segunda-feira, setembro 06, 2004

Terrorismo televisivo

As imagens que indignaram, chocaram e apavoraram o mundo, chegaram até nós através dos meios de comunicação, e sobretuddo audiovisuais. Estes têm por legitimidade o direito de informar! Qual será a forma mais adequada?
É a de nos bombardearem com os acontecimentos de grande violência, para além daquilo que muitas vezes pensamos que o ser humana é capaz de fazer. Agora coloco uma questão será que não estão a "colaborar" com os terroristas? Quero eu dizer com isto que a repetição constante deste tipo de notícias e a forma por vezes sensacionalista como apresentam a informação, só vem criar um sentimento muito grande de terror e insegurança a nível planetário! E não será justamente isso que os terroristas querem! Semear o pânico e demonstrar que eles são capazes das piores atrocidades e nada melhor que publicitar esses actos através dos meios de comunicação mundiais. Para além de que este tipo de acto inqualificável pode dar ideias a outros.
Não estão os órgãos de comunicação a serem manipulados inconscientemente pelo poderio das organizações terroristas?

terça-feira, agosto 31, 2004

Sobre John Kerry

No O Acidental, um excelente post do Luciano Amaral.

"Barco do Aborto" já ganhou?

Tenho as minhas dúvidas sobre a legalidade da decisão do Governo de proibir a entrada da embarcação em águas portuguesas, mas é acima de tudo uma decisão política. Esta proibição faz todo o sentido. Antes de mais: Concorde-se ou não com a lei, ela existe, foi aprovada por consulta popular (lembram-se?), é inteiramente legítima, e para ser cumprida e respeitada. Este é o príncipio básico de qualquer estado de direito.

A polémica com o "Barco do Aborto" e, aliás, a ideia em si da sua existência e actividade, tem a ver com tudo menos com os problemas da mulher que se possa ver obrigada a fazer um aborto. Não é preciso ser muito perspicaz para perceber isto. O seu propósito é suscitar polémica e provocar debate no sentido da liberalização da prática do aborto.

Tendo em conta a importância que veio dar ao fenómeno, e o efeito que tem de levantar os ânimos, levanta-me algumas dúvidas se esta decisão não terá um efeito contrário ao pretendido. Como aponta JPP, andar com vasos de guerra a cercar o dito barco como se se tratasse de alguma ameaça nacional é um folclore desnecessário. É o tipo de atitude que corre o risco de ser contra-producente, da mesma forma que a entrada do barco seria provavelmente contra-producente para aqueles que defendem uma posição moderada a favor da liberalização. Já todos percebemos que vai haver um referendo, e é nele, e não na agenda política imediata, que o governo deveria começar a pensar. Ainda assim, volto a dizer, a decisão não deixa de fazer todo o sentido.

segunda-feira, agosto 30, 2004

Nada de Cedências

Como em todos os jogos de poder utilizam-se armas sujas para se tentar conseguir o que se quer. No caso do Terrorismo o rapto de civís, jornalistas inocentes é sem dúvida um meio de pressão muito macabro! No caso específico dos jornalistas franceses, considero ainda mais imoral, dado que, este acto pretende obrigar um Estado Soberano a alterar a sua política interna.

No meu entender a França não deve ceder a extremistas islamicos que visam derrubar um dos princípios básicos dos governos democráticos, que é o de ser laico. A revogação da lei sobre a proibição do uso do véu nas escolas públicas, portanto laicas, só viria dar força aos extremistas e enfraquecer aqueles que de forma pacífica defendem a liberdade e a democracia.

sábado, agosto 28, 2004

Intimidade e Big Brother

A propósito do post no Respublica, sobre o Zé Maria, o Big Brother é de facto um programa de pouca qualidade, e a própria ideia por trás da sua concepção pode considerar-se perversa. Mas o problema em haver tantos se sujeitam a participar nele e, em seguida, nos que ficam do lado de cá a alimentar o "monstro" com a sua curiosidade e audiência.

Da mesma forma que há uma diferença entre quem expõe a sua vida privada nas revistas e jornais, e tentando usar isso em seu proveito (o que a longo prazo nem sempre acontece), e aqueles que se podem realmente queixar de ter a sua privacidade e intimidade invadidas.

sexta-feira, agosto 27, 2004

Um ano depois

"Terça-feira, Agosto 26, 2003

Depois de algum tempo como observador da blogoesfera resolvi fazer a experiência de passar para este lado.O tempo dirá o que este blog será ao certo ou se chegara a ser alguma coisa.
# posted by Pedro @ 04:02"

Assim começou o Ilha Perdida, fez ontem um ano. O tempo fez o seu papel e, com alturas melhores e piores, o Ilha Perdida foi sabendo encontrar o seu caminho. Em todos os sentidos, tem sido uma experiência enriquecedora.

Àqueles que nos visitam e nos acompanham, muito obrigado!

quinta-feira, agosto 26, 2004

Ilha Perdida em Festa!

A Ilha Perdida faz hoje um ano que foi encontrada pelo seu primeiro residente o Pedro. Em Abril a Maria também descobriu os encantos de viver nesta Ilha, onde há lugar para expressar e debater questões políticas, económicas, sociais e até existenciais!

Como todos os colegas bloguistas sabem esta aventura do Blog exige de cada um de nós dedicação, entusiasmo e actualização sobre o que se passa no “Mundo lá fora!”. Ao chegar ao primeiro aniversário é sem dúvida um orgulho e uma vitória para aqueles que se lançaram neste projecto. E hoje tomo a liberdade de felicitar os dois moradores da Ilha Perdida por manterem-na como um espaço de reflexão pessoal, onde se pode ler e verificar de forma aberta, a existência de mentes críticas, que reagem com os seus meios, ao que se passa à sua nossa volta.

Estão também de Parabéns, os que nos visitam e todos aqueles que fazem do seu melhor para manter este espaço cibernaútico, que é o mundo Bloguista!

quarta-feira, agosto 18, 2004

Renováveis

Talvez agora, com o aumento constante do petroleo, o país, os governantes, autarcas e empresários vão considerar a hipótese de apostar nas energias renovaveis. Afinal de contas, sol, vento e oleos usados não é o que falta por este país fora. No entanto, o que me causa alguma perplexidade é que até agora as diferentes associações ambientalistas nunca tido como cavalo de batalha a questão das energias alternativas.
Porque será que seguimos os maus exemplos dos outros e nunca os bons. Em certos países da Europa a iluminação pública é feita através de páneis solares, que também são utilizados para o aquecimento de creches, hospitais e outros edifícios públicos. Portugal tem recursos naturais em abundância e não tem que estar completamente depende de outros em termos energéticos.

segunda-feira, agosto 16, 2004

Código da Vinci

Como policial pode até considerar-se dentro do banal, mas é a teoria que tenta passar que nos agarra do ínicio ao fim. Curiosamente, até mais no ínicio que no fim (na minha modesta opinião). O livro disserta sobre a Opus Dei, uma Sociedade Secreta com o objectivo de proteger uma mensagem que vem desde o nascimento do cristianismo, a história do cristianismo, o Santo Graal, etc.

Por manifesta falta de bases para o fazer, não vou comentar a teoria que o livro apresenta. Ainda assim, e mesmo que boa parte dos argumentos possa ser de veracidade duvidosa, tem pelo menos a qualidade inestimável de nos fazer entrar e pensar em temas que geralmente ignoramos quase por completo.

Sem dúvida, um livro a ler!

Expectativas

As expectativas são a projecção rígida daquilo que queremos que as pessoas, as situações e acontecimentos sejam. As expectativas são falsas esperanças que baseamos no exterior, das quais depende a nossa felicidade. Com isto, quero dizer por exemplo que as férias de verão sem sol não são férias! O meu marido não me compra as minhas flores preferidas deixo de gostar dele, porque ele não corresponde às minhas expectativas. Essas mesmas expectativas tornam-nos ansiosos, visto que queremos que algo aconteça tal e qual como tínhamos previsto, daí as expectativas causarem dor e sofrimento, porque quando as coisas não acontecem com planeamos ficamos frustrados e infelizes. Ao ter expectativas não damos lugar ao imprevisto. Elas criam situações de inflexibilidade por parte de quem as tem.

Onde não há expectativas face aos outros, aos acontecimentos ou às situações damos lugar ao imprevisto, à surpresa, o que permite viver aquele instante da melhor maneira, aproveitando as alterações momentâneas das circunstâncias e até ficar agradavelmente surpreendido. O facto de aceitar os imprevistos e não planear nem criar, demasiadas ou nenhumas expectativas, estamos abertos para receber as coisas sem estar preso a esquemas mentais de felicidade interna. O não estar expectante permite ser livre de parâmetros internos e assim atingir um contentamento constante, sem flutuações de estados de humores que dependem ou não da concretização das nossas expectativas.

quarta-feira, agosto 11, 2004

Recordar Zéca Afonso

Recordar a pessoa de Zéca Afonso é o avivar a memória dos que foram seus contemporâneos nas lutas e ideias, mas é sobretudo o ensinar e não deixar esquecido este grande poeta e cantor da música de intervenção, não esquecendo a sua faceta de fadista na arte de fado de Coimbra.

Considero que deveria fazer parte dos manuais de história no secundário falar dos grandes homens que lutaram pelos ideais de liberdade, utilizando para isso a poesia, a música ou as artes em geral. Muitas vezes se esquece que grandes artistas à maneira deles também fizeram a revolução através da sua pintura, literatura e canção.

Vegetarianismo

Ser-se vegetariano neste momento tanto pode ser um fenómeno de moda, como uma opção de vida. No entanto, o que é de louvar é que mesmo que seja por um efeito de moda vai incutindo bons hábitos alimentares nos apreciadores deste tipo de alimentação.

É notório verificar de há uns anos a esta parte o número de restaurantes vegetarianos que encontramos pela capital e até pelo país fora. O que pode ser uma boa estratégia para regressar aos bons sabores do mediterrâneo, onde o azeite os frutos secos e a leguminosas eram a base da alimentação portuguesa. Muitas vezes, associado a este tipo de prática alimentar, está uma filosofia de vida também muito mais “zen” o que é sem dúvida uma aposta em termos de saúde. Portanto, nada como “mens sana in corpore sano!”

sexta-feira, agosto 06, 2004

Put your money where your mouth is

No excelente blog que é o No Quinto dos Impérios, encontrei este post que não resisto a transcrever:

"Afinal parece que os imperialistas Americanos e os seus lacaios Britânicos são os principais contribuintes para o fundo das Nações Unidas de assistência humanitária para o Sudão. Juntas, as contribuições de Estados Unidos e Reino Unido somam mais US$118,051,820 o que representa mais de 55% das contribuições. Dados oficiais de hoje. Dia 4 de Agosto.

Alemanha, França e, já agora a Comissão Europeia para dar uma ajudinha, somam, todos juntos, 8.87% do total de donativos.

É mesmo daquelas situações em que apetece dizer: pois..."

Finalmente!

O que se esperava para despachar o Cardoso e Cunha da TAP? Num país em que os casos de mérito, ainda para mais em empresas públicas, não são propriamente abundantes, há que aplaudir esta decisão apesar de ser puro bom senso. Só me espanta que tanto se tenha demorado a fazer o óbvio!

quarta-feira, agosto 04, 2004

Casino

Esta governação começa já com vários erros mas quero desde já apontar um que me irrita profundamente. A área metropolitana de Lisboa já tem um casino, qual é a necessidade de ter um segundo? É verdade que como presidente da câmara as ideias não eram brilhantes e infelizmente elas são levadas agora à pratica por outros. A ideia de colocarem no pavilhão do futuro um Casino é absolutamente inadmissível com tantas formas mais produtivas de aproveitar aquele espaço. O que impera aqui é só a lei do lucro imediato e da “estupidificação” das pessoas.

Porque não utilizar o pavilhão do futuro como centro de lazer que incluiria uma Biblioteca, um Centro de Animação Cultural com “ateliers” de pintura, desenho, teatro entre outros, para as pessoas e famílias que ao fim de semana aproveitam para irem à Expo. Um das grandes apostas para pensar em lucro neste país é a formação das pessoas a todos os níveis, porque são os espíritos críticos e mentes esclarecidas que permitem uma evolução social e económica mais sustentável.

domingo, agosto 01, 2004

Férias

As férias estão aí e muitas pessoas preparam-se para aproveitar o sol apanhando longos banhos de sol e de mar. Não importa a hora, nem os efeitos a longo prazo do bronze, o importante é que quando regressar a vizinha do lado tem que reparar na cor escura da pele e dizer: “aproveitou muito das férias!” E que férias... uma a duas horas de trânsito todas as manhãs até chegar à tão desejada praia. Quando chegam là há tanta gente que temos que negociar um cantinho para por a toalha, a geleira, o guarda-sol e a cadeira da avó para ela poder fazer e sua renda e nos deixar em paz.

As crianças, por sua vez, têm que evitar não deitar muita areia para cima do vizinho de praia. Senão vai haver chatices! Contudo, se deitarem também não faz mal, afinal estamos em férias e não nos queremos preocupar com isso. Depois de um dia bem passado ao sol em que tivemos que ouvir a discussões conjugais dos vizinhos de toalha, a criancinhas que nos atiram com a bola e os salpicos de água gelada dos banhista, as férias, são uma maravilha.

Regresso a casa, fila na casa de banho para tomar banho, e o marido que nunca mais chega com o frango assado! São férias e não apetece fazer jantar. Vai um frango de churrasco que as crianças até gostam. Depois do jantar nada como ir a uma esplanada cheia de gente em que mais uma vez o contacto com o vizinho de cadeira é muito próximo e a crianças pedem o terceiro gelado do dia. Só que, como estamos de férias e não nos queremos aborrecer, cedemos à chantagem afectiva das crianças. Finalmente as férias que são um motivo para a pessoa recuperar de um longo ano de trabalho acaba-se por aceitar coisas inaceitáveis tudo em nome de umas férias.

quinta-feira, julho 29, 2004

É a prevenção, estúpido!

Concordo inteiramente com o que diz a Maria. Está na hora de em Portugal se perceber que o problema dos incêndios não está na falta de meios humanos ou materiais. O problema está na prevenção, no tratamento devido da floresta. Os proprietários devem ser obrigados a cuidar do que lhes pertence, limpando áreas florestais que lhes pertencem e tendo o cuidado de garantir que, em caso de incêndio, os bombeiros consigam ter acesso. É isto que é preciso fazer. Mas o governo, ao que parece, e depois de assistir ao que sucedeu o ano passado, achou por bem não mexer uma palha para mudar a situação.

terça-feira, julho 27, 2004

Erros Incompreensíveis

Pelo segundo ano consecutivo os incêndios devoram o nosso país, sem que se tenham tomado as medidas adequadas para minimizar os tragos. No mínimo devia-se ter retirado as madeiras ardidas dos anos anteriores, mas também insistido com os proprietários para a limpeza das matas, incentivando-os a aderir a fundos europeus que financiam esse tipo de trabalho, assim como podiam ter utilizado os jovens voluntários do exercito para construírem acessos.

É incompreensível como é que uma área protegida como o Parque Natural da Serra da Arrábida não tenha acessos condignos, ou algum estrutura de prevenção e combate a fogos. Visto que é uma área protegida mais uma razão para se apostar na prevenção a dobrar. Só pode ser má gestão porque depois dos exemplos do ano passado, como o exemplo do Parque Natural do Marvão, deveria ter sido uma chamada de atenção para os outros Parques e Reservas Naturais e para o ICN – (Instituto da Conservação da Natureza) tomarem medidas.

O planeamento e concepção de planos de actuação em caso de incêndios é um elemento fundamental em termos de preservação ambiental. No entanto, ninguém do Parque Natural da Serra da Arrábida, do ICN ou mesmo da Câmara Municipal de Setúbal evocaram qualquer medida de prevenção pensada previamente para evitar tal catástrofe. Mais uma vez prefere-se remediar em vez de prevenir!

sábado, julho 24, 2004

Sinais

Estou expectante, e muito curioso, para ver no vai dar este governo. Não digo isto no bom ou mau sentido, é uma curiosidade sincera. Ainda assim, não deixo de anotar alguns sinais negativos:

1. Como compreender que uma secretária de estado tenha mudado de um ministério para o outro a uma hora da tomada de posse? Não era suposto as pessoas serem escolhidos tendo em vista uma determinada função? Achei sintomático da formação deste governo, pois a ideia que fica é exactamente que primeiro se escolheram as pessoas, e depois lá se arranjaram e distribuiram as pastas.

2. Não me choca que se fale na possibilidade de baixar impostos, mas a ideia de baixar o IRS em detrimento do IRC... (sobre o assunto, subscrevo o que diz o Luciano Amaral)

3. Que dizer desta deslocalização dos orgãos do governo? É isto que se entende por descentralização?

sexta-feira, julho 23, 2004

Guitarra Portuguesa

Hoje o maior mestre, do instrumento mais genuíno português, Carlos Paredes deixou-nos.Ele que me acompanhou durante tantas horas de estudo.Contudo, deixou-nos uma obra maravilhosa, esse som inconfundível que transporta a nossa imaginação até à Cabra da Velha Torre (Coimbra).

A guitarra portuguesa é sem dúvida a nossa voz por esse mundo fora. Ela toca e fala em bom português em nome dos portugueses e de Portugal.O som da música de Carlos Paredes entra nas entranhas eleva o que de mais lusitano existe em nós. Oiçam garanto que é pura magia.

quinta-feira, julho 22, 2004

Amizades,

Elas podem ser de tipo horizontal, em que cada amigo(a) corresponde a uma determinada faceta nossa, ou da nossa vida e com quem partilhamos um gosto particular, ou determinados momentos da nossa vida (conversas, desabafos, viagens, saídas à noite, actividade desportiva…), ou algo que nos faz sentir bem com essa pessoa sem sabermos bem porquê. É uma pessoa que aparentemente não haveria compatibilidades, mas que no fundo existe uma química mental que nos atraí, e faz-nos sentir em sintonia com ela. Na amizade horizontal cada amigo(a) têm o mesmo grau de importância.

As Amizades do tipo vertical todos são “amigos” (não verdadeiro sentido da palavra) independentemente de termos coisas em comum ou não. Guardamos estes amigos porque são amigos de infância, embora já pouco ou nada tenham haver connosco. Neste tipo de amizade hierarquizamos o grau de importância que as pessoas têm para nós, aqui para além da distinção, dos amigos das conversas de café, dos amigos só para as noitadas, dos amigos íntimos.Neste tipo de amizade existe uma preferência por alguns deles, assim como uma maior ou menor proximidade, neste caso, os amigos não são todos íntimos, porque assim não o desejamos.

Consoante a fase da nossa vida optamos por um tipo de amizades ou por outro e por vezes até fazemos uma mistura das duas formas de Amizades. No entanto, o tempo faz com que sejamos mais selectivos. As amizades são relacionamentos que também se desgastam quando não existe um evoluir de parte a parte, não se cultiva a amizade ou quando os nossos interesses mudam, então optamos por novos amigos e um novo ciclo relacional e pessoal desenvolve-se.

quarta-feira, julho 21, 2004

Cada macaco no seu galho!

Tenho para mim que as agressões e violências desnecessárias  provocadas aos animais não podem passar indiferentes a uma sociedade que se considere civilizada. Por isso, aqui há uns tempos, e a propósito de uma campanha sobre o transporte de animais em que a LPDA (Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais) estava envolvida, resolvi fazer-me sócio. Lá fui eu ao Google procurar o site, e quando o encontro qual não foi o meu espanto ao ver que nele se convocavam os sócios da LPDA para participarem no cortejo, que então se ía realizar, contra a globalização.

Além me sabe explicar o que a luta contra a globalização tem a ver com a defesa dos direitos dos animais? Se sim, agradeço que expliquem... como não consegui compreender, e com muita pena, cheguei à conclusão que o melhor era não me fazer sócio. 

Outro tema em que todos deviam estar mais envolvidos do que se encontram: A defesa do ambiente e o respeito pelo ordenamento do território, onde ele ainda exista minimamente. Estou a pensar no exemplo na zona da Costa Vicentina, que é apenas o caso que melhor conheço. E sim, lá foi o bom do Pedro inscrever-se na LPN (Liga para a Protecção da Natureza). Hoje, estou a ver o jornal da SIC, e aparece-me o presidente da LPN a pedir a demissão do ainda quase nem empossado Ministro do Ambiente por este ter ligações a empresas no sector...

Até me parece que a escolha de Luís Nobre Guedes para o ambiente foi um pouco à pressão, e compreendo a crítica dos ecologistas de até agora nada se conhecer ou ter ouvido dele sobre o sector. Mas um ministro não poder ser ministro por já ter estado envolvido no sector que vai tutelar...? Que o PEV venha com esta conversa a gente percebe, uma associação ecologista é que não tanto.

 

Se, ao pé dos EUA, as sociedades europeias não são propriamente um exemplo de dinamismo e participação, que dizer da sociedade portuguesa? Mesmo quando se fala em sociedade civil, quantas vezes não estamos a falar associações ou organizações que se dizem provenientes da sociedade civil e, em tantos casos, só o são supostamente. A regra, infelizmente, é serem satélites de partidos e interesses políticos, que nada têm a ver com o seu anunciado objecto de actuação.

E atenção que isto não tem nada a ver com a opinião que cada um tem, pode e deve ter sobre os mais diversos assuntos, mas apenas com a legitimidade de usar associações que proclamam determinados objectivos, para perseguir outros. Quando se faz isto, apenas se está a comprometer e prejudicar a causa. Aquilo que se pensa e pretende deve ser defendido às claras e sem subterfúgios, e muito menos devirtuando outras lutas que não são menores, menos urgentes ou importantes. Cada macaco no seu galho!



Sistema de Comentários - Em fase de teste

Houve algumas razões para a opção do Ilhaperdida não ter sistema de comentários directo, mas apenas pelo mail. Ainda assim, não se perde nada por experimentar.

terça-feira, julho 20, 2004

Media - Bons hábitos

Quando da escolha de John Edwards como parceiro de John Kerry para as eleições presidenciais americanas, Mario Crespo perguntava a Luis Costa Ribas, no jornal da noite da SIC Notícias, se aquele seria o bilhete para a vitória, e  este, sem que lhe tivesse sido pedido, fez questão de esclarecer logo à partida que era apoiante de Kerry, para só depois expressar a sua opinião. 
 
O que esperam os nossos media para seguir estes exemplos de transparência e clareza? Parece que em Portugal (como no resto da Europa) os jornalistas e meios de comunicação social preferem continuar a defender os seus pontos de vista, legítimos mas subjectivos, sob a capa da "imparcialidade" e "objectividade" jornalística. Os que são realmente válidos, não precisam de falsas capas para vingar ou ser ouvidos.

Neo- Rurais,

Basta ir ao fim-de-semana ou nas férias de Verão para uma aldeia com interesse geográfico e/ ou cultural para observar que os seus habitantes já pouco têm de locais genuínos, mas passam a ser uma mistura híbrida de novos rurais à procura de autenticidade e das suas origens à muito esquecidas.

Os autóctones por sua vez acham estranho, como é que citadinos decidem ir viver sazonalmente para a sua “terra”, quando eles já poucos encantos lhe vêem a não ser o facto de ser a terra dos seus avós, pais e é onde sempre viveram. Aqui duas perspectivas contrárias se encontram, os que por terem deixado o campo e foram para a cidade (re)descobrem o encanto do viver na pacatez do meio rural.Por outro lado, existem os aldeões desiludidos com a vida do campo, porque a agricultura já não dá “nada”, como eles dizem.

Então a aldeia é apropriada pelos neo-rurais. E esta passa a ser uma micro sociedade de citadinos a (re)inventar o espaço rural, a autenticidade e a natureza e por outro temos os locais que passam a ser vendedores de tradições e de preservação dos espaços.

sexta-feira, julho 16, 2004

Inqualificável

A atitude que o governo Filipino se prepara para tomar perante o drama do rapto de um seu cidadão é vergonhosa. Vai ser a primeira cedência perante um rapto, e uma irresponsabilidade.

quarta-feira, julho 14, 2004

A diferença que faz ser do BE

Do quase clima de histeria que se seguiu à decisão de Sampaio sobre a não convocação de eleições antecipadas, já nem vou comentar as declarações da Dra Ana Gomes, mas junto-me ao Mar Salgado na perplexidade como não houve a mínima indignação com a reacção de Francisco Louça, acusando o Presidente da República de tomar decisões irresponsáveis e de ceder a interesses económicos.

Eu não quero imaginar o que seria o Paulo Portas fazer um comentário destes sobre o Presidente caso a decisão fosse a contrária...

Bem ou mal (eu pessoalmente penso que bem) Sampaio decidiu aquilo que entendeu melhor defender os interesses do país. Acima de tudo, decidiu em coerência com o que sempre havia advogado neste tipo de situações, e convinha que muitos dos que o apoiaram e agora se dizem traídos não se esquecessem disso.

segunda-feira, julho 12, 2004

Viver entre dois Mundos,

É viver entre duas culturas, duas formas de estar na vida, por vezes opostas. É ver o mundo sob dois ângulos diferentes. A questão está no adaptar a nossa forma de estar e de ser a um só mundo, enquanto que lá no fundo o outro está latente e nunca conseguimos nos separar dele.

É viver com a mais valia de ter duas culturas, duas formas de estar na vida, mas por vezes sentir-se dividido. No fundo nunca se consegue escolher, vive-se “cozinhando” um pouco das duas culturas. E não somos totalmente uma coisa, nem totalmente outra, trata-se sim de um mistura especial das duas! Provavelmente, é isso que faz com que nos sintamos diferentes e nunca totalmente preenchidos quer num contexto quer noutro, porque nos falta sempre algo.

sábado, julho 10, 2004

Continuidade!

Apesar de não me agradar a ideia, ou mais precisamente o perfil do futuro Primeiro Ministro, considero que a decisão tomada de não convocar novas eleições foi a mais acertada! Neste momento a estabilidade política tem de ser a prioridade. As alternativas, não o são neste momento, pois também eles vivem momentos de crise. Para além de que ainda não conseguiram convencer o seu próprio eleitorado de que são capazes de fazer melhor.

Embora, não sendo da tendência política deste governo, não posso deixar de lembrar que o maior partido da oposição a cada contrariedade foge dos seus compromissos, demitindo-se. Portugal precisa de homens corajosos e determinados para enfrentar a actual situação económica e não deixar as coisas a meio.

quinta-feira, julho 08, 2004

Já se faz tempo

Que qualquer decisão terá muito por onde ser criticada, parece mais que claro. Apesar dos muitos argumentos contrários, e uns são válidos mas boa parte estão longe disso, havendo uma convicção forte dos partidos maioritários no parlamento em querer concluir a legislatura, não deve ser o Presidente a impedi-los de o fazer. As opções erradas, ou eventuais clivagens que se viessem a fazer seriam julgadas no seu tempo próprio.

Sampaio também não deve procurar condicionar ou imiscuir-se na formação do governo, por isso implicar uma co-responsabilização que não cabe nas suas funções.

Já se faz tempo é de decidir!

segunda-feira, julho 05, 2004

Adeus Sofia!

“MAR

De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.”

Sofia de Mello Breyner Andresen “MAR” Poesia, editorial Caminho.

É com um profundo sentimento de respeito e de admiração que presto aqui a minha homenagem à Poetisa e Mulher, Sofia de Mello Breyner Andresen. E para isso nada melhor do que citar um dos poemas da sua Obra fantástica e inestimável!

sexta-feira, julho 02, 2004

Eleições antecipadas

1. Se o nosso sistema fosse verdadeiramente parlamentarista, e se tivessemos verdadeiros deputados que não devessem a sua eleição apenas ao partido que os coloca nas listas, mas também ao reconhecimento das pessoas pela sua qualidade pessoal, a questão das eleições antecipadas simplesmente não se colocaria.

Infelizmente, as coisas não são assim, e não é linear que o simples facto de se garantir no parlamento uma maioria de apoio a um novo governo resolva o problema da sua legitimidade. Não é correcto, por exemplo, que se compare a saída de Durão Barroso com a da Margaret Thatcher. Este é o grande problema e fraqueza de quem preferiria não ter eleições antecipadas.

2. Santana Lopes, para bem ou para mal, faz a diferença. Nesse sentido, o problema da legitimidade é agravado.

quinta-feira, julho 01, 2004

(Des)Apego

O apego às pessoas e às coisas cria uma sensação de amor e plenitude, mas é um sentimento vazio. Esse apego é muitas vezes motivo de dor, porque confundimos amor e prender o outro ou estar preso a alguma coisa. O apego torna-nos mesquinhos, calculistas e egocêntricos.

Hoje, em dia o que mais se vê, é relações de apego e muito pouco de amor. Pois, o amor implica o respeito pela diferença do outro, pela sua liberdade e por não estar preso à nada. O apego exige troca daquilo que damos, queremos que seja retribuído de igual maneira.

O desapego é uma forma de amor que não pede nada em troca, ele vem naturalmente, porque ele não prende ninguém, nem nada. O verdadeiro amor que é o desapego só ajuda a crescer as pessoas.

quarta-feira, junho 30, 2004

Ladrão de privacidade!

Quem anda de transportes ou em qualquer outro lugar público sabe que existe um objecto de estimação inseparável que toca ou vibra constantemente. Esse objecto de estimação expõe a nossa vida e a dos outros, o que é paradoxal quando o que mais desejamos é o direito à privacidade. Penso que já devem saber à que objecto me refiro, trata-se do telemóvel.

Pois, numa sociedade que promove o direito à privacidade e ao respeito pelo outro é incrível como se inventa tecnologia que expõe essa mesma intimidade e invade a dos outros. Enquanto, passamos por ilustres desconhecido nos nossos prédios, na maior parte das repartições públicas ou em qualquer outro local, graças a esse objecto maravilhoso o meu vizinho de autocarro pode ficar a saber se vou jantar fora, com quem e a que horas. Ele até pode ficar a saber o grau de intimidade que tenho com a pessoa com quem estou a falar, pela forma e pelo conteúdo da conversa.

Não é raro expormos a nossa vida em público. São exemplo disso discussões conjugais, amigas que contam o fim de semana com o tão desejado futuro namorado, ou mães que ligam para perguntar aos filho(a)s se faltaram às aulas…Muitas vezes não nos damos conta do ridículo, que é falar aos “gritoooohs” num lugar público ou na rua. Apesar destas situações contrangedoras não quero deixar de elogiar o mérito da sua existência e afinal cabe a cada utilizador ser responsável pelo tipo de conversa que tem.

segunda-feira, junho 28, 2004

No Acidental

Um post do Luciano Amaral que vale a pena ler. Não concordo com a consideração que faz de Durão Barroso de ir embora, nem com a conclusão de valer mais o Ferro genuíno que os Ferros encapotados que representa este governo. Ter o PS no poder seria certamente pior, mas concordo que "talvez assim se ajude ao aparecimento, dentro do PSD e do CDS, de pessoas verdadeiramente capazes de, em futuras eleições, finalmente proporem um programa de liberalização da sociedade e da economia portuguesas".

Nem sempre o que parece é, e este governo é um desses casos. A principal desilusão é ver que o cinto de que tanto se fala não tem sido apertado como devia, mas apenas com medidas pontuais e que não resolvem o problema real das finanças. Quando se fala em aliviar o sacrificio, confesso que fico com algum receio pelo que aí vem.

Quem diria...

que neste momento Durão Barroso estaria prestes a deixar de ser primeiro-ministro. Durão Barroso faz bem em aceitar o convite para presidente da Comissão Europeia. É uma oportunidade dificilmente repetível, e que honra Portugal. É uma forma diferente de servir o país, e não a vejo como uma fuga de responsabilidades. Ainda assim, faz sentido colocar duas questões:

Deve haver eleições antecipadas? Hoje vota-se mais nas pessoas que nos partidos e, por isso mesmo, não é linear que se possa trocar de primeiro ministro sem mais nem menos. Tenho as minhas dúvidas sobre o assunto. Pessoalmente, prefiro que não hajam eleições por ter a certeza que daí nada de bom viria para o país. Depois do aparente esforço que se tem estado a fazer, este governo deveria poder concluir a legislatura que iniciou, e aí sim ser julgado pelos resultados.

E o senhor que se segue? Aparentemente vai ser o Santana Lopes, e ele continua com o dom de despertar paixões e ódios. Ir para Presidente da Républica foi das coisas mais disparatadas que já lhe passaram pela cabeça, mas vê-lo como primeiro-ministro não me faz grande confusão. Se não colocar em causa a ideia de rigor nas finanças, até tem boas condições para resolver o problema de comunicação que persegue este governo, e manter a coesão da coligação. Não nos faz mal nenhum ter alguém que saiba agitar as águas.

quinta-feira, junho 24, 2004

Aborto (resposta)

Já aqui em tempos falei um pouco do que penso sobre o tema, e sou obrigado a discordar da Maria. Não é um tema fácil, e as duas partes têm razões e argumentos fortes. Mas a mim faz-me alguma confusão que se possa escrever e opinar sobre o aborto, sem fazer uma única referência ao feto, como é o caso. Não é uma coincidência, mas sim sintomático de um esquecimento que as pessoas têm demasiada facilidade em ter.

Discutir o aborto trata-se, essencialmente, de estabelecer as fronteiras e os limites entre aquilo que são os direitos, os problemas e os dramas legítimos da mãe (e do pai, convém não esquecer), e os do feto. E eu simplesmente não acho razoável que a uma das parte seja dado livre arbitrío para decidir sobre a outra.

Que as mulheres sejam julgadas por ter feito abortos também me suscita algumas dúvidas, mas está longe de ser a questão para se decidir sobre a liberalização (ou não) do aborto.

quarta-feira, junho 23, 2004

Aborto!

Ao realizarem este julgamento estão a querer dar um bom exemplo da boa moral e dos bons costumes. Vamos deixar de ser hipócritas não há razão para que não se legalize, dado que ele se pratica na mesma, na ílegalidade e em condições muito prejudicias para as mulheres. Aliás, se fossem as entidades públicas a fazê-lo provavelmente haveria outro controlo sobre esta prática.

Não sou a favor do aborto contrariamente aquilo que possam pensar. O aborto não pode, nem deve ser usado como meio de contracepção. E dúvido que existam mulheres que façam um aborto levianamente. A prática do aborto é uma questão que depende sobretudo da consciência de cada mulher. E tenho a certeza que nenhuma mulher faz um aborto por fazer, mas tem motivos muito sérios.

Não devemos condenar, nem julgar sem saber as razões mais íntimas para fazer um aborto. A gravidez pode ter surgido de uma relação não desejada ou de um encontro ocasional que não tinha futuro. E essas mulheres não têm que ser avaliadas, nem julgada pelas suas práticas sexuais, ou pelas decisões que tomam em relação à sua vida íntima. Quando assumem a criança muitas vezes ficam sozinhas sem apoios nenhuns, e não me venham as instituições próvida ou Estado dizer que apoiam essas mulheres, porque na prática a ajuda é muito reduzida ou fictícia.

Para, mim não pode haver pior condenação do que já sentir a culpabilidade de ter feito um aborto, quanto mais serem humilhadas face à opinião pública e aos tribunais.

terça-feira, junho 22, 2004

As Conversas

As conversas têm que ser pelo menos a duas vozes. As conversas são um instrumento quotidiano que permite expor e debater ideias. As converas criam ligações, porque elas permitem conhecer melhor o outro. As conversas podem ser um momento intenso entre duas pessoas, pois elas permitem a cada um revelar a sua forma de pensar e de estar na vida. Por isso, muitas vezes as converas mais intimistas e profundas põem uma pessoa a nu, na sua forma de sentir e de viver.

As conversas criam momentos de grande intensidade, são elas que nos ajudam a esclarecer dúvidas existênciais, a pedir ajuda, a esclarecer mal-entendidos, ou pura e simplesmente comunicar ao outro uma parte do nosso mundo interior. Elas são regeneradoras de felicidade, entusiasmo ou por vezes criam tristeza. As conversas ritmam as nossas relações, pois consoante o tipo de conversas que temos com determinadas pessoas, assim é a nossa mesma ligação as essas pessoas.

As conversas, hoje em dia, tomam várias formas. Podem ser por mail, por sms e por via telefónica, e muitas vezes dispensam a visualização do outro. Esta situação muitas vezes acontece, por se ter cada vez mais dificuldades em lidar com as nossas emoções, sentimentos ou por medo do outro. É através das conversas que temos o retorno daquilo que representamos para os “outros significativos” e ficamos a saber a maneira como eles nos vêem.

segunda-feira, junho 21, 2004

Força do futebol

Ontem, como na vitória do Benfica na taça, como em inúmeras outras ocasiões, verificamos que o país vive e respira futebol. Não existe, nem de perto nem de longe, qualquer outro tipo de acontecimento que mobilize as pessoas de tal forma, que as faça viver as emoções das vitórias e das derrotas com tanta paixão e de forma tão aguerrida. É assim em Portugal, como em outros paises.

No entanto, ao assistir a estas fases de euforia, como na noite de ontem, não posso deixar de me perguntar se não estaremos a cair em exagero. Uma quase histeria colectiva.

quinta-feira, junho 17, 2004

Irresponsabilidade

Recentemente, um programa de televisão apresenta dois adolescentes pais. Ele de 13 anos, ela de 16, pais de uma bébé de 3 meses. A bébé muito bonita, e a plateia televisiva cheia de ternura e compaixão por estes dois jovens. Parecia que, perante este cenário, tanto os espectadores como a apresentadora só viam o quadro ídilico de duas crianças que tiveram uma criança. O que é pertinente ressaltar é a forma como este fenómeno da parentalidade na adolescência foi tratado nesta emissão.

A verdade é que este fénomeno em Portugal é quantitativamente significativo, dado Portugal ser o segundo país da UE com maior número de mães adolescentes a seguir à Inglaterra. E acho que é importante alertar quer pais, quer adolescentes para esta situação, mas nunca desta forma como se fosse uma propaganda, ou apresentando a maternidade na adolescência como uma coisa “muito boa” ou de forma sensacionalista.

Neste programa valeu a lucidez de um psicólogo que não teve com rodeios e explicou as consequências e impacto que tem o facto de se ter uma criança quando se ainda está numa fase de transição entre a adolescência e a idade adulta. E garanto que os aspectos são maioritariamente negativos, quer para os pais adolescentes, quer para a própria criança. Por isso, penso que a televisão que é vista por milhões de pessoas e jovens tem que ter muito cuidado na forma como aborda problemas sociais.

quarta-feira, junho 16, 2004

Declínio

Compreendo as razões e a tendência geral, mas é com alguma tristeza que observo o progressivo declínio da blogoesfera, com o fechar de portas de blogs como o Guerra e Paz, Abram os Olhos, O Comprometido Observador, entre outros.

O Abrupto, em particular, sempre foi uma referência. O JPP é uma pedrada no charco, uma lufada de ar fresco, num panorama nacional por vezes tão pobre, miserabilista e mesquinho como o português. Não é por acaso que sempre foi visto como um outsider dentro do seu partido, e que a sua passagem pela distrital de Lisboa foi o que foi. É por isso com muita tristeza que o vejo despedir-se do comentário à vida política portuguesa. Ficamos todos mais pobres.

terça-feira, junho 15, 2004

Paixões...

As paixões fazem-nos correr atrás do que gostamos. As paixões dão uma razão de viver e movem montanhas. Por uma paixão seja ela qual for a pessoa sente-se viva, dá sentido à sua vida e ao seu viver. A paixão contagia os que estão à nossa volta e os que mais nos apreciam, pois admiram o nosso lado apaixonado. A paixão aumenta há medida que descobrimos o quanto a nossa paixão nos permite ser felizes e sentirmo-nos realizados.

A nossa paixão distingue-nos dos outros porque quando falamos dela os nossos olhos brilham como as estrelas numa noite de céu estrelado. A nossa paixão cria laços com aqueles que partilham dessa mesma paixão e quando estamos juntos o laço que nos une é esse sentimento apaixonado de gostarmos da mesma coisa. Por isso, a paixão desde que não seja doentia e que a partilhemos, ela é um regenerador de vitalidade nas nossas vidas.

domingo, junho 13, 2004

As campanhas eleitorais - uma reflexão que se impõe

Um artigo no Público que vale especialmente a pena ler.

Como JPP defende, e por muito que custe às máquinas e aos aparelhos partidários, a forma de fazer campanhas tem de ser repensada. Consumir uma campanha em visitas a feiras e mercados, e justificá-lo como sendo a forma de ganhar contacto com o país real e as preocupações dos portugueses, é pura demagogia.

quarta-feira, junho 09, 2004

Morte de Sousa Franco

Há que saber distinguir entre as opiniões e as pessoas, entre o político e o homem. Suponho que todos nos sentimos um pouco mais pobres, e paramos para reflectir um pouco, depois do que se passou hoje de manhã.

terça-feira, junho 08, 2004

Medo,

Leva-nos a não acreditar nas nossas potencialidades, nas nossas capacidades. O medo bloqueia-nos, torna-nos frágeis aos nossos olhos e perante os outros. O medo faz-nos recuar na vida, devido ao medo de enfrentar os nossos medos. O medo tem várias formas, pode ser o medo da responsabilidade profissional, o medo da relação com os outros. Pode ser o medo de amar o outro, ou então de nos entregarmos numa relação de amizade, ou até mesmo numa relação de amor. O medo de ser magoado provoca uma reclusão involuntária, provocando solidão.

O medo pode ser por vezes uma justificação, ou desculpa comóda quando não queremos avançar, mudar o rumo da nossa existência e ficamos presos aos hábitos, porque estes são tranquilizadores, são sinónimo de um estado já conhecido e dominado. Os medos somos nos que os criamos muitas vezes, após um insucesso seja ele de que ordem for, passa a ser um medo quando este não é ultrapassado. Os medos também nos são transmitidos por familiares, desde da mais tenra infância, e então carregamos os medos dos nossos pais, irmãos, avós…
Então, vivemos com medo de que os outros descubram os nossos medos.

sexta-feira, junho 04, 2004

Ora Vejam bem!

Este governo defende que o Estado deve ser o menos intervencionista possível e por tal, diminuí considerávelmente a sua participação em áreas como a da economia, a do ensino… São exemplos disso as privatizações e as liberalizações nos mercados financeiros, mas também ao nível do ensino básico que hoje é gerido pelas autarquias.

Agora, aparece o Ministro da saúde com uma ideia intervencionista de estabelecer cotas para reduzir o número de mulheres no curso de medecina. Vejam bem a contradição! Portugal tem de se orgulhar de ter uma das taxas mais elevadas de profissionalização feminina, não é exactamente pelas mesmas razões que no resto da Europa do norte, mas deixando esse à parte. É importante que as mulheres estejam na vida activa, para a sua autonomia e independência pessoal, assim como, para a economia doméstica dos lares portugueses. Não cabe de modo algum ao Estado decidir as orientações profissionais das mulheres!

quarta-feira, junho 02, 2004

Iletrismo Técnico!

Ao dirigir-se a um serviço especializado da administração pública ou a outro serviço técnico em geral, é possível que se depare com um funcionário que faz questão de utilizar uma linguagem muito própria, ou seja, termos específicos da sua área em que uma pessoa sente-se, ou fazem-na sentir-se iletrada. E isso acontece independentemente do seu nível de habilitações.

Esta situação surge devido às diferentes linguagens técnicas, vocábulos próprios a determinadas profissões que nem sempre são de uso comum e que nem todas as pessoas entendem. O que de alguma forma me aborrece é quando o funcionário com uma ar muito prepotente, usa dessa estratégia como forma de dominação. E, pura e simplesmente, faz-nos sentir um “iletrado técnico". Isto verifica-se mesmo com as pessoas que têm formação. Agora, imaginem como é que se devem sentir as pessoas que são analfabetas!

A minha pergunta é a seguinte será que esses funcionários que prestam um serviço não deveriam tentar fazer os possíveis para que se façam entender. Provavelmente, haveria menos erros no preenchimento dos documentos, e perder-se-ia muito menos tempo com burocracias.

Cuidado

O homem está mesmo a ficar maluco! Viram o debate de ontem na SIC Notícias, e os gritos que ele mandou à Ilda Figueiredo?

terça-feira, junho 01, 2004

A Criança...

A criança é um ser sensível, inocente, verdadeiro, puro…cheio de qualidades!
É pena que hoje em dia certos adultos se tenham esquecido que um dia foram crianças e que também eles são possuidores dessas qualidades ou então tudo fizeram para as esquecer! Essas qualidades só vêm ao de cima quando as pessoas deixam de ter medo de mostrar a sua criança interior!

Agitando Fantasmas II

Sem ter como o fazer na substância, é na reacção às críticas e aos ataques que o PP se distingue e mostra uma veia troliteira e agressiva, que não tem seguimento na sua acção concreta no governo, mas joga contra si próprio. A intervenção infeliz do líder da JP a comentar os óculos e as orelhas do Sousa Franco é um exemplo entre outros.

Mas isso não deve escamotear a realidade. O PP influencia o governo na medida da sua proporção, e da debilidade da sua liderança, que é evidente. Muito mais marcante e acentuada tem sido a descaracterização porque teve de passar para poder estar na coligação. Esta teoria com que o Mário Soares gosta de nos brindar de tempos a tempos, de a democracia estar ameaçada por uma direita radical que controla o poder, não é mais que um agitar de fantasmas, que não assusta ninguém.

Agitando Fantasmas I

Há uns bons tempos que se anda a querer passar para a opinião pública o alarme de o governo estar refém de um pequeno partido, radical, estilo extrema direita, anti-europeu, e sem representatividade. De tão "martelada", tem-se tornado parte do senso comum dos portugueses.

É evidente que este governo tem a marca do PP, mas e não é evidente que assim deva ser? Estão ali representados cerca de 9% dos portugueses, sendo que muitos deles terão votado já na perspectiva de esta coligação se erguer. Gostava é que me dessem um exemplo, um único exemplo, de manisfestação ou tradução do tal extremismo ou anti-europeísmo na actuação em concreto deste governo.

Olhando para a realidade, com olhos de ver, não será muito mais acertado pensar que o PP abdicou de grande parte do que pensava e defendia, sobre a Europa e em geral, para poder estar no governo? Estamos em plena campanha para as europeias, área onde o PP mais claramente se distinguia do PSD, e já alguém notou a mínima dissonância, o mínimo desacordo ou nuance de discurso? Isto é verdade a tal ponto que, se o PP tivesse de enfrentar uma eleições sozinho, nem se percebe muito bem no que poderia marcar a diferença ou a sua marca distintiva relativamente ao PSD.

sábado, maio 29, 2004

Publicidade no feminino!

Basta ver só um pouco de televisão para reparar com algum espírito crítico a maneira como a mulher é utilizada na publicidade! Como está a chegar a época balnear nada como mostrar belos corpos, esbeltos, bronzeados. Fazendo, da mulher um simples objecto de embelezamento ou até objecto sexual exclusivo para “machos” cheios de carências. No outro extremo, temos a mulher que apenas serve como dona de casa, por vezes muito pouco feminina, gorda e sem qualquer cuidado pessoal, em que é apontada como sendo autoritária e castradora. Todas situações em que a mulher é alvo de pouco respeito.

A gravidade da situação é quando estes padrões, modelos transmitidos pela publicidade são interiorizados como sendo válidos. Então observamos que temos miúdas de 13 anos que se vestem e pintam já como mulheres e que só têm conversas fúteis, do tipo roupas, ou de saídas à noite, e em que as suas leituras se limitam à Margarida Rebelo Pinto (com todo o devido respeito) e livros cor-de-rosa. A questão aqui é que as mulheres estão a conquistar o mundo dos negócios, da política e até artístico e essas nunca ninguém às utiliza como modelos, referências no feminino.

sexta-feira, maio 28, 2004

Instabilidade Humana...

O ser humano vive numa insatisfação constante em relação ao que tem e onde vive, é óbvio de devemos ser ambiciosos, mas temos que saber apreciar o que temos a cada momento. Por exemplo é interessante inventaria os discursos das pessoas: " Se tivesse aquilo era mais feliz! Se vivesse noutro sítio era melhor! " Parece que o descontentamento é constante. Quando se tem o que sempre se desejou, afinal já não é bem como se pensava. No momento da obtenção do que se queria tanto, começa-se a pensar que afinal anteriormente, não era assim tão mau.

Uma das razões da instabilidade existencial do ser humana é a de idealizar as suas vivências, sem nunca apreciar o que tem naquele instante e o que vive a cada momento. Então permanece num vai e vem constante entre um passado saudoso e um futuro idealizado. A Questão é que nem sempre o homem é contemporâneo do seu espaço e do seu tempo.

Mais um favorito

Nunca falei aqui de futebol, em boa parte por não perceber grande coisa do assunto, mas com os acontecimentos mais recentes não resisto a citar o post do O Observador, que me tirou as palavras da boca:

"O Porto venceu, e bem, a Liga dos Campeões. Mereceu e daí os meus parabéns. Agora, ninguém me convence que o Mourinho é uma pessoa normal."

Ideias feitas

O Bruno aponta uma verdade muito interessante sobre a vida política portuguesa dos últimos cerca de 20/25 anos. A mania de chamar reaccionário (entre outras coisas) a tudo quanto não agrada, é o melhor exemplo das ideias feitas e mitos que a esquerda tanto gosta de cultivar, sem que tenham qualquer contacto com a realidade...

Tirando uma outra outra ideia mais libertária socialmente, existe partido mais conservador ou reaccionário, no seu verdadeiro sentido do termo, que é ser uma "força de bloqueio" ou avessa à mudança, que o PCP?

quinta-feira, maio 27, 2004

terça-feira, maio 25, 2004

Um Livro,

é um amigo, um companheiro que se transporta para todo o lado. Um livro leva a nossa imaginação para longe. Um momento passado com um livro é um tempo de evasão e de criação. Ao entrar na leitura de um livro empolgante esquece-se o tempo, o espaço e tudo o resto à nossa volta.

Um livro permite criar um diálogo entre o que se lê e as sensações que são provocadas pela leitura. É um acordar de emoções, sentimentos escondidos que faz com que o livro se torne algo de mais significativo que um simples acumular de folhas, frases ou palavras. É a maneira como ele nos toca no nosso íntimo, que faz dele um objecto especial e único.
Há que aproveitar a Feira de Livro para encontrar um ou vários companheiros de evasão!

segunda-feira, maio 24, 2004

Quem diria...

Custa-me a entender quem considera a história entediante, quando na verdade é fascinante em todos os sentidos. Ler e aprender História é das coisas mais enriquecedoras, nomeadamente no que toca a conhecer e compreender a natureza humana, e de como aquilo que somos não veio do céu, mas resulta em boa parte da sociedade e do meio no qual crescemos e nos formamos.

A este propósito, e entre muitos outros, houve um post no Roma Antiga que em particular achei interessante. Ao que parece, até algumas das coisas que nos parecem tão elementares e intrínsecas à nossa natureza, como o sentido de possessão (no sentido lato, e não no negativo que lhe costuma estar associado) sobre a pessoa com quem vivemos, são igualmente influenciadas pelo meio social. Quem diria que, em tempos, já foi comum a prática de os maridos cederem as suas mulheres para que algum amigo ou conhecido pudesse ter filhos com elas, e depois as receberem de volta?

quinta-feira, maio 20, 2004

Nivelar por baixo

O telejornal da SIC abriu com uma notícia tipica da mentalidade portuguesa: O novo Director Geral dos Impostos vai ganhar cerca 25 mil euros.

So what? Não percebo esta obcessão nacional de nivelar as coisas por baixo. Qual é o drama de o estado pagar 25 mil euros por mês a um Director? Não é suposto a administração pública ter pessoas com qualidade, entre os melhores? E não é sabido que essas pessoas ganham fortunas no sector privado?

A mim preocupa-me se ele vale essa remuneração, e se o vai comprovar pelo seu desempenho. Mas não vejo razão para se sentir revolta com o simples facto de o estado poder pagar muito bem a alguns que, supostamente, são muito bons. É mesquinho, e pior que isso, é errado, pensar que por esses ganharem bem, os restantes vão passar a ganhar pior. Antes pelo contrário. Talvez a explicação esteja mais na mediocridade geral.

terça-feira, maio 18, 2004

A Diferença!

A diferença assusta e perturba aqueles que convivem com ela. A diferença marginaliza e faz sofrer os que são diferentes e querem assumir essa diferença. A diferença enriquece os que vivem com ela, e os que a cultivam. A diferença permite abrir horizontes aos que não se destacam pela sua diferença, ou singularidade.

Contudo, a diferença é por vezes escondida por medo do outro, por receio dos preconceitos e porque queremos ser como “todos”, sem o “ser” totalmente. A Diferença permite uma maior individualização pessoal, quando tudo nós quer uniformizar. Aceitar a diferença e integrá-la ajuda a todos a crescer enquanto indivíduos esclarecidos.

quarta-feira, maio 12, 2004

Dirigentes associativos

A propósito do que aqui falei em tempos sobre os dirigentes estudantis, e o problema de ser muito duvidosa a sua verdadeira representatividade, vale a pena visitar o Cadernos Minhotos e ler "A farsa eleitoral" (não consegui fazer link directo ao post).

Neste momento, o movimento associativo estudantil não é mais que uma montra para as vedetas de cada universidade se passearem. As minhas desculpas às muitas excepções que devem existir, e eu conheço algumas, mas esta é a regra. E só por mero acaso algumas das causas defendidas representam de facto os anseios do aluno "comum". Aliás, os mais voluntaristas estão por regra, e infelizmente, manietados por juventudes partidárias ou a prossecução de objectivos ideológicos, em geral de esquerda, que pouco têm a ver com os seus cargos.

Este aluno "comum" já de si tem alguma culpa no estado das coisas, por assumir uma postura e atitude de se estar nas tintas para o que o rodeia, sejam lutas de estudantes, política, sociedade, ou seja lá o que for que exija minimo esforço intelectual ou vá para além de enunciar umas quantas frases feitas e verdades adquiridas. Depois, olha para os dirigentes estudantis e fica ainda menos motivado a participar na vida associativa das universidades. Nem tão pouco consegue evitar sentir que afinal a sua atitude até se justifica.

Sou um pouco céptico e tenho dúvidas sobre se as soluções propostas pelo Filipe serão eficazes, mas o certo é que este não é um problema menor. Resumindo: Uma parte importante da sociedade tem dificuldade em ver os seus anseios representados e defendidos (quanto mais respondidos) e, ainda assim, está longe de se preocupar com isso.

terça-feira, maio 11, 2004

Argumentos!

É surpreendente como o poder de argumentação e de convicção com que algumas pessoas defendem as suas posições pode abalar as crenças e a ideologias mais profundas de outras!!!

segunda-feira, maio 10, 2004

Não é só dar por dar...

A iniciativa do Banco Alimentar contra a fome este fim de semana é de louvar e de apoiar. Contudo, este tipo de ajuda é pontual e é apenas ou deveria ser uma ajuda de emergência, que por vezes se torna numa rotina para alguns beneficiários. Quando isso acontece podemos estar a criar situações de dependências face às ajudas sociais.

Não é o dar alimentos uma vez por mês que vai quebrar o ciclo de pobreza, ajuda só matar um pouco mais a fome. O importante neste tipo de iniciativas é ir para além de uma simples urgência é dar instrumentos às pessoas que vivem em situações de precaridade de saírem dessa situação. Como diz provérbio chinês “ Não se dá um peixe a quem tem fome, mas ensinamo-lo a pescar”.

Deus nos livre

Dias Loureiro quer transformar Portugal numa "imensa Madeira".

quinta-feira, maio 06, 2004

Falsa Liberalização

A propósito do anunciado protesto dos revendedores de combustíveis, e a acusação de haver concertação de preços por parte das empresas petrolíferas que dominam o mercado,
basta dar umas voltas por Espanha e comparar. Num espaço de 100 kms encontramos diferenças que podem chegar a perto de 10 cêntimos. Aqui, nem por região nem por marca, é tudo corrido ao mesmo.

É uma pena que em Portugal não haja tradição de intervenção para garantir a concorrência, como no caso dos EUA. Fosse um empresa sem qualquer viabilidade a fechar as portas, e estavam todos a clamar pela mão do estado. A verdade é que o bem comum é defendido quando o estado intervem no primeiro caso, como regulador, e o mesmo é duvidoso no segundo. Afinal, onde está ele quando é preciso?

terça-feira, maio 04, 2004

Na Terra dos Dr.’S

É notório verificar a necessidade de certas pessoas com formação “superior” (licenciatura) afirmarem-se perante as outras impondo que as tratem por Sr. Doutor(a). Só têm realmente título de doutor os médicos e as pessoas que sejam possuidoras de um doutoramento. As outras apenas são licenciadas em diferentes áreas.

A necessidade de serem apelidadas de doutor(a) não é para se darem ao respeito, mas é antes uma forma de afirmação pessoal! Dado que, pelos vistos essas pessoas parecem não ter mais nenhuma forma de existir socialmente que pelo seu estatuto académico. Sim, já não falo profissional, porque hoje em dia ter um “Dr” não é sinónimo de um alto cargo profissional.

Alguns “Drista” só vivem em função da sua posição social. Em termos de identidade pessoal, isto é, as qualidades pessoas intrínsecas, independentemente do diploma que se tem ou da profissão que se exerce, não são valorizadas ou são inexistentes. Aquilo a que me estou a referir em termos de qualidades intrínsecas, é uma marca pessoal, como uma paixão por determinado desporto, ou porque são coleccionadores..., ou seja, elementos que faz com que por e simplesmente a pessoa se defina por ser, “o João”, a “Silvia”, o “Paulo”, a “Marta”…., porque sabem que existe para além do seu diploma ou da sua profissão.

Pudor

Os telejornais de hoje, como seria de esperar, são um bombardear de reportagens e imagens do levantamento da prisão preventiva ao Carlos Cruz. O que me deixa estupefacto nem é os jornalistas, quais abutres, a seguir o carro até o homem chegar a casa. Não, isso não é nada se comparado com o absurdo de seguidamente termos a mulher e a ex-mulher a falar ao telefone com o jornalista da SIC, e a relatar a entrada em casa, o reencontro com as filhas e as pessoas mais queridas, o seu comportamento ao pormenor. Enfim, coisas que eu (ingenuamente, ao que parece) vejo como um momento pessoal e íntimo do Carlos Cruz, e que não faz qualquer sentido chegarem a público, e com certeza ainda menos sob esta forma que de tão forçada faz até perder o significado daquilo que querem descrever.

Se não existe o mais mínimo pudor por parte dos visados, como se pode esperar que ele surja da parte da comunicação social?

domingo, maio 02, 2004

Política e Futebol

Ao surgirem a público as acusações de favorecimento do Futebol Clube do Porto por parte do antigo presidente da camara do Porto, não posso deixar de sorrir... afinal, até é compreensível que o Pinto da Costa se dê tão mal com o Rui Rio. Vendo bem as coisas, estando no lugar dele, até eu votava PS para a câmara do Porto.

Nojento

Quem não fica chocado ao ver as imagens do tratamento dado a prisioneiros iraquianos? Custa compreender que alguém tire prazer de fazer aquelas barbaridades e ainda fazer questão de as registar em foto.

Os EUA e o Reino Unido devem castigar os responsáveis pelos abusos de prisioneros iraquianos, da mesma forma que o devem ser os atropelos aos direitos dos cidadãos em algumas esquadras da polícia em Portugal. A grande distinção da conduta de uma democracia perante a guerra, e o tratamente prestado aos seus "inimigos", não é a inexistência de abusos. A diferença é que estes ocorrem à margem da lei e, supostamente, são punidos quando denunciados. Eles não são é a forma de conduta que se espera dos militares, e é por isso mesmo que o castigo deve ser exemplar.

Lucro imediato

Ao passear pela Baixa de Lisboa fiquei indignada com o preço dos simples postais ilustrados da cidade. Alguns deles diga-se de passagem não tinham qualquer qualidade estética. Pois, para minha grande surpresa os banais postais para turistas em busca de “souvenirs” são 18 a 30 cêntimos mais caros do que os postais em Paris.

Este simples exemplo de aproveitamento do comércio tradicional mostra a cultura da economia do “imediatismo” em que só se pensa no lucro instantâneo que um evento como o Euro 2004 pode trazer. Infelizmente este esquema de pensamento também se verifica noutras áreas como agricultura, indústria…, em que só se pensa no agora, no lucro máximo e não se pensa, nem se investe a médio, longo prazo.

sexta-feira, abril 30, 2004

Homenagem ao Espírito “Bloguista”!

Quero saudar os colegas “bloguistas" pela boa iniciativa de terem criado um Blog! Considero que o facto de exprimirmos as nossas opiniões, críticas e perspectivas sobre determinados assuntos, realidades sociais, é de alguma maneira, uma forma de intervenção social. Pois, demonstramos que temos espírito crítico e que não aceitamos tudo o que nos dizem, ou nos querem incutir, sem qualquer reflexão e/ ou sem o mínimo de inteligência.

quarta-feira, abril 28, 2004

Auto-estima Nacional

A crise que se faz sentir em Portugal também está atingir o resto dos países da EU. Só que no resto da zona Euro não há sensacionalismos em relação à crise éconómico-financeira, bem pelo contrário, os políticos desses países tentam eufemizar as situações de forma a não desmotivar os seus cidadãos.

Aqui no nosso Jardim à beira mar plantado nunca se fala das boas iniciativas empresarias de sucesso, das descobertas científicas e dos prémios conquistados! O facto de não se destacar e promover estas acções faz esquecer à maior parte da população portuguesa que somos tão bons ou melhores que os outros.

Por isso quero aqui destacar as duas acções que estão a decorrente que podem lutar contra a falta de orgulho nacional e a vaga pessimista. A iniciativa do Público que publica todas as semanas um rubrica sobre os casos de sucesso em Portugal, em diferentes domínios. Mas, também a publicidade ao “Pack hyperPortugal” promovido por um símbolo desportivo, orgulho de toda uma Nação. Sem contar o Euro 2004.

Temos que nós deixar de lamentações sobre a situação do pais, mas arregaçar as mangas, dado que, todos somos parte integrante desta Nação. Você o que é que já fez ou faz pela nossa Nação?

Maria

Olà eu sou a Maria! Sou a nova residente da Ilha Perdida decidi vir fazer companhia ao Pedro!

Mudança de Visual

A confirmar que é preciso ter algum cuidado com a mudança, a tentativa de tornar a visualização do Ilha Perdida mais agradável começou a criar os pequenos problemas que podem verificar - formação errada dos caracteres com acentos, perda dos links e supressão dos títulos dos blogs. Será corrigido assim que possível!

Virar de página

Já aqui tinha falado nas limitações de manter um blog sozinho, e no desejo de incluir outras pessoas que pudessem enriquecer este projecto. Oito meses após ter nascido, o Ilha Perdida faz a sua primeira grande mudança, e abre as portas a mais um elemento.

A Maria vai representar uma sensibilidade feminina, mais académica, mais sociológica, mais liberal - no sentido americano do termo. Uma perspectiva diferente da realidade, ainda que com traços comuns ao que tem sido a linha do Ilha Perdida, e uma mais valia ao interesse do que por aqui se escreve.

Sê bem vinda!

terça-feira, abril 20, 2004

É uma pena

Apesar de atrasada, o artigo de Miguel Sousa Tavares no Público mereçe sem dúvida uma referência. Quem conheça algumas das zonas protegidas ao longo do país, e tenha acompanhado a evolução da sua envolvente ao longo dos anos, percebe facilmente o poder da pressão que se exerce contra elas. Percebe, ainda, que as autarquias fazem parte dessa pressão e, nesse sentido, do problema a que estas procuram responder. O problema de sabermos preservar as zonas que permanecem um património e um valor que seja do interesse de todos nós preservar.

Significa isto que, o mínimo que podemos procurar é uma situação de equilibrio entre o desenvolvimento e a preservação. Embora duvide muito que a questão se possa colocar nestes termos, por muita da dinâmica e do potencial turistíco das regiões em questão se dever exactamente ao seu património natural e ambiental.

O comentário do nosso Presidente, de não podermos fazer do país inteiro uma reserva natural, é inqualificável. Por uitom que se argumente esta ser apenas uma evidência, significou um tomar de posição sobre as duas partes em "conflito". O Presidente da Républica escolheu a dos interesses imobiliários, das autarquias e a sua corrupção, e o turismo sem regras, contra o mínimo respeito pelo meio ambiente envolvente.

Já temos o Algarve e o seu turismo massificado, é uma pena que não se procure dar oportunidade a outro tipo de turismo nas restantes regiões do país.

Decida-se!

Ontem, no telejornal da noite, pudemos ver Romani Prodi em plena reunião com os partidos de oposição italiana, na qual achou por bem saudar a decisão Espanhola de sair do Iraque. Eis a frase:

"A Espanha, com esta decisão, juntou-se à nossa posição e a fractura que impede a Europa de ter uma orientação está em vias de se reduzir"

"nossa"? mas de quem? Da oposição italiana ou da comissão europeia? Está na hora de se decidir. O que temos agora é um presidente da Comissão a exercer o cargo em part-time, ao mesmo tempo que se assume como lider da oposição italiana.

segunda-feira, abril 19, 2004

Coisas tristes

O que sentirá um espanhol ao deparar-se com coisas destas? Não é que tenha ficado surpreendido, mas ainda assim devia fazer-nos pensar um pouco sobre o que se está a passar, e sobre o que significa realmente este tipo de atitude e reacção por parte dos países europeus a medida que a situação no Iraque se agrava.

Tento colocar-me na posição daqueles que são contra a intervenção, que acham que o mundo se deve retirar daquele "problema dos americanos", seja de que forma for. E será que isto não os faz hesitar, duvidar, colocar em causa por momentos que seja a atitude que defendem? Gostava de perceber como é possível, mas de facto parece que não faz.

quarta-feira, março 31, 2004

Ensaios de um cego

Nunca li um livro de Saramago (não refiro isto por me orgulhar do facto), no entanto parto do príncipio que seja um escritor com qualidades. Por isso mesmo, e pela relevância que soube conquistar, é importante não deixar passar em branco muitas das coisas que anda por aí a dizer.

Vem com aquelas teorias super interessantes, acarinhadas por tantos intelectuais de esquerda, sobre a necessidade de educarmos a sociedade, usando esta maravilha de frase: "A educação pressupõe a existência de um educando e de um educador. Esta sociedade não tem condições para nos dar lições". Curiosidade: seremos nós dignos que esta alma iluminada dispenda um pouco do seu escasso tempo a livrar-nos do nosso estado de osbcuridão?

Esta atitude paternalista, tão típica de quem se arroga o direito de definir o que está bem ou mal, independentemente do que as pessoas e a sociedade que de facto existem possam pensar ou desejar, é a responsável por tantas e tantas barbáries que se cometeram no século que acabou de passar. Nós não somos mais que um obstáculo a ultrapassar para o verdadeiro objectivo - a sociedade ideal (?) - ser atingido.

Podemos pensar que Saramago é mais um utópico, inconformado, sonhador irredímivel. É uma perspectiva. Mas atenção, ainda existem sítios onde vale a pena viver. Ficamos mais descansados. Este senhor, que recusa a democracia e apela ao voto em branco, por alegadamente o sistema estar bloqueado e não funcionar, é o mesmo que de vez em quando faz umas viagens a Cuba e não poupa elogios para descrever o que encontra á sua volta. Outra curiosidade: qual é concretamente o aspecto na democracia que Saramago fazia questão de mudar? o pormenor da expressão da vontade através do voto?

O pior dos cegos, é aquele que se recusa a ver.

domingo, março 14, 2004

Parabens...

A data dos atentados não foi uma coincidência, nem é difícil deduzir qual seria a sua intenção. Castigar o Partido Popular espanhol, fazer a Espanha sair da "aventura" Iraque, fazer a europa isolar ainda mais os EUA. Se alguém merece os parabens pelo resultado das eleições em Espanha é, ninguém duvide, quem fez os atentados.

Faz algum sentido que, no dia de reflexão, tenham havido as manifestações que houveram á porta da sede do partido do governo, sem que isso implicasse o adiamento das eleições?

Independentemente de escolhas e gostos partidários, é revoltante, e uma perversidade, que um atentado terrorista, de tal modo barbaro como foram os de Madrid, consiga produzir exactamente a reacção que pretendia.

quinta-feira, março 11, 2004

Chegou á Europa

Agora aqui tenho uma senhora na SIC Notícias, a Drª Ana Gomes (quem havia de ser), a explicar o atentado em Espanha com a invasão do Iraque. Como antes um jornalista na SIC explicava como a culpa, ou quem vai ser culpado, é a política levada a cabo pelo governo PP. Como aqui em Portugal estamos habituados a ver o BE a defender os presos políticos da ETA e a "compreender" as suas causas.

Não existem terroristas criminosos e terroristas com causas, não existe terrorismo inaceitável e terrorismo compreensível. Existe terrorismo e existem terroristas, e ponto final.

Que o facto de a barbárie ter chegado á Europa sirva pelo menos para que estas verdades simples se percebam.

quarta-feira, março 03, 2004

Lisboa Viva - Sem comentários

O passe de metro em lisboa, para quem usufruia de desconto de cartão jovem (com o qual resolveram acabar), aumentou de 10,8 para 15 euros. Para os restantes utentes, de 12 para 15. Aumentos de apenas 39 e 25 por cento, respectivamente.

terça-feira, março 02, 2004

Genial... (?)

Que dizer das entrevistas que Avelino Ferreira Torres deu ontem nos telejornais a comentar o seu comentar no jogo do Marco de Canavezes? Não me lembro de rir assim ha uns tempos.

domingo, fevereiro 29, 2004

Claques

Ontem fui ver o Belenenses - Boavista, e como fiquei junto a claque das Panteras Negras, tive oportunidade de assistir a um espectaculo digno de se ver. A claque, sempre escoltada por número considerável de polícias, colocou uma faixa enorme a cobrir as cadeiras que estavam ao seu lado, o que não é nada de grave tendo em conta que não faltava espaço para as restantes pessoas se sentarem. O problema é terem começado a vir mais e mais adeptos, e ás tantas esgotaram-se os lugares, e ficaram inúmeras pessoas de pé.
A polícia começou a fazer o evidente, que foi dizer aos Panteras Negras que recolhessem a faixa, para que pelo menos alguns dos que estavam em pé se pudessem sentar. E a primeira parte foi passada nesta triste cena, que foi ver os polícias a tentar remover a dita faixa, e os “panteras” a porem-se em cima dela para impedir, numa atitude provocatória. Como acabou? Da forma mais previsível, sem resposta da polícia, que baixou a bolinha…

Conclusão: Muitos dos que pagaram bilhete tiveram de assistir ao jogo em pé, para que 15 ou 20 senhores da claque do Boavista pudessem manter estendida uma faixa que ocupava o lugar de 150 ou 200.

A polícia devia perceber que os confrontos só devem ser evitados quando não são relevantes para afirmar a ordem e a justiça. Assim, é natural que os meninos das claques continuem a fazer o que querem nos estádios portugueses.

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

Impaciência

Com a reserva do distanciamento com que um monárquico observa estas movimentações, mas com a autoridade de até ter simpatia pessoal por Santana Lopes, ainda não percebi muito bem este entusiasmo e fixação que ele ganhou com a Presidência da República. Podemos ter opiniões diferentes do perfil que se espera de um Presidente da República, mas estão a ver Santana Lopes enquadrado nalgum deles? Não tem a estatura nem a postura. Talvez a venha a ter, mas agora não.
Eu imagino Santana Lopes como Primeiro-Ministro (não quer dizer que gostasse). Nunca como Presidente, a percorrer o país com os discursos redundantes e com aquele tom conciliatório a que Sampaio nos habituou. A menos que queira ser um novo Eanes.
Ele está talhado para fazer, intervir, tomar partido. Devia ter mais calma, deixar-se ficar em Lisboa, e guardar toda esta energia para mais tarde, quem sabe, suceder a Durão. Assim, ainda dà ideia de querer ir para Presidente por não ter conseguido chegar a chefe de governo.

Impostos

Notícias como esta só vêm provar como algo de errado se passa no mundo automóvel português. Pagamos mais que os outros pelo carros que compramos, pagamos portagens, temos a gasolina mais cara... e em troca de quê? O que recebemos a mais do estado que, por exemplo, o automobilista espanhol, que justifique esta carga contributiva tão pesada?

A mim choca-me acima de tudo a desigualdade nos preços de aquisição dos automóveis... porque não se aplica a lógica do mercado único neste caso particular em que o benefício para o consumidor seria tão evidente? E a renovação da frota automóvel nacional não é um bem a seguir?

Se se acha que existem carros a mais, então que se aumente o imposto automóvel. Se se acha que se anda demais, então que se aumente o Imposto Sobre Produtos Petrolíferos (ISP). Se se acha que quem usa as estradas as deve pagar, que se mantenham as portagens. O que não faz sentido é querer fazer tudo ao mesmo tempo.

A propósito, a gasolina volta hoje a aumentar, agora não por oscilações de mercado, mas pelo aumento do ISP. Em Portugal os impostos são a resposta fácil à incapacidade de racionalizar um estado demasiado grande e que gasta demasiado mal.

terça-feira, fevereiro 10, 2004

Pessoas complicadas

Como em todas as lutas de auto-determinação, independentemente da sua justeja, muitos perdem o juízo pelo caminho. É o caso de algumas mulheres.
Senão, vejamos esta senhora, que consegue ver na obra de Tolkien a prova de que este sofria de misógenia, isto é, "repulsão mórbida do homem pelas relações sexuais; horror às mulheres".
E como chega a senhora a esta conclusão? Porque existem poucas mulheres como personagens fulcrais. E questiona ainda que, se o Tolkien era misógeno, então porque raio não foi usada a liberdade artística para transformar em mulher algumas das ditas personagens fulcrais?

Não me parece que esta visão das coisas mereça grandes comentários. Tal como O Complot, espero que aquele post esteja escrito a gozar. Caso contrário, tenho pena dos que a rodeiam, deve ser aquele tipo de mulheres dificeis de aturar.

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

Parece mentira...

Li um vez. Voltei a ler para acreditar. Será possível que este texto seja o complemento à notícia que anuncia a morte de uma pessoa?
Não será uma questão de respeito e antes de mais de bom senso? Concordo absolutamente com FA, a Esquerda de Hoje é constrangedora na dualidade de critérios que utiliza para observar a realidade.

segunda-feira, fevereiro 02, 2004

No Respublica

"A PETIÇÃO PARA O REFERENDO foi entregue na Assembleia da República. Contém mais de 120 mil assinaturas de cidadãos que pedem a realização de um novo referendo sobre a liberalização do aborto.

Independentemente da minha opinião sobre a questão do aborto, não gosto desta mentalidade pseudo-democrática que, de resto, subverte a própria democracia: referenda-se até conseguirmos o que queremos, e depois não se fala mais do assunto.

É ainda aquela velha atitude de querer evoluir as pessoas à força, como se a humanidade estivesse dividida entre iluminados e obscurantistas. Não raras vezes, os que julgam pertencer à primeira categoria são precisamente os mais intolerantes. "

Como não consegui fazer link directo ao post do Respublica, tomei a liberdade de transcrever um texto ao qual tenho pouco a acrescentar. Nem é de agora que isto me faz confusão. O que faz confusão é a ideia de repetir o referendo ter começado a ser falada por muitos quase a seguir aos resultados do primeiro terem saído. As mentes mais "iluminadas" têm uma tendência irreprimível para menosprezar a vontade expressa nas urnas pelas pessoas.

sexta-feira, janeiro 30, 2004

Transportes

Volta e meia são feitas campanhas que nos explicam como é proveitoso deixar de vir para Lisboa de carro e passar a utilizar os transportes públicos. As vantagens são evidentes. Poupa-se dinheiro, geralmente também se poupa tempo, e é mais certo a hora a que se chega ao destino. Sendo o tempo que perdemos a ir e vir do trabalho o mais estupidamente perdido, é até uma possibilidade de gastar esse tempo menos estupidamente, por exemplo com leitura (embora ir no carro a ouvir uma radio também não seja de desprezar...). Pode-se dizer que são argumentos de peso.

Ainda assim, já se sabe que não são grandemente convincentes para quem tem a possibilidade de levar o seu carro para o trabalho. É o comodismo de ir sentadinho a nossa vontade, mesmo que a gastar e demorar mais, e pelo caminho nos enervemos com o comportamento dos outros condutores e os percalços normais do trânsito nas horas de ponta.

Podem melhorar vias e acessos, mas o transporte público é, de facto, a solução para os problemas de congestionamento nas grandes cidades. Isto já eu e todos sabemos. Mas, o que quem os utiliza também sabe é que andar de transportes não significa necessariamente fazer uma viagem breve, calma e descansada. Estes circulam geralmente perto do máximo da sua capacidade, e não são poucas as vezes em que precisamos empurrar e corremos risco de atropelamento para conseguir entrar no comboio, no metro, no autocarro. É notório como uma mera greve da Carris, ou qualquer acontecimento que faça oscilar por pouco que seja a quantidade de utilizadores, torna a ida para Lisboa numa autêntica aventura de salve-se quem puder.

Como disse, é um facto que os transportes públicos são a solução para os problemas de Lisboa, do Porto, e das grandes cidades em geral. Mas também é verdade que, pelo menos em Lisboa, a rede de transportes está longe de preparada para a eventualidade de todos passarmos a deixar o nosso carro em casa. E existem razões para que alguns continuem a preferir ir por sua conta.

quinta-feira, janeiro 29, 2004

Revelações

Blair tem vindo nos últimos tempos a surpreender tudo e todos. Essencialmente na política externa, em que a mudança se tornou notória com a questão da intervenção no Iraque, mas agora também internamente com a questão das propinas. Passou de um Guterres à inglesa, de sorriso fácil e navegação à vista, a um político que finalmente parece começar a ter convicções e estar disposto a defende-las ainda que a custo do facilitismo e da conveniências do momento. Pessoalmente acho que a viragem foi para o lado certo, mas a atitude por si só, já merecia o reconhecimento, pois é no fundo isso que se espera de um político. Curiosidade: apesar de todas as campanhas e contratempos, os ingleses parecem continuar a reconhecer qualidades a este novo governante que lhes foi revelado. Talvez sejam as vantagens de serem políticos mais seniores a governar.

quarta-feira, janeiro 21, 2004

Será preciso comentar?

Jornal Nacional desta noite: Manuela Moura Guedes, esse marco do jornalismo português, apresenta no seu estilo inconfundível notícias que não poderiam ser passadas senão na TVI. Dois exemplos.

"Britânicos não desistem até saber", o parlamento britânico exige sem piedade que Tony Blair justifique onde estão as armas de destruição massiça do Iraque. Atitude inédita, tirando o pormenor de se verificar em todos os países que deram apoio à invasão.

"Bush faz discurso fundamentalista", "vai atacar o resto do mundo para se defender".

quinta-feira, janeiro 15, 2004

"Governo propõe congelamento dos salários acima dos mil euros"

Este é o tipo de medida bem menos inocente do que possa parecer. A função pública já é uma máquina pesada e ineficiente, e por natureza pouco estimulante por não reconhecer o mérito dos trabalhadores. É o local de trabalho ideal para quem pretende ter uma vida profissional com estabilidade, sem grande ambições. O jovem que sai da universidade cheio de sonhos e força para começar uma carreira de sucesso vai provavelmente procurar o sector privado. Quem demonstra qualidade no seu trabalho encontra em geral melhores condições no sector privado. Ha um trade-off entre a estabilidade e a segurança, e a possibilidade de progressão e/ou de um trabalho mais estimulante mas também mais exigente.
Este tipo de medidas vem no seguimento de restrições orçamentais que se impõem e, na impossibilidade de poder despedir pessoas, a solução é fechar as entradas e pagar cada vez pior, em particular àqueles que mais ganham.

Assim, a função pública que já é o que é, vai tendo cada vez mais dificuldade em atrair quadros competentes e com qualidade, que são exactamente os mais necessários. Pelo contrário, vai-se tornando mais atraente para aqueles que a procuram por terem pouco a oferecer.

domingo, janeiro 11, 2004

Livros

A propósito deste post do JPP, a internet veio tornar ainda mais claro como a imprensa escrita, e o livro em particular, têm um lado físico que não é substituível.

Os livros têm uma personalidade própria que vai para além do seu conteúdo. A sua forma, o seu toque... é algo que nos faz muitas vezes fazer questão de comprar um livro, ainda que o pudessemos pedir emprestado.
Depois de o lermos, de o folhearmos, de o sentirmos, um bom livro ganha para nós um valor que não tem a ver com o seu custo ou utilidade, mas com uma relação que se criou entre o leitor e a obra, e com os momentos e sensações que ela lhe proporcionou. Não é só o livro em geral, mas aquele em particular, a que nos sentimos ligados. Talvez por isso sintamos que seja tão importante guardar e conservar os livros que lemos, como objectos que nos são queridos e íntimos. Para o bem e mal, somos um pouco aquilo que foram as nossas leituras.

Acredito que nem todos sintam as coisas desta forma, mas devem pelo menos concordar que pegar num jornal, e ainda mais num livro, para ler tem muito mais graça que ir a internet e ler as coisas no monitor.

quarta-feira, janeiro 07, 2004

Marte

Depois de ver o telejornal, e passar os olhos por uns jornais, tive de recorrer ao arquivo on-line do público para verificar se este artigo era mesmo verdade ou fruto da minha imaginação. Pelos vistos aconteceu mesmo.

Devo confessar, a ideia que costumo ver defendida pelo JPP, da descoberta do espaço como uma resposta natural à progressiva pressão sobre os recursos no planeta, e a procura de novas possibilidades de expansão, não me convence particularmente.

Não percebo é como este tipo de notícia pode ser praticamente esquecida passados um ou dois dias. Como é possível que a expectativa das imagens que estão a vir de Marte e das novidades que podem trazer não nos apaixonem a todos? A possibilidade de podermos vir a descobrir que em tempos houve vida num outro planeta? Ou mesmo se alguma poderá ainda existir. E se existe ou existiu, que formas terá assumido? É inimaginável...
Como é possível alguém não ficar fascinado ao ver o desafio que representa o mundo que temos a descobrir, tais são as portas que a descoberta do espaço podem abrir para o nosso conhecimento e entendimento do universo e do nosso papel nele?

domingo, janeiro 04, 2004

O Sorriso de Mona Lisa

Ha dias em que mais vale não ir ao cinema. E não, nem estou a falar do filme. Estou a falar dos dias em que nos calham certas personagens que acham normal estar a comer pipocas, atender chamadas no telemóvel, ou estar do ínicio ao fim do filme a comentar toda e qualquer piada ou acontecimento. E não, não estou a comentar de sussuros, estou a falar de pessoas que se acham no direito de estar ali a comentar o desenrolar da história como se estivessem na sua sala de estar.

Se isto é uma completa falta de respeito, ou apenas sintoma da estupidez que nos persegue e acompanha por todo o lado, não sei muito bem. Estes comportamentos fazem-me tanta confusão e sou tão incapaz de os compreender que preferi nem pedir as pessoas para estarem caladas e deixarem os outros apreciar o espectaculo pelo qual pagaram bilhete, tal como elas.

sexta-feira, janeiro 02, 2004

Festa pouco invicta

Rui Rio é um presidente de camara que devia servir de exemplo a todos os outros, e todas as lutas que tem empreendido o confirmam. Diz o que pensa, enfrenta interesses e segue as convicções sem olhar para o lado. É uma lufada de ar fresco no panorama político em geral, e no autárquico em particular, em que os aparelhos partidários e as clientelas têm uma influência sufocante. O simples facto de ter ganho as eleições foi o exemplo máximo de democracia, ao mostrar como não existem vitórias antecipadas.

Dito isto, acho que Rui Rio devia ter um pouco mais de cuidado na forma como comunica com os municipes. Por exemplo, não faz muito sentido numa passagem de ano a festa na rua ter terminado à meia-noite. A diferença de custo para uma festa como é suposto haver numa cidade como o Porto seria irrelevante para a câmara, e a impressão negativa que este tipo de coisas causa nas pessoas não é irrelevante de todo.