidade. Esta pode ser encarada como sendo um momento prolongado no tempo, como algo que chega ou se conquista uma única vez e depois deve permanecer.
Digo bem conquistar, encontrar, vivenciar! Porque, esse bem e/ou sentimento que todos nós procuramos tem que ser conquistado, no sentido de aprender a reconhecê-lo. A felicidade pode segundo certos pontos de vista ser sinónimo de possuir bens materiais, de ser rico, de poder comprar muitas coisas. Mas quantos de nós quando estamos carentes, ou nos chateamos com alguém, ou sentimos sós, nos afogamos num centro comercial e toca de comprar compulsivamente, para compensar uma tristeza. E encontrar a suposta felicidade.
Hoje, após a experiência da felicidade comprada em prateleira e instantânea, decidi experimentar outra. Sim, digo instantânea porque esse momento a que associava à felicidade durava apenas o momento da compra e a primeira vez que utilizava a nova aquisição. E pronto, lá se ia a felicidade! Por mais que eu tenta-se detê-la ela desaparecia sem eu dar por isso e o vazio parecia ainda maior.
Agora, tomo ou pelo menos tento conquistar e sentir a felicidade de outra maneira! Claro que não deixei totalmente de parte a minha veia consumista. Contudo, agora quando compro algo de que eu gosto isso passa a ser apenas um prazer e a minha felicidade não depende de ter ou não aquele objecto.
A felicidade passei a encontrá-la todos os dias desde que eu queira e esteja disposta a isso. Para tal basta olhar de forma bem disposta para as coisas simples da vida. Sinto que um boa gargalhada com uma amiga, uma actividade pela qual eu tenho paixão, entre muitas coisas constituem a minha felicidade. Não se trata mais de possuir coisas ou pessoas mas de estar com as pessoas e viver momentos de prazer. E não é a busca de um sentimento permanente, mas sim retalhos de momentos acumulados ao longo do dia, da semana, do mês, que fazem com que a felicidade perdure no tempo.
segunda-feira, novembro 22, 2004
Fumo à porta...
Que me desculpem os fumadores mas considero que as novas medidas restritivas sobre os locais onde se pode fumar agradam-me. Podem até ser demasiado drásticas, mas penso que se forem medidas mais brandas, os fumadores cumprem no início e depois aos poucos voltam ao antigamente, porque pelo facto de serem diminutas ninguém as sente e cumpre realmente. No entanto, tem que haver vontade por parte dos fumadores em cumprir e respeitar a lei e por sua vez existir fiscalização, senão de que serve!
Muitas vezes os fumadores compulsivos não se colocam no papel daqueles que tomaram a opção de não fumar e não querem levar com o fumo dos outros. Eles não imaginam o quanto é desagradável ter que levar com o fumo e cheiro do cigarro num elevador, e ficar com a roupa e cabelo a cheirarem a tabaco. Ainda, mais constrangedor é ter que suportar um hálito de fumadores pouco cuidados, que ao abrirem a boca levamos com um cheiro de tabaco nauseabundo.
Pensando bem, estas medidas restritivas acabam por beneficiar, em primeiro os fumadores sempre são menos cigarros que fumam, o que é bom para a carteira e para a saúde. Depois, é bom para os não-fumadores deixam de ser fumadores passivos em grande parte dos locais públicos. E por último, permite ao Estado fazer algumas economias a longo prazo, através da possível redução do número de doentes com cancros e outras doenças que derivam do tabaco.
Não me venham os fumadores defender a ideia que o cigarro é bom para baixar os níveis de "stress", mas que bonita forma de reduzir a ansiedade se por outro lado o tabaco provoca doenças gravíssimas e já está confirmado que é o acto de fumar que acalma e não o cigarro em si. Por isso, nada como procurar alternativas para aliviar o "stress", garanto que há muitas.
Muitas vezes os fumadores compulsivos não se colocam no papel daqueles que tomaram a opção de não fumar e não querem levar com o fumo dos outros. Eles não imaginam o quanto é desagradável ter que levar com o fumo e cheiro do cigarro num elevador, e ficar com a roupa e cabelo a cheirarem a tabaco. Ainda, mais constrangedor é ter que suportar um hálito de fumadores pouco cuidados, que ao abrirem a boca levamos com um cheiro de tabaco nauseabundo.
Pensando bem, estas medidas restritivas acabam por beneficiar, em primeiro os fumadores sempre são menos cigarros que fumam, o que é bom para a carteira e para a saúde. Depois, é bom para os não-fumadores deixam de ser fumadores passivos em grande parte dos locais públicos. E por último, permite ao Estado fazer algumas economias a longo prazo, através da possível redução do número de doentes com cancros e outras doenças que derivam do tabaco.
Não me venham os fumadores defender a ideia que o cigarro é bom para baixar os níveis de "stress", mas que bonita forma de reduzir a ansiedade se por outro lado o tabaco provoca doenças gravíssimas e já está confirmado que é o acto de fumar que acalma e não o cigarro em si. Por isso, nada como procurar alternativas para aliviar o "stress", garanto que há muitas.
Em Memória,
de todos aqueles que perderam a vida em acidentes de viação, a sociedade civil mobilizou-se e promoveu iniciativas, hoje. Quanto às autoridades essas não apareceram e parecem não querer dar o seu contributo! Um dos primeiros passos está dado! A tomada de consciência e a movimentação da sociedade civil, em associações para lutar contra este flagelo, já é uma realidade nacional.
Mas esse passo deveria ser acompanhado de medidas concretas e continuas a nível político. Não é apenas a mobilização de mais agentes policiais durante as épocas de maior trafego nacional (férias, e feriados prolongados) que vai resolver a questão. Estas medidas são apenas remendos, coisa que os nossos políticos fazem e muito bem. Tem que existir, também, nesta área uma política definida a longo prazo, e de preferência ser implacável com os infractores.
Ao aumentar as portagens e por as SCUTs podiam pensar na segurança e protecção daqueles que utilizam as estradas diariamente. Deveria-se começar pela os jovens (18 aos 25 anos, é nesta faixa etária que se verifica a maior número de mortos e feridos graves), com acções de sensibilizações intensivas e medidas de penalização outras que as simples multas que apenas fazem mal à carteira e não implicam qualquer tomada de consciência dos perigos rodoviários. E que tal o acompanhamento, durante um mês, de um paraplégico nas suas rotinas diárias, que sofreu um acidente de viação. "Conduza com prudência, não acontece só aos outros!"
Mas esse passo deveria ser acompanhado de medidas concretas e continuas a nível político. Não é apenas a mobilização de mais agentes policiais durante as épocas de maior trafego nacional (férias, e feriados prolongados) que vai resolver a questão. Estas medidas são apenas remendos, coisa que os nossos políticos fazem e muito bem. Tem que existir, também, nesta área uma política definida a longo prazo, e de preferência ser implacável com os infractores.
Ao aumentar as portagens e por as SCUTs podiam pensar na segurança e protecção daqueles que utilizam as estradas diariamente. Deveria-se começar pela os jovens (18 aos 25 anos, é nesta faixa etária que se verifica a maior número de mortos e feridos graves), com acções de sensibilizações intensivas e medidas de penalização outras que as simples multas que apenas fazem mal à carteira e não implicam qualquer tomada de consciência dos perigos rodoviários. E que tal o acompanhamento, durante um mês, de um paraplégico nas suas rotinas diárias, que sofreu um acidente de viação. "Conduza com prudência, não acontece só aos outros!"
quarta-feira, novembro 17, 2004
Politica, opinião, liberdade
1. Alguma coisa deve estar mal quando se consegue sentir tão bem a incomodidade que existe nalguns sectores do PSD, e depois há no congresso um unanimismo quase total. Sim, os partidos são máquinas que buscam o poder. E sim, está na sua natureza saber ser extremamente racionais quando se trata de preservar esse poder. Tudo isso é natural, mas por outro lado qual é então o sentido de haver um congresso, se não é nele que se consegue travar o verdadeiro debate dentro do PSD?
2. Sejam as portagens, o estabelecimento ou não de uma comissão de inquérito sobre um qualquer tema, o referendo à constituição europeia, seja sobre lá o que for, conseguem-se contar pelos dedos os casos em que algum deputado de um partido vota contra a sua bancada.
3. Nós sabemos que este governo fez uma inversão de rumo (não está aqui em causa se boa ou má), e que poderia até voltar a fazer as que quisesse, que muito dificilmente deixaria de ter garantido o apoio parlamentar. Será que assim podemos ainda querer ver o parlamento como um verdadeiro "controlador" da acção governativa?
Este não é um problema do PSD, obviamente. São apenas dois exemplos, para mostrar porque acho que em geral a lógica partidária e o seu funcionamento explicam muito do desinteresse pela causa pública, e da excassez de pessoas com qualidade dispostas a dedicar-se a ela. Essencialmente por ser uma lógica castradora da liberdade e autonomia de pensamento, da criatividade e individualidade de cada um, ou que pelo menos subordina esses valores ao serviço dos objectivos do partido. Sendo realista, faz sentido que as coisas funcionem dessa forma, mas em Portugal a fidelidade partidária é levada a um limite que subverte o próprio sistema político, e o papel que devia ser e não desempenhado pelo parlamento.
E quantos estão dispostos a sacrificar a liberdade de julgar aquilo em que sobre um ou outro assunto acredita e julga ser o melhor para o país, a bem do objectivo do partido? Podemos achar que serão mais ou menos, mas são certamente os melhores aqueles que menos estão dispostos a sacrificar essa sua liberdade. E o facto é que os partidos são o meio mais importante que os cidadãos têm de chegar à política e ao exercício de cargos políticos, e esta lógica de funcionamento partidário que é cultivada, de seguidismo e falta de independência das pessoas, consegue de facto empobrecer a vida política.
Que diferença poder ouvir um José Pacheco Pereira, um Manuel Alegre ou um António Barreto, quando estamos habituados às marionetas e yes-man's do costume, que antes de abrirem a boca já nós sabemos quem e o que vão defender!
2. Sejam as portagens, o estabelecimento ou não de uma comissão de inquérito sobre um qualquer tema, o referendo à constituição europeia, seja sobre lá o que for, conseguem-se contar pelos dedos os casos em que algum deputado de um partido vota contra a sua bancada.
3. Nós sabemos que este governo fez uma inversão de rumo (não está aqui em causa se boa ou má), e que poderia até voltar a fazer as que quisesse, que muito dificilmente deixaria de ter garantido o apoio parlamentar. Será que assim podemos ainda querer ver o parlamento como um verdadeiro "controlador" da acção governativa?
Este não é um problema do PSD, obviamente. São apenas dois exemplos, para mostrar porque acho que em geral a lógica partidária e o seu funcionamento explicam muito do desinteresse pela causa pública, e da excassez de pessoas com qualidade dispostas a dedicar-se a ela. Essencialmente por ser uma lógica castradora da liberdade e autonomia de pensamento, da criatividade e individualidade de cada um, ou que pelo menos subordina esses valores ao serviço dos objectivos do partido. Sendo realista, faz sentido que as coisas funcionem dessa forma, mas em Portugal a fidelidade partidária é levada a um limite que subverte o próprio sistema político, e o papel que devia ser e não desempenhado pelo parlamento.
E quantos estão dispostos a sacrificar a liberdade de julgar aquilo em que sobre um ou outro assunto acredita e julga ser o melhor para o país, a bem do objectivo do partido? Podemos achar que serão mais ou menos, mas são certamente os melhores aqueles que menos estão dispostos a sacrificar essa sua liberdade. E o facto é que os partidos são o meio mais importante que os cidadãos têm de chegar à política e ao exercício de cargos políticos, e esta lógica de funcionamento partidário que é cultivada, de seguidismo e falta de independência das pessoas, consegue de facto empobrecer a vida política.
Que diferença poder ouvir um José Pacheco Pereira, um Manuel Alegre ou um António Barreto, quando estamos habituados às marionetas e yes-man's do costume, que antes de abrirem a boca já nós sabemos quem e o que vão defender!
quinta-feira, novembro 11, 2004
Paradoxal (?)
E em que sentido deveria Sharon dar tréguas? Parece-me que têm havido erros de ambos os lados, mas é curioso a imagem que estamos habituados a ter de Sharon e verificar depois que ele, no panorama interno de Israel, tem por diversas vezes assumido um papel de moderação e luta contra as alas mais radicais do seu partido e da sociedade israelita.
Quanto à morte de Arafat, foi triste todo este espectáculo de o ver a ser morto e ressuscitado dia após dia.
Quanto à morte de Arafat, foi triste todo este espectáculo de o ver a ser morto e ressuscitado dia após dia.
Paradoxal
Hoje faleceu Arafat! Precisamente, no mesmo dia em que os franceses celebram o Armistício da Grande Guerra! Será, que com a morte de Arafat, Sharon vai dar também ele tréguas aos Palestinianos?
terça-feira, novembro 09, 2004
EUA e Bush
Reflexões interessantes:
Do Luciano Amaral, sobre a geração representada por Kerry, n'O Acidental.
Dois posts muito interessantes do Filipe Alves, sobre a (falsa) superioridade moral da Europa sobre os EUA, aqui e aqui. Concordo inteiramente.
Do Luciano Amaral, sobre a geração representada por Kerry, n'O Acidental.
Dois posts muito interessantes do Filipe Alves, sobre a (falsa) superioridade moral da Europa sobre os EUA, aqui e aqui. Concordo inteiramente.
Bela Iniciativa
No Jornal o Público desta manhã vem uma grande entrevista com António Lobo Antunes, para comemorar os seus 25 anos de carreira. Porque, é em vida que se deve demonstrar aos grandes homens da cultura o quanto eles contribuem para o nosso enriquecimento pessoal, ao lermos os seus livros, mas também para toda uma nação e cultura lusitânia, que felicito este gesto.
António Lobo Antunes é hoje homenageado no Teatro São Luiz. Esta bela iniciativa vai também permitir lançar o seu novo livro. Para os mais curiosos e amantes da escrita de Lobo Antunes deixo-vos o privilégio de descobrir na vossa livraria preferida o seu último livro.
quarta-feira, novembro 03, 2004
Mau jornalismo
Numa revista conceituada portuguesa veio uma reportagem que me arrepiou, quando me dei conta da forma como era tratado o tema da maternidade na adolescência. Em primeiro lugar é um tema que me toca profundamente e em segundo os casos aí tratados são meus conhecidos.
Considero que houve por parte do (a) jornalista uma falta de ética profissional ao não preservar a identidade das pessoas retratadas nessa reportagem. O objectivo de um artigo deste género é o de informar, dar conta de uma realidade não é por a nu a identidade, a imagem de jovens que já por si fragilizadas pelas suas histórias de vida quanto mais expor as suas fotografias, os seus nomes verdadeiros, assim como o dos seus filhos.
É um erro profissional muito grave em meu entender revelar desta forma a identidade das pessoas sem pensar nas consequências para essas mesmas jovens. Apesar de estas darem o consentimento para falarem da sua história, isso não dá direito de utilizar a informação sem o mínimo de cuidado!
A história de vida destas jovens é infelizmente a de muitas outras mães adolescentes, então não vejo o motivo para personalizar em demasia casos específicos. Se a função da reportagem é de alertar a opinião pública para a questão do ser-se mãe na adolescência, não haverá necessidade de destacar desta forma jovens com fotos e com os nomes verdadeiros. Elas já se sentem por vezes estigmatizadas e sentem desconfiança perante os adultos e instituições que pretendem ajudá-las agora por favor não venha um repórter dar cabo de todo um trabalho feito no sentido de proteger e salvaguardar estas jovens.
terça-feira, novembro 02, 2004
Se fosse americano (continuação)
Enquanto esperava ter tempo para poder explicar a razão da minha opinião, tive oportunidade de ler o post que JPP sobre este mesmo assunto, e parece-me que a razão por ele apontada é de facto a fundamental. Ninguém ignora os erros que Bush cometeu, mas a política que ele tem seguido é essencialmente a correcta.
Em política interna parece-me haver muito a apontar a Bush, embora não menos a apontar a algumas ideias de Kerry como a do proteccionismo para defender empregos. É a política externa que acho mais importante avaliar, e Kerry acabou por adaptar o seu discurso à ideia de que fará no essencial o mesmo que Bush, apenas de outra forma. Na verdade não sabemos muito bem o que virá dali, e pelo menos em Bush os americanos têm alguém de quem sabem o que podem esperar. Olhando para a base de apoio que suporta Kerry, não é de esperar que saiba manter a mesma firmeza e força de vontade nas muitas decisões dificeis que ainda é preciso tomar. Não basta ser um "não-Bush" para fazer melhor.
Segundo a Economist há que escolher entre o Incompetente e o Incoerente. Pois bem, eu prefiro quem escolheu o caminho certo e em muitos casos mostrou incompetência para o seguir, do que quem não tem sequer um caminho e irá certamente seguir o mais fácil, e errado.
É uma pena que tão poucos consigam ver, um pouco que seja, para além da imagem de atrasado mental que Bush parece representar, as questões tão importantes que nesta eleição se vão decidir. É uma pena, e é preocupante.
Em política interna parece-me haver muito a apontar a Bush, embora não menos a apontar a algumas ideias de Kerry como a do proteccionismo para defender empregos. É a política externa que acho mais importante avaliar, e Kerry acabou por adaptar o seu discurso à ideia de que fará no essencial o mesmo que Bush, apenas de outra forma. Na verdade não sabemos muito bem o que virá dali, e pelo menos em Bush os americanos têm alguém de quem sabem o que podem esperar. Olhando para a base de apoio que suporta Kerry, não é de esperar que saiba manter a mesma firmeza e força de vontade nas muitas decisões dificeis que ainda é preciso tomar. Não basta ser um "não-Bush" para fazer melhor.
Segundo a Economist há que escolher entre o Incompetente e o Incoerente. Pois bem, eu prefiro quem escolheu o caminho certo e em muitos casos mostrou incompetência para o seguir, do que quem não tem sequer um caminho e irá certamente seguir o mais fácil, e errado.
É uma pena que tão poucos consigam ver, um pouco que seja, para além da imagem de atrasado mental que Bush parece representar, as questões tão importantes que nesta eleição se vão decidir. É uma pena, e é preocupante.
segunda-feira, novembro 01, 2004
Curso de Condução Defensiva
Por um mero acaso, tive este Sábado a oportunidade de participar num Curso de Condução Defensiva, leccionado pela CR&M. Fui sem saber ao que ía, e sem qualquer expectativa em especial, mas o resultado acabou por ser tão interessante que acho importante dar aqui o testemunho.
Começámos por fazer uma análise de acidente, observando as várias causas e factores inerentes ao meio, veículo e condutor, assim como a atitude que devemos colocar na nossa condução, ou a correcta posição de condução e maneabilidade. Falámos ainda de como a atenção e a velocidade de reacção são factores importantes para se evitar o acidente, e da questão da distância de travagem e paragem, e de como com o aumentar da velocidade o condutor vai perdendo a capacidade de avaliar as distâncias.
Durante a tarde pudemos aprender qual a forma correcta de enfrentar travagens de emergência com e sem ABS, com e sem desvio de obstáculos, e de como controlar o veículos em situações de sub e sobre viragem. E isto com oportunidade de testar nos veículos aquilo que nos havia sido ensinado como as formas correctas e incorrectas.
Ao contrário do que esperava, a formação acabou por ser muito interessante e contrariar algumas ideias de senso comum. Para dar um exemplo, quantas pessoas sabem que numa travagem de emergência se deve carregar SEMPRE na embraiagem, porque o contrário só ajuda a que o carro entre em desiquilibrio e se descontrole? E mais ainda, será normal que este tipo de conceitos elementares (mas infelizmente tão pouco conhecidos) não seja dado quando se tira a carta?
Acredito que todos saimos da formação a saber mais sobre como devemos conduzir, e mais conscientes das nossas limitações e de como os nossos erros e/ou descuidos podem ter consequências tão graves. As coisas que pude aprender foram como um banho de humildade, e acrescentado a isso o excelente atendimento e a filosofia de qualidade no ensino só posso dizer a quem tenha oportunidade de frequentar o curso que o faça pois vale bem a pena!
E, por fim, será que o investimento neste tipo de formação não produziria mais resultados do que a simples repressão e autêntica caça à multa a que assistimos no nosso dia-a-dia?
Começámos por fazer uma análise de acidente, observando as várias causas e factores inerentes ao meio, veículo e condutor, assim como a atitude que devemos colocar na nossa condução, ou a correcta posição de condução e maneabilidade. Falámos ainda de como a atenção e a velocidade de reacção são factores importantes para se evitar o acidente, e da questão da distância de travagem e paragem, e de como com o aumentar da velocidade o condutor vai perdendo a capacidade de avaliar as distâncias.
Durante a tarde pudemos aprender qual a forma correcta de enfrentar travagens de emergência com e sem ABS, com e sem desvio de obstáculos, e de como controlar o veículos em situações de sub e sobre viragem. E isto com oportunidade de testar nos veículos aquilo que nos havia sido ensinado como as formas correctas e incorrectas.
Ao contrário do que esperava, a formação acabou por ser muito interessante e contrariar algumas ideias de senso comum. Para dar um exemplo, quantas pessoas sabem que numa travagem de emergência se deve carregar SEMPRE na embraiagem, porque o contrário só ajuda a que o carro entre em desiquilibrio e se descontrole? E mais ainda, será normal que este tipo de conceitos elementares (mas infelizmente tão pouco conhecidos) não seja dado quando se tira a carta?
Acredito que todos saimos da formação a saber mais sobre como devemos conduzir, e mais conscientes das nossas limitações e de como os nossos erros e/ou descuidos podem ter consequências tão graves. As coisas que pude aprender foram como um banho de humildade, e acrescentado a isso o excelente atendimento e a filosofia de qualidade no ensino só posso dizer a quem tenha oportunidade de frequentar o curso que o faça pois vale bem a pena!
E, por fim, será que o investimento neste tipo de formação não produziria mais resultados do que a simples repressão e autêntica caça à multa a que assistimos no nosso dia-a-dia?
Ar fresco
Há pessoas que dá gosto ouvir, mesmo não concordando eventualmente com partes do que é dito. A verdadeira liberdade de espírito e de pensamento é tão rara de se ver que, quando vista, não deve deixar de ser elogiada.
Vale a pena ler a reprodução que o Público faz da entrevista a António Barreto.
Vale a pena ler a reprodução que o Público faz da entrevista a António Barreto.
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